Negócios

Brasileira vai pilotar transição de clientes globais para novo negócio da IBM

O NeoFeed apurou que Ana Paula de Assis deixará o comando da operação na América Latina para cuidar dos clientes globais que devem migrar para a NewCo, nova empresa que surge da divisão da IBM e que deve focar em computação em nuvem e inteligência artificial

 

Ana Paula de Jesus Assis deixa o comando da IBM na América Latina para ir para a NewCo.

A brasileira Ana Paula de Jesus Assis entrou para a história da centenária IBM como a primeira mulher a ocupar o maior cargo na regional latino-americana. Agora, a executiva vai ganhar papel de destaque em um outro capítulo importante da companhia, numa virada estratégica que vem fazendo barulho desde que foi anunciada, na semana passada.

A IBM não confirma, mas o NeoFeed apurou que Ana Paula deve assumir o processo de transição de parte dos negócios da IBM que vão migrar para uma nova empresa, a NewCo.

Com a função de “Client Transition Leader” (ou líder de transição do cliente), conforme descreveu em nota divulgada aos funcionários, a executiva deixará o comando da operação da companhia na América Latina. Ainda não há uma definição quanto ao nome que irá substitui-la.

“Estarei aqui para apoiar você e nossos clientes durante o spin-off em todos os aspectos do engajamento de clientes. Pessoalmente, estou honrada e animada com o novo desafio’, escreveu a executiva em mensagem a qual o NeoFeed teve acesso.

A cisão da IBM em duas empresas acontece em meio a uma reação a dois outros gigantes do setor de tecnologia que ganharam espaço nos últimos tempos na oferta de computação em nuvem: a Amazon, por meio da AWS, e a Microsoft, com a Azure.

A NewCo, por sua vez, irá se dedicar ao desenvolvimento de projetos, ao gerenciamento e à modernização da infraestrutura dos clientes. Com a divisão, a aposta é que será possível capturar novas oportunidades de negócios, sem abrir mão de parcerias entre as empresas-irmãs.

A ideia é fazer com que o crescimento das duas companhias seja acelerado com a separação das áreas de atuação, já que ambas estarão mais focadas em seus negócios e terão condições de buscar oportunidades de forma mais ágil para um crescimento híbrido.

A nova companhia deverá entrar em operação no segundo semestre de 2021. Segundo seu CFO, Jim Kavanaugh, a novidade deve “desbloquear valor tanto para clientes quanto para acionistas”. O executivo acredita que a transação levará de nove a 18 meses para ser concluída.

Procurada, a IBM confirmou a saída de Ana Paula da presidência dos negócios na América Latina, mas não que ela irá para a linha de frente da nova empresa. Fontes confirmam ao NeoFeed que ela está assumindo essa função.

Por meio de nota, a IBM informa que “Ana Paula Assis está desempenhando um papel importante e de liderança com os clientes globais da IBM”. A companhia diz ainda que espera anunciar em breve “um novo líder para a IBM América”.

O objetivo com essa nova aposta, anunciada pelo CEO Arvind Krishna, é dar mais força aos negócios. Hoje, infraestrutura de TI responde por cerca de 25% das vendas da multinacional, que faturou US$ 77,1 bilhões no ano fiscal de 2019. O executivo diz que ambas as empresas estarão posicionadas para crescer mais rapidamente e terão capacidade para fazer parcerias e aproveitar as oportunidades.

Forjada na Big Blue

Gerente geral da IBM para a América Latina, Ana Paula fez toda sua carreira na multinacional, onde começou como estagiária. Já são 24 anos e meio na companhia. A executiva é formada em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Goiás e tem pós-graduação em administração pela Fundação Getulio Vargas e MBA na mesma área na Fundação Dom Cabral.

Na nova função, Ana Paula não deverá encontrar as mesmas facilidades das quais dispunha até agora como presidente da IBM para a América Latina. E poderá enfrentar alguma resistência tanto entre funcionários quanto por parte dos clientes – situação comum nesse tipo de mudança dentro de uma corporação.

Por outro lado, ao ser escolhida para cuidar da transição de parte dos negócios da companhia nessa nova fase, a brasileira surge como uma candidata natural a assumir a presidência da NewCo ou um cargo no alto escalão global da nova empresa, segundo uma fonte com quem o NeoFeed conversou que conhece os corredores da IBM.

O plano da IBM é listar a NewCo na bolsa de valores. A nova empresa nascerá com 4,6 mil clientes em carteira, com presença em 115 países e com uma carteira de pedidos de US$ 60 bilhões.

Hoje, a multinacional conta com 352 mil funcionários e 90 mil deverão migrar para a nova empresa. Os custos operacionais para a divisão dos negócios são estimados em cerca de US$ 5 bilhões. E a NewCo já nasce com uma receita anual de US$ 19 bilhões.

Os serviços da NewCo, de acordo com o comunicado, serão oferecidos a 75% das empresas listadas na Fortune 500. De acordo com o CEO, a divisão de software e soluções da IBM será responsável pela a maior parte da receita recorrente da companhia depois de a separação ser formalizada.

Na última quinta-feira, 8 de outubro, quando o comunicado foi feito ao mercado, as ações da IBM fecharam o dia com alta de 6% na bolsa, o que mostra uma boa receptividade ao plano de Krishna, o mesmo executivo que costurou a aquisição da Red Hat, empresa de computação em nuvem, comprada pela multinacional, no ano passado, por US$ 34 bilhões.

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