Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, planeja retomar o comando da entidade global após uma investigação interna que, segundo ele, o inocentou de irregularidades.

No entanto, documentos obtidos pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ) indicam que o Fórum manteve em sigilo os resultados da apuração, alimentando dúvidas sobre a transparência e a governança da instituição.

Segundo o jornal americano, Schwab, de 88 anos, enviou cartas aos membros do conselho do Fórum com uma série de exigências, ameaças de processos e um pedido para assumir um cargo de consultor que lhe daria poder de decisão sobre a nomeação da futura liderança da entidade.

As exigências foram feitas após o Fórum divulgar, no ano passado, uma nota sugerindo que a investigação eximiu Schwab de qualquer má conduta, dizendo que não foram encontradas "irregularidades materiais".

Ele foi acusado por um denunciante anônimo de uso indevido de recursos da instituição para fins pessoais, má gestão e criação de um ambiente de trabalho hostil. Schwab negou as acusações, mas acabou renunciando à presidência do conselho do Fórum em abril do ano passado.

O WSJ afirma, porém, que documentos internos produzidos pelos advogados responsáveis pela investigação apontam para outro cenário, com casos de discriminação e assédio moral, uso indevido de fundos corporativos e violações da integridade de dados.

Com base em informações de fontes, a reportagem sustenta ainda que Schwab solicitou que algumas das conclusões mais relevantes não fossem tornadas públicas, decisão que foi alvo da discordância de alguns membros do conselho.

Em um dos trechos reproduzidos pela reportagem, a investigação identificou "múltiplos casos de assédio moral sistêmico, trauma psicológico e discriminação orquestrados por Klaus Schwab (e, em alguns casos, por sua esposa, Hilde). Isso inclui: discriminação relacionada à gravidez, discriminação por idade, humilhação pública e comentários e mensagens inapropriados no ambiente de trabalho".

A declaração pública dizia que, "em certos casos, alguns funcionários do Fórum expressaram a opinião de que não foram tratados de forma satisfatória." A nota afirmava que o conselho expressou profundo pesar com a situação, mas não oferecia detalhes específicos.

No caso dos gastos, a investigação revelou que os Schwab utilizaram o Fórum para "subsidiar seu estilo de vida luxuoso, incluindo viagens particulares de luxo não reembolsadas; uso indevido de fundos corporativos e contas privadas; e uso de veículos corporativos para férias e tarefas pessoais".

Na nota apresentada ao público, o Fórum afirmou que "não há evidências de irregularidades materiais por parte de Klaus Schwab". O relatório classificou a sobreposição de gastos como "irregularidades menores", que "refletem um profundo comprometimento, e não a intenção de má conduta".

O conselho do Fórum, atualmente copresidido pelo CEO da BlackRock, Larry Fink, e pelo vice-presidente da Roche, André Hoffmann, tem reunião marcada para meados de agosto e deverá analisar a situação.

Criado em 1971, o Fórum Econômico Mundial ganhou destaque como um espaço anual em Davos, na Suíça, onde líderes governamentais, representantes do setor privado e de organizações internacionais se reúnem para debater temas econômicos, sociais e políticos globais.

Sob a liderança de Schwab, o evento se consolidou como referência para a articulação de agendas multilaterais e parcerias público-privadas, influenciando decisões estratégicas em diversas frentes.