Uma dança nas cadeiras envolvendo dois grandes players do mercado financeiro – e, por consequência, dois executivos de peso desse setor no País - veio à tona na noite desta quinta-feira, 19 de março.

Um dos principais bancos privados no mercado brasileiro, o Santander anunciou que Mario Leão, presidente da operação no Brasil, está deixando o cargo. E que o escolhido para ser o seu substituto será Gilson Finkelsztain, que, atualmente, ocupa o posto de presidente da B3.

De acordo com o Santander, a decisão de Leão deixar a operação foi comunicada aos órgãos de governança corporativa do banco no início deste ano, o que permitiu uma sucessão ordenada. E cuja passagem de bastão deve ser concluída até o fim de julho.

Até lá, Leão seguirá comandando o banco e terá participação direta nesse processo de transição. Finkelsztain, por sua vez, também continuará à frente da B3 nesse período, em decisão tomada de comum acordo entre o conselho executivo da operação e o executivo.

Em fato relevante no qual comunicou o fim do ciclo de Finkelsztain, a B3 ressaltou que informará oportunamente ao mercado o nome do seu sucessor, uma vez que esse processo de transição no comando seja concluído.

A nomeação de Finkelsztain marca o seu retorno ao Santander, onde trabalhou entre 2011 e 2013. Mais recentemente, em setembro de 2025, ele chegou a ensaiar uma volta à velha casa, quando foi indicado para integrar o board do banco, o que, três meses depois, acabou não se concretizando.

“Volto ao Santander Brasil muito feliz para assumir a liderança do banco neste momento”, disse, em nota, Finkelsztain. “O Brasil é um mercado de grandes oportunidades e estou entusiasmado com o potencial que podemos construir nos próximos anos.”

Presidente executiva do Santander, Ana Botín também falou sobre esse retorno. “Estamos contentes em receber Gilson de volta ao Santander. Sua experiência e reconhecimento no setor financeiro brasileiro o tornam bem qualificado para liderar a próxima fase de crescimento neste mercado tão relevante”.

Ao mesmo tempo, Botín ressaltou o papel relevante de Leão, que ingressou no banco em 2015 e comandava a operação local desde janeiro de 2022, na transformação do banco espanhol e no fortalecimento do seu posicionamento no Brasil.

À frente da operação, após alguns trimestres desafiadores, Leão vinha comandando uma recuperação gradual dos indicadores do banco. E que, apesar de ainda não entregar todas as suas metas, ganhou mais força nos resultados do ano passado.

Entre outros dados do período, o Santander reportou um lucro líquido gerencial de R$ 4,08 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 6% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e o maior número trimestral reportado pelo banco nessa linha do balanço em quatro anos.

“Estou muito feliz com o ciclo que vivi aqui, com tudo o que evoluímos e conquistamos, e com o que virá pela frente. Desejo muito sucesso ao Gilson e tenho certeza que ele fará um excelente trabalho à frente do Banco, dando continuidade ao que construímos ao longo dos anos”, afirmou Leão.

Uma fonte que conhece o banco disse que esse movimento já era “altamente esperado”. “O nome do Gilson já vinha sendo comentado desde quando ele foi indicado ao conselho e depois não pôde entrar”, diz essa fonte.

Somado a isso, Mário Leão vinha perdendo força com os espanhóis. De um lado, por conta da situação do Brasil. Do outro, porque o Santander vem buscando se posicionar como um banco focado em moeda forte.

Recentemente, nesse contexto, o Santander comprou o banco britânico TSB, do Banco Sabadell, por £ 2,65 bilhões (cerca de € 3,1 bilhões de euros), além do banco americano Webster Bank, em uma transação de US$ 12,2 bilhões.

“Eles estão centralizando cada vez mais as decisões na Espanha e isso ficou claro no último Investor Day quando disseram que pretendem deixar de ser um grupo de bancos para ser um grupo bancário”, diz outro profissional do mercado financeiro. “O Brasil vem sendo diluído no grau de importância dentro da estrutura.”

Nesse cenário complexo, além do próprio Santander, Finkelsztain traz outras credenciais em seu retorno ao banco. Entre elas, as passagens por instituições como J.P. Morgan e Citibank. Assim como seu trabalho à frente da B3, operação que liderava desde maio de 2017.

Desde então, entre outros pontos, o executivo comandou uma estratégia de diversificação dos negócios da B3, o que ajudou a companhia a atravessar os momentos mais desafiadores em sua principal fonte de receitas.

Essa estratégia de reduzir a dependência dos volumes negociados na bolsa de valores incluiu, por exemplo, as aquisições da Neurotech e da Neoway, e uma forte aposta em negócios ligados a tecnologia e dados.

As ações da B3 encerraram o pregão de hoje com queda de 1,17%, cotadas a R$ 16,92. Em 2026, os papéis da empresa, avaliada em R$ 84,8 bilhões, registram alta de 21,8%.

Já as units do Santander fecharam o dia de negociações com alta de 1,15%, a R$ 29,99. No ano, porém, a desvalorização acumulada está em 11,9%. O banco está avaliado em R$ 141,5 bilhões.