Segunda maior montadora de automóveis do mundo, a alemã Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas no país, acelerando de forma expressiva seus planos de redução de custos, enquanto a empresa busca caminhos para sobreviver ao rápido avanço das rivais chinesas, especialmente a BYD.

A companhia já havia apresentado um plano para cortar 50 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2030. Segundo a Volks, isso significa um volume de redução de capacidade de produção de 500 mil automóveis em seu país-sede.

Segundo informações do Financial Times, este plano mais recente, de dobrar o volume de demissões, foi confirmado por uma fonte a par do assunto, também com base na apuração da revista alemã *Manager Magazin*. As fábricas fechadas serão em Hanover, Zwickau, Emden e na unidade da Audi em Neckarsulm.

As medidas de reestruturação surgem um dia após o anúncio da venda de 51% de sua unidade de motores marítimos, a Everllence, à empresa americana de private equity Bain, por US$ 8,4 bilhões.

Com mais de 16 mil funcionários, a Everllence fabrica grandes motores usados para operar navios e usinas de energia. Ela também desenvolve bombas de calor de grande escala que podem ajudar cidades e instalações industriais a descarbonizar seu fornecimento de calor.

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, tem procurado simplificar o extenso grupo, que detém marcas como Porsche, Audi e Lamborghini, para se concentrar em seu principal negócio automotivo. O objetivo é vender mais ativos para conseguir levantar capital.

Os fabricantes europeus foram duramente atingidos pela rápida entrada de montadoras chinesas, que representaram quase um em cada dez veículos novos vendidos na região nos primeiros cinco meses do ano, de acordo com a associação europeia da indústria automobilística.

“Nunca a situação de risco foi tão alta, e continua a aumentar”, disse Blume, na semana passada, durante a assembleia geral anual da companhia.

A Volks, que não quis dar detalhes sobre os novos planos, deve apresentar as medidas ao conselho da empresa no dia 9 de julho. “As questões subjacentes são discutidas e aprovadas pelos órgãos governamentais competentes. Não vamos nos antecipar a esse processo”, afirmou a VW.

O plano ainda inclui, segundo o *FT*, a redução do volume de investimentos planejados em cerca de 15% para os próximos cinco anos, para cerca de US$ 148 bilhões.

Blume tem enfrentado pressão para reerguer a Volkswagen, que enfrenta tarifas, uma transição turbulenta para veículos elétricos e a crescente concorrência das montadoras do país asiático.

As principais fabricantes têm perdido terreno progressivamente para os veículos elétricos produzidos na China. De acordo com a consultoria AlixPartners, a participação de mercado das montadoras não chinesas caiu para 32% em 2025, ante 57% em 2020.

Após ter sido a principal fabricante de automóveis da China durante anos, a Volkswagen foi ultrapassada pela BYD em 2024, caindo para o segundo lugar e depois para o terceiro lugar em 2025.

O conselho de fábrica da Volkswagen e o sindicato alemão IG Metall prometeram resistir a quaisquer medidas desse tipo. “Caso esses planos sigam adiante, faremos tudo ao nosso alcance para impedi-los”, afirmaram em declaração conjunta nesta sexta-feira, 26 de junho.

A Porsche SE, veículo de investimento das famílias Porsche e Piech e maior acionista da Volkswagen, também não quis comentar.

No balanço financeiro de 2025, a força de trabalho global do grupo era de 667.164 pessoas, com quase 43% de funcionários na Alemanha, o que corresponde a quase 290 mil trabalhadores.

Nesta sexta-feira, 26 de junho, as ações da Volkswagen registravam queda de 1,34% às 14h15 (horário local) na Bolsa de Frankfurt. No acumulado do ano, a desvalorização é de 27,8%. A montadora tem valor de mercado de € 42 bilhões.