Em meio à expectativa pelo IPO da SpaceX de Elon Musk, a fabricante americana de peças aeroespaciais e de defesa Arxis estreou na Nasdaq na quinta-feira, 16 de abril. E a valorização de 38,4% das ações mostra o apetite dos investidores pelo setor.

A empresa, sediada em Connecticut, vendeu 40,5 milhões de ações em uma oferta pública inicial ampliada, após precificar as ações a US$ 28 cada, arrecadando US$ 1,13 bilhão. No fechamento do pregão, os papéis da Arxis estavam cotados em US$ 38,75 - o papel subia mais 1,95% no after market até às 17h05 no horário local.

O IPO avaliou a Arxis em mais de US$ 11 bilhões, com base nas ações em circulação listadas em seus registros. Especialistas enxergam que o sucesso da oferta sinaliza que o mercado de IPOs permanece aberto a setores selecionados, apesar da volatilidade do mercado, e que empresas com lucros significativos ainda podem abrir capital.

O início da negociação de ações da empresa liderada por Kevin Perhamus ocorre justamente em um momento em que os fornecedores ligados ao setor aeroespacial têm recorrido cada vez mais aos mercados de ações para financiar a expansão e atender à crescente demanda de clientes de aviação comercial e de defesa.

Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, remodelaram a demanda por equipamentos do setor, à medida que os países aumentam os gastos militares, levando os investidores a optar por empresas consideradas mais bem posicionadas para suportar o impacto desses conflitos.

“As guerras no Oriente Médio e na Ucrânia criaram condições favoráveis ​​estruturais para o setor aeroespacial e de defesa, com maiores gastos em defesa e maior visibilidade nas aquisições”, diz Troy Hooper, cochefe de mercados de capitais da Mergermarket, à Reuters.

Além disso, a rápida adoção de drones e tecnologias autônomas pelo mercado de defesa está transformando o modelo das guerras atuais e criando uma classe de fornecedores, hoje em franco crescimento.

A Arxis fabrica componentes eletrônicos e mecânicos, incluindo vedações e juntas, para os mercados aeroespacial e de defesa, tecnologia médica e indústrias especializadas.

Seus produtos incluem conectores, conjuntos de cabos, componentes, sensores e peças mecânicas de precisão, como rolamentos e vedações.

“A Arxis não será um caso isolado. O mercado de IPOs de empresas de defesa e aeroespacial está em expansão. O capital privado continua a fluir para startups de defesa, aumentando a probabilidade de elas abrirem capital posteriormente”, afirma Hooper.

Sob a gestão da empresa de private equity Arcline, a Arxis expandiu-se por meio de mais de 30 aquisições desde 2019, incluindo a compra da concorrente Kaman por US$ 1,8 bilhão, em 2024.

A companhia tem se beneficiado do aumento dos gastos globais com defesa, justamente neste período em que os países priorizam programas de modernização e investem em tecnologias avançadas para combater ameaças de possíveis ataques.

Além da Arxis, a fabricante de drones Aevex e a empresa de componentes de precisão Elmet também têm pedidos recentes de IPO nos Estados Unidos. O movimento mostra que investidores estão cada vez mais dispostos a apostar em companhias do setor que possam gerar múltiplos mais altos.

Fundos e contas geridos pela Capital International Investors, Capital Research Global Investors, Janus Henderson Investors e T. Rowe Price Investment Management chegaram a manifestar interesse em adquirir até US$ 400 milhões em ações da oferta da Arxis.

Goldman Sachs, Morgan Stanley e Jefferies foram os coordenadores da oferta pública inicial da Arxis. A empresa passou a operar na Nasdaq com o ticker ARXS.

À espera de Musk

Enquanto planeja os últimos detalhes da abertura de capital, a SpaceX vem registrando aumento expressivo no número de usuários globais e de downloads do aplicativo do Starlink nos primeiros meses de 2026.

Especialistas enxergam que a unidade de serviço de internet via satélite será o principal impulsionador da avaliação da empresa de Elon Musk, hoje estimada em cerca de US$ 1,75 trilhão. A divisão da empresa gerou uma receita de US$ 11,4 bilhões em 2025.

O Brasil vem liderando o ritmo de crescimento da companhia, com o aumento de cinco vezes no número de usuários ativos mensais, em relação ao mesmo período do ano anterior. O país já representa 13% da base global de usuários, um aumento expressivo em relação ao percentual de menos de 5%, registrado há um ano.

A Argentina teve alta de 159% no volume de usuários. Somados, brasileiros e argentinos somam mais de 20% do quadro de clientes ativos da área de internet da SpaceX. Logo depois vem os Estados Unidos.

Na visão de analistas, o crescimento contínuo do número de assinantes será fundamental, com investidores do mercado de ações de olho em futuras oportunidades de expansão. Entre elas, os planos da SpaceX de desenvolver data centers orbitais como a próxima fase de crescimento de seus negócios.