O crescimento nas vendas das lojas físicas e a proteção da rentabilidade marcaram o resultado da varejista Magazine Luiza nos primeiros três meses do ano, em um período desafiador, marcado principalmente pelo impacto da alta dos juros.

No período, a receita vinda das vendas nas unidades físicas alcançou R$ 5,2 bilhões, um crescimento de 6,9% sobre a mesma base do ano anterior. Quando comparado o resultado das mesmas lojas, a alta no trimestre foi de 6,4%.

Por outro lado, o e-commerce registrou queda de 11% sobre o registrado de janeiro a março de 2025. A receita do online no Magalu foi de R$ 10 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para o 1P (marcado pelo estoque próprio) e R$ 4 bilhões do 3P (essencialmente o marketplace).

A força da venda física também teve reflexo nas vendas pelos canais digitais, já que 70% de todos os produtos que passam pelas lojas são originados online.

No consolidado, a receita líquida da empresa no trimestre foi de R$ 9,2 bilhões, queda de 2% sobre o resultado do primeiro trimestre de 2026. O Ebitda ajustado alcançou R$ 717,6 milhões, redução de 5,4%. A margem Ebitda foi de 7,8%, 0,3 ponto a menos.

A queda no marketplace teve relação direta com a forte concorrência de players como Mercado Livre e Shopee, que passaram a adotar práticas de frete grátis para tíquete baixo, o que afeta diretamente a rentabilidade. Para proteger o caixa, a companhia não entrou nesta guerra.

No caso do canal 1P, o resultado foi afetado pelo aumento global dos custos dos chips de memória, impactando o preço de smartphones e televisores. Com isso, a companhia precisou repassar parte desta elevação aos preços.

Mas como esse custo afetou todo o mercado, principalmente nos produtos core da empresa, o market share no período foi preservado. Na prática, este impacto no preço dos chips foi ruim para todo o varejo.

Ainda que com este impacto, a companhia conseguiu avançar na rentabilidade. A margem bruta reportada no primeiro trimestre foi de 30,8%, um aumento de 0,2 ponto percentual sobre o resultado do mesmo período do ano anterior.

No entanto, o forte impacto das despesas financeiras, a partir do alto patamar da taxa Selic, hoje em 14,50% ao ano, afetou a última linha do balanço. O Magalu fechou o trimestre com prejuízo de R$ 33,9 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 12,8 milhões do primeiro trimestre de 2025.

No trimestre, as despesas financeiras totalizaram R$ 568,7 milhões, o equivalente a 6,2% da receita líquida. Em relação ao mesmo período de 2025, as despesas da companhia registraram alta de 16,5%.

O principal fator que explica essa evolução foi a alta nos juros. No primeiro trimestre de 2025, a Selic estava em 12,25% ao ano, contra 15% no primeiro trimestre, um aumento médio de 14%. Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu em 0,25 ponto percentual e seguiu no mesmo patamar em maio.

A perspectiva da companhia é que, com a tendência de seguir o ciclo de queda, este volume de despesas atreladas ao CDI, e impactadas diretamente pelos juros, registre queda já no próximo trimestre.

Outros negócios

O MagaluPay atingiu R$ 25,3 bilhões no volume total de transações processadas (TPV). A base de cartões de crédito chegou a 5,6 milhões. Na LuizaCred, o faturamento dos cartões cresceu 2%, atingindo 14,7% no trimestre. O lucro líquido da unidade de crédito foi de R$ 75,1 milhões.

As quatro empresas do grupo – Netshoes, Kabum!, Época Cosméticos e Estante Virtual – registraram crescimento no trimestre. No período, a empresa de jogos eletrônicos e computadores entregou um lucro líquido de R$ 17 milhões, com crescimento de 8% em hardware e 20% em videogames.

A loja de produtos esportivos foi a melhor empresa do grupo no período, com crescimento de 12% no trimestre na categoria 1P e lucro líquido de R$ 17 milhões.

A empresa tem sido beneficiada pelo efeito da procura por produtos ligados a bem-estar e corrida, principalmente pelo efeito da mudança de comportamento a partir do aumento do uso de canetas emagrecedoras.

A Época Cosméticos, empresa de cosméticos, apresentou crescimento de 12% nas vendas do marketplace. A loja de venda de livros também cresceu.

Na prática, essas empresas do grupo foram mais preservadas e menos impactadas pelo cenário macroeconômico desafiador no período. Além disso, este resultado segue a tendência implementada pelo CEO Frederico Trajano de tirar o peso maior do Magalu no resultado do grupo e funcionar como um grande ecossistema de vendas, seja no físico ou no digital.

A expectativa agora da empresa, em relação ao terceiro trimestre, é recuperar parte das vendas a partir da proximidade com a Copa do Mundo, que será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho na América do Norte.

No canal de WhatsApp da assistente virtual Lu, que seguiu com a métrica de conversão de vendas três vezes acima do que o registrado no aplicativo oficial, o produto mais vendido no mês passado foi justamente o álbum de figurinhas da Copa.

Na Galeria Magalu, loja conceito com espaço para todas as marcas do grupo, inaugurada em dezembro e instalada no Conjunto Nacional, em São Paulo, a bola de futebol figurou entre os produtos mais vendidos pela Netshoes.

No acumulado de 2026, as ações MGLU3 registram queda de 10% na B3. O valor de mercado do Magazine Luiza é de R$ 6,2 bilhões.