A inteligência artificial vai dominar mais uma temporada de resultados nas bolsas americanas. Essa é a expectativa do Goldman Sachs, que projeta aumento de 22% no lucro por ação agregado do S&P 500 no segundo trimestre de 2026. Nesse crescimento, o banco estima que as empresas de infraestrutura de IA serão responsáveis por quase 60% da expansão de lucros.

A concentração é marcante. Só duas empresas, Nvidia e Micron Technology, devem responder por cerca de 40% do crescimento total, embora representem apenas 8% e 1% do índice, respectivamente.

Embaladas pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial, as duas companhias vêm de resultados históricos. No último trimestre, a Nvidia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões, alta de 85% em relação ao mesmo período de 2025. Já a Micron triplicou a receita na comparação anual, para US$ 23,86 bilhões, batendo recordes em todas as métricas — receita, margem, lucro por ação e fluxo de caixa livre.

A inteligência artificial é justamente o que tem mantido a confiança do banco com o desempenho das bolsas americanas. Em relatório, o Goldman revisou para cima sua projeção de lucros do S&P 500 para uma alta de 24% sobre o ano anterior — e elevou o seu target para o índice no fim do ano de 7.600 para 8.000 pontos.

A revisão ocorreu após a temporada de resultados do primeiro trimestre ter levado o mercado a elevar as estimativas de capex das grandes empresas de tecnologia — Amazon, Google, Meta, Microsoft e Oracle — para US$ 754 bilhões em 2026, valor 83% superior ao do ano passado, com projeção de chegar a US$ 905 bilhões em 2027.

Para o Goldman, há ainda espaço para surpresas, uma vez que, nos últimos três anos, as estimativas de mercado sistematicamente subestimaram o apetite de investimento dessas empresas. “As carteiras de pedidos dos hyperscalers apontam para um desequilíbrio contínuo entre oferta e demanda.”

Por outro lado, o próprio Goldman alertou recentemente que a mesma onda de investimentos que está elevando os lucros do S&P 500 também começa a corroer os retornos financeiros das maiores empresas de tecnologia.

Na visão do banco, a sustentabilidade desse ciclo de lucros vai depender, cada vez mais, da capacidade dos hyperscalers de transformar o investimento em retorno concreto, de forma que justifiquem o gasto com aplicações de IA.

Por ora, segundo o Goldman, a adoção corporativa ainda está em estágio inicial. O banco projeta uma contribuição de apenas 0,4 ponto percentual ao crescimento do EPS do S&P 500 vindo de ganhos de produtividade com IA em 2026 — número que deve subir para 1,5 ponto em 2027.