O iFood está fazendo um investimento minoritário na fabricante brasileira de drones Speedbird Aero, reforçando uma aposta neste tipo de serviço aéreo não tripulado para a entrega de pequenos itens.
A entrada do iFood no capital da Speedbird Aero acontece como complemento de uma rodada que foi liderada pela gestora portuguesa Lince Capital no ano passado, quando captou US$ 3,5 milhões. Agora, o iFood está entregando um cheque de US$ 1,8 milhão, elevando a captação para US$ 5,8 milhões.
O iFood e a Speedbird são parceiros de longa data, com os primeiros voos de teste sendo realizados em 2020. A parceria foi retomada no fim do ano passado, em Aracaju, com uma operação com capacidade para até 280 pedidos por dia.
A Speedbird tem atualmente licenças para operar em 14 países. Além do Brasil, Portugal, Bélgica, Itália, Irlanda, Escócia e Singapura compõem a lista.
"Nos Estados Unidos, chegamos a ter licença temporária para operar em Michigan, com entregas de mercadorias em navios. “Queremos tornar essa licença permanente”, diz Manoel Coelho, CEO da Speedbird, ao NeoFeed.
Na Itália, por exemplo, Coelho afirma que a Speedbird está operando em rotas que foram inicialmente destinadas às alemãs Volocopter e Lilium, que, embora tenham captado muito mais, não conseguiram colocar de pé seus projetos. No Brasil, a Speedbird tem licenças para operar em áreas urbanas com densidade de até 5 mil pessoas por km².
Com o iFood, a companhia mantém rotas ativas em Aracaju, além de ter histórico de operações no Rio de Janeiro, Salvador e Florianópolis. O próximo passo, segundo Coelho, é conseguir licença para operar na região metropolitana de São Paulo.
“Estamos buscando todas as autorizações para colocar essa operação em destaque e adicionar valor aos nossos parceiros e aos parceiros do iFood”, afirma Coelho.
O plano, segundo Coelho, não é utilizar os drones para a entrega final, mas como suporte às entregas em áreas de difícil acesso – modelo semelhante ao já implementado pelo iFood em Aracaju.
Na capital de Sergipe, por exemplo, os drones reduzem de 30 para três minutos um trajeto que conecta um shopping, que fica em uma ponta, a um ponto de entrega que fica na outra extremidade. De lá, os entregadores retiram o pedido e concluem a entrega.
“Eram 18 quilômetros de terra que o entregador tinha que percorrer para ir e mais 18 para voltar. Então, não fazia sentido ele fazer”, afirma Coelho.
Em São Paulo, quando tiver todas as autorizações, a primeira rota de entrega do iFood por drones deverá ligar um shopping a condomínios residenciais.
“Já fizemos testes há um tempo, mas foram pontuais. Para colocar isso em massa, é preciso tanto maturidade tecnológica, que já alcançamos, quanto controles de tráfego aéreo”, diz Coelho.
De acordo com Coelho, a Speedbird Aero deve atingir o breakeven com essa nova rodada. A fabricante de drones está também se preparando para uma rodada série B, mas diz que, com o novo capital, tem dinheiro para desenvolver os planos atuais. “Estamos tranquilos para não aceitar qualquer coisa”, afirma Coelho.
Entre os investidores da Speedbird Aero estão Explorer Investments, Cedrus Capital, AcNext Capital e MSW Capital. Este último é um fundo multi-corporate venture que tem entre os seus cotistas a Embraer, um investidor estratégico para a fabricante brasileira de drones.
O iFood, por sua vez, tem feito vários investimentos em empresas que podem se conectar ao seu ecossistema de delivery. Os dois mais recentes demonstram o apetite por startups.
No ano passado, o iFood comprou uma fatia de 20% da CRMBonus, com opção de adquirir o seu controle por R$ 10 bilhões. A empresa comandada por Diego Barreto comprou também a AdSolve, uma empresa de inteligência artificial, para acelerar seu crescimento em publicidade.