Depois do futebol, Socios.com prepara investida em times de e-sports no Brasil

Com fan tokens criados para nove clubes do futebol brasileiro, como Palmeiras e Flamengo, a companhia fundada em Malta quer vender itens colecionáveis para times de e-sports

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Alex Dreyfus, CEO e fundador da Socios.com

Depois de ganhar terreno com o futebol, a Socios.com está expandindo sua atuação no mercado brasileiro. A companhia que opera com a comercialização de tokens ligados com esportes e que já firmou acordos com alguns dos principais clubes do Brasil, agora está de olho nos esportes eletrônicos.

A companhia fundada em Malta pelo francês Alex Dreyfus está firmando um acordo com uma equipe de e-sports no Brasil. O negócio, que ainda é mantido em sigilo entre as partes e que deve ser anunciado nas próximas semanas, é o primeiro acordo para a criação de um fan token pela companhia dedicado a outro esporte que não o futebol.

Descrita como uma “plataforma de engajamento e recompensa de fãs”, a Socios.com cria tokens, criptoativos digitais colecionáveis (que não são criptomoedas e nem NFTs), de organizações esportivas. Esses ativos são comercializados em exchanges e na própria plataforma da companhia, gerando receita para as empresas envolvidas nos acordos.

Ao longo dos últimos anos, a companhia, que tem escritórios em Madri, Londres, Miami e São Paulo, firmou parcerias com mais de 150 organizações esportivas de diferentes modalidades. No futebol, os acordos envolvem clubes da América Latina e da Europa. Em outros esportes, há clientes de ligas como NBA, NFL, NHL, MLS, além de equipes de Fórmula 1 e atletas do UFC e de e-sports.

“A maioria dos torcedores não está nos estádios, nas cidades e às vezes nem nos países dos times que eles torcem. Você pode ser um torcedor do Flamengo e morar em São Paulo, ou torcer para o Real Madrid e nunca pisar na Espanha”, diz Dreyfus ao NeoFeed. “O que queríamos era criar algo que pudesse ser valioso para esse fã e escalável para o clube.”

O público-alvo da companhia está no que Dreyfus chama de “torcedores casuais”. “Eu não estou falando com o torcedor que está sempre no estádio ou que tem uma tatuagem do time, mas daquele que gosta do PSG por causa do Messi ou que assiste a uma luta de UFC por causa do Conor McGregor”, diz.

Ainda que a empresa não revele números, Dreyfus diz que o Brasil é o segundo maior mercado para a Socios.com, perdendo apenas para a Turquia. Mesmo antes de a empresa firmar acordos com clubes brasileiros, o País já apresentava crescimento dentro da plataforma pela proximidade dos usuários com ativos virtuais.

Por aqui, a Socios.com já lançou tokens do Atlético Mineiro, Bahia, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Internacional, Palmeiras e São Paulo. Um dos maiores jogadores de futebol da atualidade, o argentino Lionel Messi é “garoto propaganda” da companhia, assim como o ex-jogador italiano Alessandro Del Piero.

Do lado do comprador, o token permite que o torcedor possa participar de experiências exclusivas. “O token traz a possibilidade de o torcedor participar de votações para escolher a música que vai tocar no estádio ou o número que será usado por algum jogador recém-contratado”, diz Dreyfus.

Para os clubes, o token é visto como uma nova fonte de renda. O Corinthians, por exemplo, firmou um acordo para que a Socios.com pudesse comercializar até 20 milhões de tokens com a sigla $SCCP. Na primeira oferta, em setembro do ano passado, a operação movimentou US$ 1,7 milhão com a venda de 850 mil unidades por US$ 2 cada.

O valor levantado durante a primeira venda, chamada de Fan Token Offering (FTO), foi repartido entre a Socios.com e o clube, mas os percentuais são mantidos em sigilo. Dreyfus explica que, em alguns casos, a plataforma opera dando uma garantia mínima de valor e que independe do resultado do FTO. Em outros, há uma divisão em que cada parte fica com um percentual do valor arrecadado.

Assim como ocorre com as NFTs, o criador do token ainda tem a possibilidade de ganho futuro quando o token é revendido no mercado secundário. No Brasil, além da Socios.com, o Mercado Bitcoin já permite que os tokens sejam comercializados entre os usuários. “A maior parte da receita dos clubes e da Socios.com não virá dos FTOs, mas das revendas dos tokens nos próximos cinco ou dez anos”, diz Dreyfus.

Além de ganhar dinheiro com uma parte das vendas iniciais dos tokens e com a comercialização no mercado secundário, a Socios.com também obtém receita com a venda da criptomoeda Chiliz ($CHZ), cujo blockchain alimenta toda a operação da companhia. Para comprar criptoativos dentro da Sócios.com é preciso, primeiro, trocar dinheiro pela criptomoeda Chiliz e, então, utilizá-la para adquirir os fan tokens desejados.

Por ora, o desafio é manter o ativo atrativo no mercado. O $SCCP que chegou a ser negociado no mercado por US$ 3,88, agora tem valor unitário próximo de US$ 0,29, segundo o site CoinMarketCap. “Nosso trabalho é vender os tokens apenas se houver demanda”, diz Dreyfus. De acordo com o executivo, a desvalorização é reflexo de um momento de baixa geral do mercado de criptoativos.

Neste exemplo, com o token desvalorizado, a Socios.com precisa aguardar um momento melhor do mercado para comercializar as unidades que ainda possui. Dos 20 milhões de tokens criados sob a sigla $SCCP, apenas cerca de 2,3 milhões estão em circulação. Enquanto o mercado não melhorar, a tendência é de que novas unidades não sejam colocadas à venda.

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