Curto circuito: sem chips, montadoras podem perder US$ 210 bilhões em 2021

A previsão é da consultoria americana AlixPartes, que revisou sua estimativa anterior de uma perda de US$ 110 bilhões. A empresa projeta que 7,7 milhões de carros deixarão de ser produzidos

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Fábrica da GM nos Estados Unidos

Em maio deste ano, a AlixPartners divulgou uma previsão de perdas de US$ 110 bilhões em receita para a indústria automotiva em 2021, diante dos impactos da crise de abastecimento de semicondutores. Segundo a consultoria americana, a redução nas vendas seria de 3,9 milhões de unidades.

Quatro meses depois, não há sinais de normalização ou melhora no horizonte. E, diante desse cenário, a consultoria americana está revendo suas projeções para cima. A empresa estima agora uma perda de US$ 210 bilhões em receita para as montadoras, que deixarão de vender 7,7 milhões de unidades.

“O que mudou é que, globalmente, a indústria automotiva simplesmente não se recuperou tão rapidamente quanto nós pensávamos quando fizemos nossa previsão em maio”, afirmou Dan Hearsch, diretor da AlixPartners em entrevista à rede americana CNBC.

Entre os fatores até então inesperados e que contribuíram para inflar os números ele citou a ascensão da variante delta e os problemas observados na Malásia e outros países do sudeste asiático.

Sob esse quadro, a AlixPartners agora estima que os problemas no abastecimento sigam pelo menos até o segundo trimestre de 2022. Como fatores agravantes nesse contexto, Hearsch destacou problemas de oferta de mão de obra e de transporte.

A crise em questão afetou as operações e paralisou as produções de montadoras em todo o mundo. Há duas semanas, por exemplo, Paul Jacobson, CFO da General Motors (GM), afirmou em evento com investidores que a montadora irá produzir 200 mil veículos a menos no segundo semestre na América do Norte. A previsão anterior era de um recuo de 100 mil carros.

Uma semana antes, a GM já havia anunciado que iria adicionar ou estender as suspensões na produção de oito de suas fábricas instaladas nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

No início deste mês, a Ford também decidiu reduzir sua produção de picapes em três fábricas nos Estados Unidos. Antes, entre outras medidas, a montadora americana já havia interrompido linhas em países como Espanha, Alemanha e Turquia.

Em meados de agosto, quem anunciou paralisações de cerca de 40% de sua produção global foi a japonesa Toyota. Além do Japão, as regiões mais afetadas no mapa da montadora foram os Estados Unidos, a China e a Europa.

No início do mesmo mês, a Toyota já tinha suspendido 100% da produção na sua fábrica instalada em Sorocaba (SP), além de anunciar uma paralisação parcial na unidade de fabricação de motores, em Porto Feliz (SP). Até então, a empresa era uma das poucas que vinha conseguindo driblar a crise.

A produção de outras montadoras também foi impactada no Brasil. Além da Toyota, em maior ou menor escala, a lista de empresas que precisaram recorrer a redução de turnos, suspensões parciais ou totais inclui nomes como Volkswagen, Renault e Stellantis.

A GM foi, porém, a que mais sentiu o golpe. A empresa deixou de fabricar cerca de 200 mil veículos no País com paralisações em suas unidades de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS).

Com as interrupções, o Ônix, carro da montadora que liderou o ranking de vendas no País por seis anos consecutivos teve uma queda substancial. No acumulado de janeiro a agosto deste ano, o modelo caiu para a 6ª posição no ranking, com 43,3 mil unidades vendidas, segundo a Fenabrave.

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