Após desistir da compra de uma participação do Pátio Malzoni, edifício ícone da Faria Lima onde está a sede do BTG Pactual e do Google, a gestora TRX pode estar perdendo outro negócio bilionário: o deal de R$ 2,1 bilhões com a Cyrela.
As duas partes assinaram, no começo de agosto, um memorando de entendimento não vinculante para uma possível venda de um portfólio de ativos imobiliários avaliado em cerca de R$ 2,14 bilhões, em um negócio que envolvia dinheiro e cotas do fundo TRXF11.
A operação envolvia lajes comerciais do Edifício Cyrela Oscar Freire Corporate, em São Paulo, além de participações em estruturas com quatro galpões logísticos. Segundo apurou o NeoFeed, as duas partes estão revendo alguns parâmetros do acordo e, segundo uma fonte, “o deal talvez não se sustente”.
Outra pista de que o negócio não foi para frente está em comunicado feito ao mercado pelo fundo imobiliário TRXF11 sobre a sua 13ª emissão de cotas, que tem alvo de captar R$ 3,4 bilhões (embora o montante máximo seja R$ 5 bilhões) para financiar a aquisição de um grande pipeline de imóveis.
No comunicado, divulgado na noite de quinta-feira, 27 de agosto, entre os ativos alvos citados para aquisição, não há mais nenhum de R$ 2 bilhões. “Eles não citam a Cyrela e não há nenhum deal de R$ 2 bilhões”, afirma uma fonte.
As cotas do fundo imobiliário TRXF11 acumulam queda de mais de 20%, depois de questionamento sobre o mercado sobre sua estratégia agressiva de aquisições.
Só no mês de agosto, a TRX anunciou acordos de R$ 4,6 bilhões em ativos que envolviam galpões, escritórios, shoppings a imóveis de varejo. O negócio com o Pátio Malzoni já não avançou. O deal com a Cyrela pode ser o próximo.
Procurada, a Cyrela não retornou. A TRX enviou o seguinte comunicado:
"Os imóveis que estamos considerando na emissão constam no estudo de viabilidade que divulgamos na data de ontem (27/08). Qualquer informação sobre ativos anunciados será comunicada ao mercado oportunamente via CVM."