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Digibee quer ser um “benjamim” tecnológico. Investidores de peso embarcaram na ideia

Dona de uma plataforma para facilitar a transformação digital de grandes empresas, a Digibee atraiu investidores como Paulo Veras (ex-99), Laércio Albuquerque (Cisco) e o fundo GAA Investments. Agora, está usando um aporte de US$ 5 milhões para desembarcar nos EUA

 

Os fundadores da Digibee: Rodrigo Bernadinelli (à esq.), Peter Kreslins e Vitor Sousa

Corria o ano de 2018. Ex-executivos de empresas como IBM, CA Technologies e Santander, os fundadores da Digibee tinham dificuldade para explicar a potenciais investidores o que a startup, criada um ano antes, fazia. As palavras “plataforma de integração de sistemas”, na prática, não diziam muito sobre a empresa.

“Com o tempo, melhoramos a narrativa”, brinca Rodrigo Bernadinelli, CEO e fundador da companhia ao lado de Peter Kreslins e Vitor Sousa. O discurso, de fato, evoluiu. Em 2019, a Digibee captou US$ 1 milhão do GAA Investments e de Paulo Veras, cofundador da 99, a primeira startup unicórnio do País.

Há um mês, o fundo americano e Veras assinaram um novo cheque, de US$ 5 milhões. A rodada contou ainda com a participação de Laércio Albuquerque, presidente da Cisco no Brasil. Mas afinal, o que tanto chamou a atenção de investidores desse porte?

Hoje, o trio da Digibee tem uma série de analogias para traduzir a oferta da startup, que quer facilitar a transformação digital das empresas. Um exemplo é o desafio das companhias integrarem seus emaranhados de sistemas, não só internamente, mas também com os produtos e serviços de parceiros.

“Nós somos o benjamim, o adaptador que faz tudo isso conversar”, diz Kreslins, que também recorre a imagem de uma pessoa abrindo um chuveiro em casa. “Ninguém fica pensando no encanamento. A pessoa quer simplesmente ver a água sair. A Digibee é o que está por trás das paredes.”

Esses “tubos e conexões” são ofertados no modelo de software como serviço, com assinaturas mensais para cada ligação criada. Segundo a empresa, na comparação com os projetos tradicionais, o formato permite reduzir os custos e o tempo de integração em até dez vezes.

“A plataforma é simples. É como clicar e arrastar ou como montar um Lego”, diz Veras, mostrando-se alinhado com o repertório de analogias da Digibee. Esse vínculo do investidor é ressaltado por Bernadinelli. “O Paulo não se põe a 10 mil pés de altura”, afirma. “Ele atua no dia a dia, traz clientes e, assim como o GAA e o Laércio, abre muitas portas.”

Destino global

O discurso adotado pela startup vem sendo endossado pelo número de contratos atendidos que, em média, inclui dez novos clientes a cada mês. A carteira de 105 empresas inclui grandes companhias como Dasa, Assaí, Riachuelo, Canon e Rede D’Or.

“Mesmo no early stage, eles já fechavam novos negócios com rapidez e mostravam resultados consistentes para os clientes”, diz Geraldo Neto, cofundador do GAA Investments. Com a Covid-19, que ressaltou a urgência digital, a Digibee conquistou contratos com empresas como Carrefour e Fleury.

Com a base se consolidando no Brasil, o aporte recente de US$ 5 milhões será usado para cruzar fronteiras, a começar pelos Estados Unidos. “Vamos atacar mercados fora do Brasil, porque o problema é global e não mapeamos ninguém fazendo nada parecido no mundo”, afirma Veras.

Mesmo andando mais devagar do que o previsto, por conta da pandemia, a Digibee já deu alguns passos nos Estados Unidos. A startup tem escritórios em operação em Miami e Denver, e prevê outro em Nova York.

Até o fim do ano, o plano é crescer a equipe de sete para mais de 30 funcionários, boa parte deles em vendas e marketing. Esse time conquistou cinco contratos, com empresas como a fintech SellersFunding, de Nova York, e a Young Living, indústria de essências.

No mercado americano, a Digibee já conquistou cinco contratos, com empresas como a fintech SellersFunding e a Young Living, indústria de essências

Para ampliar essa carteira, a estratégia da Digibee inclui a associação com empresas de software, entre elas, companhias brasileiras que também estão buscando espaço no exterior, como a VTEX. Outra via é estender a relação com clientes como a Accenture, no Brasil, a essa fronteira.

A startup tem como meta um total de vendas de US$ 1 milhão nos Estados Unidos em 2020. Para a operação, incluindo Brasil, a projeção é encerrar o ano com R$ 22 milhões de receita, contra os R$ 4,8 milhões de 2019, e uma base de 150 clientes.

A empresa não descarta ampliar sua presença internacional já em 2021. “No Brasil, estamos conseguindo entrar em muitas empresas europeias, o que pode facilitar esse caminho”, diz Bernadinelli. Nesse roteiro, o próximo ponto no mapa a receber um escritório da Digibee é Madri, na Espanha.

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