Após meses de especulação, a SpaceX tornou públicos os dados de suas operações no prospecto preliminar de seu IPO, que promete ser o maior da história da humanidade.

O documento não traz os valores pretendidos pela companhia, mas o The Wall Street Journal (WSJ) afirma que a fabricante de foguetes comandada por Elon Musk pretende levantar US$ 80 bilhões ou mais, a um valuation de US$ 1,5 trilhão.

Caso esses valores sejam confirmados, a operação superaria de longe a da Saudi Aramco, que levantou US$ 26 bilhões quando abriu seu capital em 2019. Para realizar o IPO, a SpaceX conta com uma "constelação" de bancos – o sindicato tem 23 instituições, lideradas pelo Goldman Sachs e com a participação do BTG Pactual.

Apesar de ainda não revelar o tamanho do IPO, o prospecto dá transparência ao momento atual da empresa e a seus planos de longo prazo, com números superlativos e pretensões que não se limitam ao Planeta Terra, mostrando o quanto tudo girará em torno de Musk.

A SpaceX escreve no documento que tem como missão “construir os sistemas e tecnologias necessários para tornar a vida multiplanetária, compreender a verdadeira natureza do universo e estender a luz da consciência às estrelas”.

Para isso, continua a empresa, criou “o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso da Terra (e do espaço), com capacidades incomparáveis para fabricar e lançar rapidamente comunicações espaciais que conectam o mundo, aproveitar a energia solar para alimentar uma inteligência artificial em busca da verdade que impulsiona a descoberta científica e, por fim, construir uma base na Lua e cidades em outros planetas”.

Fundada em 2002, a SpaceX conta com duas áreas de negócios. A primeira é a de espaço, que opera os foguetes reutilizáveis, tendo feito desde 2023 cerca de 650 lançamentos. A segunda área é chamada de conectividade e opera a rede de telecomunicações Starlink, que possui mais de 9,6 mil satélites em órbita baixa da Terra e 10,3 milhões de assinantes em 164 países.

No ano passado, a SpaceX registrou um prejuízo de US$ 4,9 bilhões, revertendo o lucro de US$ 791 milhões apurado em 2024. A receita da companhia, na mesma base de comparação, cresceu 33%, para US$ 18,6 bilhões.

Boa parte do prejuízo está relacionada ao novo segmento que a SpaceX está desenvolvendo: inteligência artificial (IA), após a absorção da xAI neste ano.

Nos estágios iniciais, a unidade registrou uma perda operacional de US$ 6,3 bilhões, diante do tamanho dos investimentos necessários para desenvolver e escalar a tecnologia. A expectativa é de que a área pese por um bom tempo nos resultados da SpaceX.

“Nosso negócio de IA está em um estágio relativamente inicial, sendo integrado à nossa organização. Sua estratégia de negócios ainda está em desenvolvimento e exigirá investimentos significativos para financiar computação, infraestrutura e geração de energia, treinamento de modelos e desenvolvimento de produtos”, diz trecho do prospecto.

A SpaceX vê um mercado endereçável da ordem de US$ 28,5 trilhões, o maior já visto na história da humanidade. A IA responde pela maior parte do valor, com um mercado avaliado em US$ 26,5 trilhões, considerando infraestrutura e assinatura de serviços. Em seguida aparece a parte de conectividade, com US$ 1,6 trilhão, e espaço, com US$ 370 bilhões.

O prospecto mostra ainda que Musk será o CEO, CTO e presidente do conselho de administração da SpaceX. O IPO prevê uma estrutura dual class, com amplos poderes às ações Classe B, a maioria ficando nas mãos do empresário, moldando a composição do conselho.

“Como resultado, o Sr. Musk terá o poder de controlar o resultado de assuntos que exigem aprovação dos acionistas, incluindo a eleição de todos os nossos diretores, e de controlar nossos negócios e assuntos”, diz trecho do prospecto.

A situação, inclusive, é apontada como fator de risco. A SpaceX admite que é “altamente dependente da continuidade dos serviços do Sr. Musk”, não tendo um seguro de vida para ele.

Além disso, apesar de todos os cargos que possui na SpaceX, ele não dedica “todo o seu tempo e atenção aos nossos negócios”, com a companhia destacando que Musk atualmente atua como “technoking” (título que criou para si em 2021) e CEO da Tesla, além de estar envolvido em outros empreendimentos, como a Neuralink, empresa de neurotecnologia, e a The Boring Company, que tem por objetivo construir redes de túneis subterrâneos de baixo custo e alta velocidade.

“Qualquer perda ou redução de seu envolvimento em nossos negócios poderá resultar em um impacto adverso significativo em nossos negócios, situação financeira, resultados operacionais e perspectivas futuras”, diz trecho do prospecto.