Na Movida, o lucro cai, mas o caixa bate recorde

A locadora de automóveis Movida vê seu lucro cair quase 94% no segundo trimestre de 2020. Mas o caixa atingiu um patamar recorde de R$ 1,7 bilhão, sustentado pela venda de seminovos. O CEO, Renato Franklin, explica os resultados e comenta os novos projetos

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Renato Franklin, CEO da Movida

A temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre tem sido simbólica não apenas por mostrar um retrato mais fiel dos efeitos da Covid-19 em cada negócio. Mas também por sinalizar as perspectivas e a preparação das empresas para a retomada.

Na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, a locadora de carros Movida engrossou essa lista. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 2,6 milhões no período, contra R$ 42 milhões, um ano antes. Já a receita líquida teve um crescimento de 5,8%, para R$ 1,04 bilhão.

“Nós vivemos um vale na pandemia, mas estamos retomando”, diz Renato Franklin, CEO da Movida, em entrevista ao NeoFeed. “E esperamos terminar o ano com o mesmo tamanho de 2019, porém, com muito mais produtos e canais de venda.”

As projeções otimistas de Franklin são sustentadas por duas frentes que registraram indicadores recorde no trimestre: o caixa de R$ 1,7 bilhão, ante R$ 1,04 bilhão no fim de março, e a divisão de seminovos, que registrou um volume de vendas de 18.465 carros, alta de 15% sobre o mesmo intervalo de 2019.

Com 70 das 250 lojas da Movida distribuídas no Brasil, boa parte delas com funcionamento prejudicado pela crise, a área de seminovos ajuda a entender um dos pilares adotados pela empresa desde o início da crise.

Antes da chegada da Covid-19, a locadora tinha no radar uma série de projetos de transformação digital a ser implantada até 2021. Dentro desse pacote, a companhia identificou tudo o que geraria caixa, redução de custo e vendas extra.

“E para acelerar o processo, priorizamos apenas as funcionalidades necessárias para que elas fossem lançadas”, afirma Franklin. “E nossos squads foram colocando melhorias nesses projetos a cada 14 dias”, acrescenta.

Um dos exemplos mais recentes dessa abordagem é um aplicativo de vendas de seminovos no atacado. Lançado em julho, o recurso permite que os lojistas consultem preços, o estoque disponível, negociem e fechem a transação no canal.

Com o salto nas vendas digitais, a Movida não descarta reduzir o plano de abertura de lojas adicionais de seminovos

“Essas e outras iniciativas no atacado têm nos ajudado a trazer entre 700 e 900 novos lojistas para a base por mês”, conta Franklin. “Cada um deles compra, em média, de um a dois carros, o que nos dá capilaridade e sustentação nesse momento. E mais opções de venda no futuro.”

Na mesma direção, a Movida já tinha digitalizado, no início da crise, todo o processo de comercialização de seminovos para pessoas físicas. O executivo ressalta que, mesmo com a reabertura de boa parte das lojas da divisão, as vendas online de seminovos seguem mostrando fôlego.

E, nesse contexto, Franklin não descarta eventuais reduções nos planos de expansão de lojas físicas. “Antes, para cada 50 carros a mais que eu precisava vender, eu tinha que abrir um ponto de venda”, diz. “Agora, com a capilaridade e o volume de vendas do digital, acho que essa necessidade adicional vai cair pela metade.”

O pacote incluiu outros lançamentos, como os modelos de aluguel anual de carros seminovos e de locação compartilhada de veículos. E já prevê outras novidades para os próximos meses. Entre elas, um projeto-piloto de marketplace que reunirá uma série de parceiros e será operado pela Movida.

Mais enxuta

Além das vendas de seminovos, outro foco no período foi alimentado por diversas medidas para reduzir a estrutura de custos da operação. Entre elas, a renegociação de contratos, do número de diretorias e suspensão de todas as ações de marketing institucional. Nessa frente, todos os esforços foram direcionados para o digital e centrados em performance.

Essas estratégias trouxeram indicadores como a redução de 17%, ou R$ 42 milhões, em gastos caixa, na comparação com o segundo trimestre de 2019. E um recuo de R$ 67 milhões, em relação ao intervalo de janeiro a março de 2020.

“Nós já estamos colocando o pé no acelerador”, diz Franklin, destacando a volta à regularidade na compra de carros no trimestre, com um total de 5.945 veículos adquiridos, próximo dos níveis pré-pandemia.

“Temos um balanço confortável, com a menor alavancagem da história da companhia”, diz  Franklin, referindo-se à dívida que está numa relação de 2,4 vezes o Ebitda. “E estamos com uma estrutura enxuta para retomar os níveis de rentabilidade e iniciar um novo ciclo de crescimento, com muito mais eficiência.”

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