Desligue o piloto automático para ir mais longe

A maioria dos CEOs está estressada e não tem tempo de pensar estrategicamente. Confira quatro reflexões para fugir dessa armadilha do cotidiano

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Recentemente encontrei um CEO de uma grande empresa de capital aberto que dizia que estava estressado e não tinha tempo para pensar no médio prazo e na estratégia. As metas do trimestre, gerenciar o conselho e o mercado estavam pesando. Tudo o que ele queria era ter mais tempo para se dedicar ao futuro da  empresa.

Três meses após ter recebido um grande aporte de um fundo de private equity, um empreendedor me procurou. Montar o novo time e executar o plano de expansão e ainda aprender a dinâmica do fundo era muito para ele. “Passo o dia inteiro em reuniões e comitês”, desabafou.

Já trabalhei com mais de 50 CEOs e empreendedores nos últimos cinco anos. Não encontrei nenhum que dissesse que tinha o tempo necessário para pensar e planejar. Todos estavam tão imersos no modo execução que sentiam as dores, mas não encontravam repostas de como alocar energia em temas que sabiam serem cruciais para o sucesso da empresa.

Um exercício que utilizo nesses casos é revisar a agenda dos CEOs nos últimos três meses para entendermos onde ele aloca sua preciosa energia.

De forma geral, a cada dia, os CEOs têm em média quatro reuniões e gastam 40% do seu tempo respondendo e-mails ou WhatsApp. Com a pandemia e home office é muito comum receberem e enviarem mensagens às 21 horas. As fronteiras se evaporaram.

A dor da falta de tempo para pensar no estratégico desses CEOs está longe de ser específica. Um estudo  do Atlassian Group revela que executivos americanos têm em média 62 reuniões por mês.

Lógico que o mundo corporativo exige cada vez mais energia e resultados. Mas só focar no curto prazo, controlar tudo e todos não é a saída para resultados sustentáveis.

Depois de conscientizar os CEOs que precisam otimizar sua alocação de energia, construímos um framework que sirva de guia. As perguntas abaixo tem ajudado a tangibilizar essa reflexão.

1 – Como levo o negócio a outro patamar?
A resposta é clara. Não vai ser alocando quase 100% do tempo nos assuntos do dia a dia. Minha sugestão é bloquear pelo menos 25% da agenda para reflexões ou projetos de médio/longo prazo. Plantar aquelas sementes que darão os frutos no futuro.

2 – Como amplio meus insights?
Desenvolver curiosidade intelectual é a fonte mais segura para alimentar insights. E eles têm o poder de mudar o jogo. Ter um network bem diluído, interagir com pessoas de vivências diferentes e aprender coisas novas turbinam suas ideias e intuição.

3 – Como extraio mais do meu time para eles, para a empresa e para mim?
Esse é um fator chave para obter tempo para pensar em temas mais estratégicos. Aí tem de decidir menos, perguntar mais, interromper menos e deixar o time ganhar quando achar conveniente.

Trabalhei com um CEO que quando uma apresentação começava, ele já interrompia. O time até apostava quantos slides iam passar antes dele entrar com tudo. Já outro CEO apelidei de doutor consulta. Tinha uma consulta atrás da outra. Os diretores iam trazendo problemas e ele prescrevendo a solução.

4 – O que é sucesso para mim e que métricas irão comprovar se tive sucesso na vida?
Alocar mais tempo para temas estratégicos não deve ser somente para questões da empresa. É fundamental pensar no seu caminho de longo prazo. Afinal, tudo é um ciclo e você não será CEO para sempre.

Decidir sua definição de sucesso é o primeiro passo para formatar seu plano de longo prazo e as ações que precisa executar agora para que no fim tenha trilhado uma jornada com significado.

Converse com pessoas que conquistaram isso ao longo do tempo e aprenda com elas. Um futuro próspero começa com ações no agora. Bora começar?

*Sergio Chaia atua como coach de CEOs, empreendedores e atletas de alto rendimento. Foi chairman da Óticas Carol e CEO da Nextel. Atua como conselheiro da Daus e da Ri Happy. É também conselheiro e educador do Instituto Ser + , uma ONG voltada à recuperação de jovens em situação social de risco preparando sua inserção no mercado de trabalho. Autor do livro “Será que é possível?”

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