Bloco digital: Lego expande ambição online e desenvolve seu metaverso

A Lego está aumentando sua área de tecnologia, passando de 400 para 1,8 mil profissionais, e vai investir na estratégia digital de olho no metaverso em conjunto com a dona do Fortnite

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Lego: empresa dinamarquesa quer rivalizar com o Minecraft, da Microsoft

Quando o jogo virtual Minecraft se tornou uma febre global entre as crianças, muito se falava que a Lego havia perdido a oportunidade de explorar um mercado gigantesco ao focar sua atenção somente nos blocos de montar do mundo real. Para não perder o timing novamente, a companhia agora está de olho em novas tecnologias.

Nesta semana, a companhia dinamarquesa informou que vai aumentar o número de profissionais de tecnologia, principalmente engenheiros de software, passando de 400 para 1,8 mil até o fim de 2023.

Os novos profissionais vão povoar o recém-inaugurado hub de tecnologia que a Lego estruturou em Copenhague, na Dinamarca, além de darem apoio aos centros de software que a companhia montou em Londres e Xangai.

As contratações fazem parte de um esforço da Lego para impulsionar sua presença no mundo digital. Niels Christiansen, executivo-chefe da Lego, afirmou ao jornal britânico Financial Times que o grupo está aumentando os investimentos em software para “várias centenas de milhões de dólares”, mas não revelou o valor exato.

“Agora vemos as coisas se unindo, então é muito mais fácil conectar os dois e se tornar uma experiência”, disse Christiansen, ao se referir aos produtos físicos e aos digitais.

Vale lembrar que a Lego abriu 165 lojas físicas no ano passado, chegando a 830 estabelecimentos ao redor do mundo. Mais 150 lojas devem ser inauguradas neste ano.

A companhia vem obtendo bons resultados financeiros nos últimos anos. Com a pandemia, a empresa aumentou sua receita em 27% para cerca de US$ 8 bilhões em 2021. O lucro operacional subiu 32% para algo próximo de US$ 2,3 bilhões e o lucro líquido ficou perto de US$ 1,8 bilhão.

Ainda que tenha tido bons números, a Lego pouco avançou em sua estratégia digital. Um exemplo é que os jogos de videogame que levam a marca para os principais consoles do mercado, por exemplo, tiveram sua produção terceirizada nos últimos anos.

Segundo Atul Bhardwaj, diretor digital da Lego, há a possibilidade de que a empresa comece a construir os próprios jogos. Mas não há uma previsão exata de quando e se isso realmente vai acontecer.

Se os planos saíssem do papel, a Lego poderia criar um produto que pudesse rivalizar com o Minecraft, de propriedade da Microsoft e que tem mais de 140 milhões de jogadores ativos.

“É fácil depois do fato dizer que eu gostaria que tivéssemos feito isso (criado um produto como Minecraft), mas você tem que se esforçar e ter a ambição em um certo nível antes de poder aspirar a certas coisas”, afirmou Christiansen.

Ainda que não tenha revelado o valor que a Lego está investindo em sua frente digital, o executivo afirmou que o tamanho dos investimentos é o equivalente a dizer que a “queremos criar um Minecraft”.

Por ora, a Lego tem apenas um grande projeto anunciado para explorar o mundo dos games. Trata-se de uma parceria com a Epic, desenvolvedora do Fortnite, outro fenômeno virtual que chegou a ter mais de 350 milhões de jogadores ativos. Nos próximos 12 meses, as companhias devem lançar um metaverso da Lego.

Segundo Christiansen, três quartos das crianças querem “sair digitalmente”, mas há receio dos pais sobre a segurança das plataformas virtuais. “Hoje, nenhuma dessas plataformas para as quais as crianças vão são verdadeiramente seguras digitalmente”, disse Christiansen.

Por trás da iniciativa está a ideia de proporcionar uma ligação entre os produtos digitais e os tijolos que ganharam o mundo nas últimas décadas.“Precisamos proporcionar a eles experiências boas e seguras e fazer conexões também com nossos produtos físicos”, disse Christiansen.

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