Junho tem 30 dias corridos e vai parecer pequeno para a quantidade de eventos que irá comportar e que deverão mobilizar políticos, magistrados, empresários, economistas e torcedores pelo “hexa” dispostos a celebrar os seus santos. Junho também será antessala das eleições.
Entre julho e agosto, as convenções partidárias vão escolher os candidatos que enfrentarão as urnas em outubro. Manifestações à esquerda e à direita dos pré-candidatos e apoiadores estarão em destaque.
Nesse sentido, evento que agita Lisboa com repercussão no Brasil, o XIV Fórum de Lisboa – conhecido como “Gilmarpalooza”, abre a agenda na segunda-feira, 1º de junho, apesar do desgaste do Judiciário por acontecimentos recentes envolvendo a Suprema Corte e/ou ministros. Organizam o fórum, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, o Lisbon Public Law Research Center da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e o FGV Justiça.
Capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o “Gilmarpalooza” será encerrado no dia 3 e deverá discutir a “Nova ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”. No palco ou no bastidor, eleições no Brasil estarão na ordem do dia.
Esse evento não é trivial. Em 2025, contou com três mil participantes. Neste ano, o quórum será menor, mas ainda estimado na casa dos milhares e já tem confirmada a presença dos ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes, integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ex-presidentes do Brasil, Colômbia e Cabo Verde, ao menos três ministros do governo Lula, governadores, o presidente da Câmara Hugo Motta, duas dúzias de parlamentares e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo.
Corpus Christi, na quinta, 4, será o quarto feriado nacional do ano a patrocinar um fim de semana prolongado por estar colado ao ponto facultativo da sexta, 5. E o estirão no calendário poderá ser o “esquenta” para varejo e serviços num mês propício ao consumo – nem só de cerveja – no embalo da Copa do Mundo.
Apesar da expectativa infindável de contenção do crédito, o brasileiro mantém sua intenção de consumo. E o início da Copa na quinta-feira, 11 de junho, turbina essa disposição. Afinal, o torneio será marcado pelo ineditismo ao ser disputado em três países: EUA, México e Canadá.
O Brasil entra em campo contra o Marrocos no sábado, 13. Data coincidente à romaria puxada por Santo Antônio que abre alas para São João na quarta-feira, 24, e São Pedro na segunda, 29, encerrando as Festas Juninas que sacodem o Norte e o Nordeste. E esvaziam o Congresso com a volta de parlamentares às suas bases para as celebrações. E, neste ano, angariar votos para outubro.
Consumo e inflação
Deve animar o consumo, o avanço do programa Desenrola 2 já em curso para inadimplentes e a expectativa com o “Desenrola 3” dedicado aos adimplentes que pagam juros muito altos e deverá focar dívidas de Crédito Direto ao Consumidor sem garantia, adiantou o ministro da Fazenda Dario Durigan ao Valor Econômico.
A troca de crédito mais caro por mais barato é impulso à demanda – alavanca para crescimento e inflação que, este ano, deve estourar o teto da meta, 4,5%. IPCA de 5% está no “preço” dos ativos e na cabeça do BC que, em 17 de junho, definirá a próxima Selic.
A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelou, em maio, expansão pelo sétimo mês seguido e para o maior nível em onze anos. A alta de 1,6% no mês levou o indicador a 106,6 pontos – melhor pontuação desde 2015.
A sondagem tem sete componentes (Emprego Atual, Renda Atual, Nível de Consumo Atual, Perspectiva Profissional, Perspectiva de Consumo, Acesso ao Crédito e Momento para Bens Duráveis). Todos subiram em maio pela primeira vez no ano. E foram liderados pela confiança no emprego atual e na renda com variações positivas mensais de, respectivamente, 2% e 1,8%.
Desempenho revelador sobre o ímpeto dos brasileiros ao consumo vem do “Momento para a compra de Duráveis”. Em base interanual, essa rubrica declinou persistentemente até outubro passado e não só inverteu o sinal como disparou a 18,8% em abril e a 18,5% em maio. Para indicar a relevância desse dado, em dezembro de 2025, o “Momento para a compra de Duráveis” registrou expansão em base interanual de 2,5%.
Esse indicador cravou variações negativas coincidentes com o ciclo de alta da Selic iniciado em setembro de 2024. Em junho de 2025, há um ano, portanto, a Selic chegou a 15%, onde permaneceu até março de 2026 para, em duas reuniões consecutivas do Copom, declinar 0,5 ponto percentual no total. A Selic está em 14,5%.
A CNC alerta que o salto do “Momento para a compra de Duráveis” sugere melhora nas expectativas das famílias – e intenção de consumo – num contexto de menor percepção inflacionária sobre esses bens. Em abril, cita a CNC, o nível de preços dos Duráveis subiu 0,45%, abaixo de 0,67% do IPCA geral. Em 12 meses, a diferença é mais evidente, com variações de, respectivamente, 0,68% e 4,39% do índice geral.
A informação confirma a relevância da inflação para a população. Quanto mais a inflação cair (e quando cair) maior será o efeito para o consumo também sensível (e muito) à queda do juro. Mas também favorece o consumidor a expansão do dinheiro disponível que vai se avolumando.
A Caixa antecipou para a segunda-feira, 25 de maio, o pagamento de R$ 8,5 bilhões para trabalhadores que optaram por saque-aniversário do FGTS. O INSS dará sequência, até 8 de junho, à antecipação do 13º de aposentados e pensionistas. A primeira parcela foi depositada entre 24 de abril e 8 de maio. No total, os beneficiários receberão R$ 78,2 bilhões. Metade, portanto, já circula flertando com as vitrines.