Negócios

A Localiza é um porto seguro para os investidores?

Figura fácil entre as ações mais recomendadas na B3, a companhia, como boa parte das empresas listadas,  viu seus papéis desabarem nesta quarta-feira, na esteira do avanço do coronavírus. Em contrapartida, a empresa enxerga que esse cenário pode trazer oportunidades para a sua operação

 

Frequentadora assídua nas carteiras de ações mais recomendadas nos últimos meses, a Localiza não está  imune aos efeitos recentes que atingiram boa parte das empresas listadas no Brasil e no mundo. Ao menos no curto prazo.

Hoje, no primeiro dia de negociação após a divulgação do resultado do quarto trimestre e do ano consolidado de 2019, as ações da companhia operavam em baixa durante todo o pregão, até ser acionado o circuit breaker. Por volta das 15h, os papéis da Localiza recuavam 6,7%. No mesmo horário, o Ibovespa caía 7,7%, a 85.050 pontos.

A queda estava em linha ao movimento observado no mercado de capitais, na esteira do avanço e das incertezas relacionadas ao coronavírus. A tendência contrasta, porém, com os números reportados pela companhia.

Em 2019, a Localiza apurou um lucro líquido de R$ 833,9 milhões, alta de 26,5% sobre 2018. Já a receita líquida do período teve um salto de 29,1%, para R$ 10,1 bilhões. Enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 39,2%, para R$ 2,2 bilhões.

Em 2019, o lucro líquido da Localiza avançou 26,%, para R$ 833,9 milhões

“Estamos com um comitê monitorando permanentemente a situação do coronavírus. Mas ainda é muito pouco tempo para sentir qualquer impacto”, afirmou Nora Lanari, diretora de relações com investidores da Localiza, em teleconferência com analistas realizada hoje, no início da tarde.

Segundo a executiva, esse cenário pode, inclusive, trazer oportunidades para a companhia. Especialmente com o avanço na tendência de queda nas viagens internacionais. “A contrapartida de uma eventual redução nesse tráfego pode ser a ampliação das viagens internas, o que pode até nos dar um upside”, afirmou Lanari, referindo-se às locações de automóveis da companhia em aeroportos.

Para Maurício Teixeira, diretor de finanças, há outras situações que podem beneficiar a empresa. “A locação pode ser, na verdade, uma opção ao receio das aglomerações no transporte público.”

Em um contraponto, Nora frisou que, em uma situação mais crítica, a Localiza tem flexibilidade para se ajustar a um cenário de retração. “Temos exemplos recentes na crise”, disse. “Se for preciso, fechamos a torneira de compra, mantemos o ritmo de venda e ajustamos a frota ao tamanho da demanda.”

Antes dos desdobramentos do coronavírus nesta quarta-feira, o BTG Pactual divulgou relatório pela manhã classificando a Localiza como um “porto seguro interessante”. “Nesse ambiente de risco, esperamos que a Localiza preserve seu status como uma história de crescimento premium”, escreveram os analistas Renato Mimica e Lucas Marquiori.

À parte de perspectivas e projeções, é fato que o cenário recente já trouxe oscilações para a Localiza. Avaliada em R$ 35,8 bilhões no fim de 2019, a empresa chegou a um valor de mercado de R$ 41,1 bilhões em 21 de fevereiro. O pregão em questão foi o último antes de o coronavírus começar a se alastrar fora da China.

Na última segunda-feira 9, quando esse contexto ganhou o agravante da questão na queda dos preços do petróleo, a Localiza perdeu R$ 3,96 bilhões em valor de mercado e fechou o dia avaliada em R$ 30,07 bilhões.

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

 

Leia também

UM CONTEÚDO:

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO