O Santander elevou a recomendação para as ações ordinárias da Petrobras de neutro para compra e o preço-alvo de R$ 35 para R$ 60, diante das boas perspectivas operacionais e dos potenciais ganhos que os acionistas devem ter, ao abrir caminho para dividendos extraordinários.

Os analistas Yuri Pereira, Eduardo Muniz e Nicole Alonso afirmam que o nível atual da cotação (as ações fecharam o pregão de quarta-feira, 20 de maio, a R$ 49,68) não reflete a combinação de crescimento previsto na produção de petróleo e gás, redução dos riscos na parte de refino e indícios de que a companhia apresentará bons níveis de retorno de caixa.

“Para nós, resultados mais robustos na área de exploração e produção – apoiados por uma aceleração mais rápida das FPSOs, pela possibilidade de revisões positivas nas projeções de produção e pelos altos preços do petróleo – deverão mais do que compensar a expectativa de menor rentabilidade da gasolina, enquanto os subsídios governamentais ajudarão a limitar as perdas no refino, principalmente no diesel”, diz trecho do relatório.

Os analistas do Santander veem um potencial upside nos números da área de exploração e produção da Petrobras, acima do projetado pela empresa, considerando o forte desempenho no primeiro trimestre, quando foram registrados 2,6 milhões de barris por dia, e os 2,7 milhões de barris por dia apurados em abril.

Segundo eles, isso sugere que a produção de 2026 provavelmente ficará mais próxima do limite superior da projeção da administração de 2,5 milhões de barris por dia, na casa dos 2,6 milhões de barris diários, um aumento de 9% em relação ao ano anterior.

O aumento da produção ocorreria em um momento em que os preços do barril de petróleo estão em alta por conta da guerra contra o Irã. Os analistas consideram que o preço do petróleo do tipo Brent deve fechar o ano em torno de US$ 88 o barril, acima dos US$ 65 projetados anteriormente. Para o próximo ano, a cotação foi elevada em 14%, para US$ 80.

Esse cenário faria a Petrobras registrar uma receita de US$ 88,4 bilhões com a área de exploração e produção, um valor 48% maior do que o esperado inicialmente.

Pelo lado do refino, os analistas do Santander calculam que o subsídio de aproximadamente R$ 1,12 por litro do governo ao diesel deve ajudar a compensar o fraco desempenho da gasolina e de outros produtos, permitindo à Petrobras apresentar resultados praticamente estáveis no segmento de downstream em 2026.

“Esperamos que os resultados mais fortes em exploração e produção e o desempenho neutro em relação ao ano anterior no setor de refino em 2026 mais do que compensem os riscos de despesas de capital e fusões e aquisições potencialmente maiores do que o esperado”, diz trecho do relatório.

Sobre essa questão das despesas de capital, os analistas do Santander citam que a companhia vem sinalizando maior interesse pelo mercado de etanol, tema incluído em recentes planos de negócios. Eles destacaram ainda que a companhia pode acabar envolvida em uma eventual reestruturação financeira da Braskem, algo que ainda não está claro.

O resultado dessa combinação de fatores é um rendimento ajustado do fluxo de caixa livre para o acionista perto de 12% e um dividend yield de 9,5% neste ano, além de abrir caminho para dividendos extraordinários.

“Em nossa opinião, as discussões sobre dividendos extraordinários poderão ressurgir no próximo Plano 2027-31, em meio a uma perspectiva mais favorável para o preço do petróleo”, diz trecho do relatório. “Estimamos espaço para até cerca de US$ 2 bilhões em dividendos extraordinários em 2027.”

Por volta das 16h03, as ações ordinárias da Petrobras subiam 0,72%, a R$ 50,04. No ano, os papéis acumulam alta de 55%, levando o valor de mercado a R$ 613,7 bilhões.