Negócios

Com o tanque cheio, Movida quer acelerar suas “avenidas de crescimento”

Com R$ 1,7 bilhão em caixa e indicadores de retomada em outubro, a locadora de carros enxerga um cenário favorável para consolidar ofertas recentes do seu portfólio, como o aluguel de veículos para entregas do e-commerce e um serviço de locação por assinatura

 

Nos últimos meses, a Movida decidiu percorrer duas vias para lidar com os efeitos da Covid-19. De um lado, a empresa abraçou fortemente a preservação de caixa em suas operações. Ao mesmo tempo, a locadora de carros investiu no lançamento de ofertas adicionais em seu portfólio.

Depois de reduzir gastos em frentes como marketing e fornecedores, e guardar combustível suficiente para enfrentar os desafios ainda presentes da pandemia, com um caixa de R$ 1,7 bilhão, a empresa enxerga espaço para dar velocidade justamente às entregas do seu pacote de novidades.

“Hoje, nossa operação está consolidada, madura e se provou resiliente”, afirmou Renato Franklin, CEO da Movida, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira. “Passamos a fase de maturação dessas novas iniciativas e agora é momento de expandir essas avenidas de crescimento.”

Lançado no início de outubro, o Movida Cargo é um desses roteiros. De olho na aceleração das vendas digitais e na logística da última milha, o produto é voltado à locação de carros leves e furgões para entregas do comércio eletrônico e chegou ao mercado por meio de uma parceira com o Magazine Luiza.

Na largada, o modelo conta com mil Fiorinos à disposição dos clientes. No caso do Magazine Luiza, os transportadores cadastrados na plataforma de logística da varejista podem locar os carros com contratos de 12, 24 e 36 meses.

“A parceria com o Magazine Luiza alarga o nosso horizonte”, disse Franklin. “Já temos acordos com boa parte dos varejistas e, em breve, teremos mais novidades”, acrescentou, sem dar detalhes sobre as outras parcerias firmadas.

Outra modelo mais recente no portfólio da locadora é o Movida Zero Km, serviço de carro por assinatura para pessoas físicas. Por um valor mensal, o usuário aluga o carro por um período mínimo de 12 meses.

“A conversão tem sido alta. Esse vai ser o maior mercado de aluguel de carro no futuro”, afirmou Franklin, que também destacou as boas perspectivas para locações eventuais em virtude das tendências de reforço do turismo doméstico e da migração de parte dos usuários de transporte coletivo para esse segmento, bem como o aumento na procura dos motoristas de aplicativos de mobilidade.

Na semana passada, a Movida anunciou outra novidade no segmento de aluguel, por meio de uma parceria exclusiva com a Nissan. Com o acordo, a empresa irá oferecer, inicialmente, 50 unidades do Nissan Leaf, carro elétrico da montadora japonesa para locação de pessoas físicas e empresas. “A ideia é desmistificar o uso do carro elétrico”, observou o CEO. “Estamos trazendo um veículo sustentável e abrindo mais um mercado.”

Renato Franklin, CEO da Movida

Além dos braços de locação e de gestão de frotas, as tais avenidas traçadas pela Movida passam ainda por ações em áreas como a de seminovos, que, durante a pandemia, contou com o lançamento de um aplicativo de vendas voltado a lojistas e da digitalização de todo o processo de comercialização voltado aos consumidores.

Recuperação

Como pano de fundo para a visão mais otimista sobre esses novos negócios, a Movida divulgou alguns números da operação em outubro, mês no qual a empresa também anunciou uma emissão de R$ 600 milhões em debêntures.

No segmento de aluguel de carros, a receita líquida registrou um crescimento de 20% em outubro sobre a média contabilizada do terceiro trimestre, para R$ 108,3 milhões, além de uma taxa recorde de ocupação de 86%.

Já em gestão de frotas, o avanço no mesmo indicador foi de 4,7%, para R$ 43,6 milhões. “Nessa área, já temos um pipeline muito robusto de contratos com implantação para os próximos meses e um crescimento já contratado.”

A única queda no período, de 8,5%, veio em seminovos. Franklin ressaltou, no entanto, que essa unidade de negócios registrou aumento do tíquete médio recorde no terceiro trimestre, para R$ 45 mil. E que a empresa começa a enxergar espaço para reduzir os descontos, ampliar a margem e reduzir a depreciação.

Segundo o executivo, outubro reforça a tendência de melhora já observada no terceiro trimestre e a perspectiva à frente é ainda mais favorável. “Já voltamos à normalidade e esperamos um quarto trimestre e um 2021 muito fortes”, disse Franklin. “Estamos prontos para um crescimento mais forte.”

A Movida reportou uma queda de 38,2% em seu lucro líquido entre julho e setembro, para R$ 37,2 milhões

Enquanto projeta um cenário de retomada, a Movida reportou uma queda de 38,2% em seu lucro líquido entre julho e setembro, para R$ 37,2 milhões. Já a receita líquida cresceu 3,6%, para R$ 1,04 bilhão.

Apesar dos sinais positivos emitidos pela Movida, na B3, após a divulgação do resultado, as ações da empresa estavam sendo negociadas a R$ 18,92 por volta das 14h, com uma queda de 3,57%. A companhia está avaliada em R$ 5,63 bilhões.

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