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Negócios

Com a Universal Music, a Tencent amplia os seus tentáculos

A gigante chinesa negocia a compra de 10% da gravadora e reforça sua estratégia para se consolidar como a maior empresa de tecnologia fora do Vale do Silício

 

Ma Huateng, o fundador da Tencent

A chinesa Tencent está negociando a compra de 10% do capital da Universal Music Group (UMG), maior nome global da indústria da música e com um catálogo de artistas como Lady Gaga, Taylor Swift e Bruce Springsteen, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

O acordo avalia a operação controlada pelo grupo francês Vivendi em € 30 bilhões (US$ 33,6 bilhões). Os termos incluem ainda a opção de uma aquisição adicional de 10% da UMG, no prazo de um ano, sob os mesmos termos e valores, bem como o estabelecimento de parcerias comerciais estratégicas.

Caso seja concluída, a aquisição reforça o apetite da Tencent pelo mercado de streaming de música. O segmento movimentou globalmente US$ 8,9 bilhões em 2018, segundo a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI).

Com um crescimento anual de 34%, a categoria foi, mais uma vez, o principal vetor de recuperação da indústria, respondendo por 47% da receita total. Dentro desse cenário, a China registra o maior crescimento. Em dois anos, o país saiu da 12ª posição para a 7ª colocação no ranking global do mercado fonográfico.

No último ano, a Tencent tem intensificado seus esforços nessa frente. O pacote inclui a troca de fatias minoritárias com a sueca Spotify, líder do setor, e acordos de distribuição com as maiores gravadoras do mundo.

Uma das principais medidas, no entanto, veio em dezembro, com a oferta pública inicial de ações da Tencent Music Entertainment. O IPO captou US$ 1,1 bilhão na Bolsa de Nova York.

No primeiro trimestre, a operação, que inclui serviços de streaming como QQ Music, Kuwo e WeSing apurou uma receita de US$ 855 milhões, 39,4% superior ao mesmo período de 2018, além de contabilizar uma base de 654 milhões de usuários.

Gigante chinês

Mais que uma estratégia bem afinada no mercado de streaming, as conversações com a Universal Music Group marcam mais um passo da Tencent para se consolidar como a maior companhia de tecnologia fora do Vale do Silício.

Dona de um valor de mercado de US$ 410 bilhões, a Tencent faturou US$ 12,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano

Dona de um valor de mercado de US$ 410 bilhões, a empresa faturou US$ 12,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 16% sobre igual período de 2018.

Com um perfil discreto, Ma Huateng, 47 anos, é o principal nome por trás da gigante asiática. Formado em Ciências da Computação pela Universidade de Shenzhen, ele fundou a Tencent em 1998, ao lado de quatro colegas.

Huateng é também conhecido como “Pony” Ma ou “Zuckerberg chinês”. O empreendedor tem uma conta bancária estimada de US$ 34,9 bilhões e é o segundo homem mais rico da China, atrás apenas de Jack Ma, fundador da plataforma de comércio eletrônico Alibaba.

A Tencent surgiu depois que Huateng assistiu a uma palestra dos criadores do ICQ. O software de comunicação instantânea que dominou os primórdios da internet foi a inspiração para o primeiro lançamento da Tencent: o OICQ, em 1999. O serviço foi rebatizado posteriormente, como QQ, depois que a AOL comprou o ICQ, no ano 2000, e processou a empresa chinesa.

O caso ilustra bem parte da estratégia que fez a fama e a fortuna da Tencent e de seu fundador. Pouco a pouco, a empresa ampliou seu portfólio com serviços similares às ofertas de gigantes estrangeiras, adaptados ao mercado local. A abordagem foi favorecida pela proteção da “Grande Muralha” da internet chinesa, que dificulta a entrada de rivais de fora do país.

A Tencent soube se aproveitar desse cenário de pouca concorrência. Com o maior mercado de internet do mundo – a China tem mais de 800 milhões de usuários da rede – à sua disposição, a empresa construiu um império composto por diversas ofertas digitais, com destaque para os negócios em games e para o aplicativo de mensagens instantâneas WeChat, uma espécie de “WhatsApp” chinês, que tem uma base atual de 1,1 bilhão de usuários ativos.

À parte das acusações de criar versões locais de produtos mundialmente consagrados, a Tencent é reconhecida por ser uma das primeiras empresas do setor a estabelecer um modelo para rentabilizar esses serviços. E também por desenvolver um ecossistema de ofertas em torno dos seus principais produtos, seja com recursos adicionais ou por meio de receitas de publicidade.

O WeChat é um exemplo. Hoje, o app vai muito além das mensagens instantâneas. E pode ser classificado como um banco digital. Por meio do serviço, é possível fazer transferências de dinheiro e fazer pagamentos diversos, das compras no comércio eletrônico às lojas físicas. Nesse contexto, a divisão de serviços financeiros e empresariais, na qual o WeChat está incluído, faturou US$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre.

Essa abordagem, no entanto, não significa que a Tencent olha apenas para dentro de casa. No mercado chinês, a empresa tem investido na compra de participações em negócios com a JD.com, segundo maior e-commerce doméstico, atrás apenas do Alibaba, e a Younghui Superstores, rede de supermercados chinesa, em um movimento similar ao realizado pela Amazon com a Whole Foods.

Mas é fora da China que o grupo aposta fortemente nessa estratégia. Para driblar as dificuldades de ganhar corpo fora do mercado doméstico com suas próprias marcas, a Tencent não economiza na compra de fatias de operações no estrangeiro.

A lista é grande. Em games, um dos carros-chefe da empresa, ela inclui negócios como a Riot Games e a Supercell, responsáveis, respectivamente, “League of Legends” e “Clash of Clans”, duas das maiores franquias de sucesso do setor.

A Tencent é dona de 40% da Epic Games, que desenvolve o atual fenômeno Fortnite

A companhia é dona de 40% da Epic Games, desenvolvedora do maior sucesso do momento, o jogo de tiros Fortnite. O jogo tem cerca de 75 milhões de jogadores mensais e mais de 250 milhões cadastrados.

Os aportes da Tencent alcançam outros segmentos, como as redes sociais, com o Snapchat, os carros elétricos, com a Tesla, e até mesmo as produções de Hollywood, com a distribuidora americana STX Entertainment.

O mercado brasileiro também não ficou fora deste mapa. Em dezembro de 2018, a companhia investiu US$ 200 milhões na Nubank. Resta saber se todos esses investimentos serão capazes de replicar o domínio da gigante para além dos limites da Grande Muralha.

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