O negócio da venda da Amil para a Advent e a Bain Capital foi encerrado e José Seripieri Filho, o Júnior, deu a negativa para a transação que vinha movimentando o mercado pelo seu tamanho e pelo impacto que teria no setor de saúde. A decisão teria sido tomada na quarta-feira, 9 de setembro, e comunicada aos funcionários da Amil na manhã desta quinta-feira, 10 de setembro.

Fontes a par das negociações disseram ao NeoFeed que “o Júnior nunca se engajou, de fato, nas tratativas para a venda”. “Nesses meses de negociação, ele participou apenas de uma reunião. No fundo, ele não queria vender”, diz um profissional sabia das conversas. Quem estava liderando as negociações e mais engajada era a CFO e conselheira da Amil, Grace Tourinho.

Na semana passada, o NeoFeed publicou que a venda não era tão certa como se comentava e que tinham vários entraves para que, de fato, acontecesse. Além da busca de bancos que topassem financiar o negócio de, no mínimo, R$ 16 bilhões, havia o fator Júnior.

A Bain queria garantias de que a Amil não teria infringido regras nos países em que ela opera. A gestora também queria cláusulas de que, se aparecesse algum passivo após a compra, Júnior teria de assumir. Como o empresário havia comprado a Amil da United Health no risco, ele também queria que fosse assim na venda.

Outro ponto que estava pegava é que ele teria de sair da operação e, quem o conhece, sabe que Júnior gosta de estar no comando. “Hoje, no mercado de saúde, existem dois grandes players, o Júnior e o Jorge Moll (da Rede D’Or). Tem uma questão pessoal de sair do negócio”, disse uma fonte que estava a par do negócio na ocasião.

Ele também virou o jogo em pouco tempo, revertendo prejuízo em lucro. A receita anual da companhia alcançou R$ 44 bilhões – R$ 16 bilhões a mais do que quando Júnior comprou a empresa, em 2023. O endividamento foi zerado e o lucro esperado para 2026 é de R$ 2,6 bilhões.