O negócio da venda da Amil para a Advent e a Bain Capital está cada vez mais quente, mas, ao mesmo tempo, não tão certo como tem sido dito no mercado. “Esse deal tem que sair até o início da semana que vem”, diz uma fonte que acompanha o processo. “Caso se estenda mais, corre o risco de dar água.”

É um negócio complexo de sair do papel por várias questões. Primeiro, o valor do negócio. Fontes afirmaram ao NeoFeed que o entreprise value da Amil deva ficar entre R$ 16 bilhões e R$ 20 bilhões. Para isso, os fundos estão buscando financiamento com grandes bancos.

O Citi, por exemplo, deu garantia de R$ 4 bilhões e tem percorrido a Faria Lima para encontrar bancos que topem “sindicalizar” o cheque. E não está tão fácil dividir a conta. Outro ponto crucial é que o controlador da Amil, José Seripieri Filho, o Júnior, quer que o negócio saia do jeito dele e não está muito disposto a abrir concessões.

“A Bain quer garantias de que a Amil não infringiu regras nos países em que ela opera”, diz um profissional a par das negociações. A gestora também quer cláusulas de que, se aparecer algum passivo após a compra, os atuais controladores terão de assumir. “O Júnior comprou a Amil com passivos de R$ 9 bilhões e foi no risco. Ele quer vender do mesmo jeito que comprou”, diz essa mesma fonte.

Outro ponto é que ele teria de sair da operação e, quem o conhece, sabe que Júnior não é uma pessoa afeita a ficar curtindo a vida ou sentado em um caminhão de dinheiro discutindo investimento com private bankers. “Hoje, no mercado de saúde, existem dois grandes players, o Júnior e o Jorge Moll (da Rede D’Or). Tem uma questão pessoal de sair do negócio.”

Por último, a Amil virou uma potência com 6 milhões de vidas e uma receita anual de R$ 44 bilhões – R$ 16 bilhões a mais do que quando Júnior comprou a empresa, em 2023. A companhia, aliás, não tem dívida e virou muito lucrativa. “Em ano bom, o Júnior vai colocar R$ 3 bilhões no bolso. Em ano ruim, R$ 1 bilhão”, diz outro profissional que tem acompanhado as conversas.