Distante do metaverso, Sheryl Sandberg deixa cargo de COO da Meta após 14 anos

Sandberg ajudou a transformar a rede social numa empresa de US$ 535,7 bilhões, mas sofreu com desgastes envolvendo escândalos com o uso indevido de dados de usuários e manipulação da plataforma

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Sheryl Sandberg deixa cargo de COO da Meta – Imagem: Divulgação / Fórum Econômico Mundial

Depois de 14 anos atuando como braço direito de Mark Zuckerberg no Facebook, agora Meta, Sheryl Sandberg está deixando o cargo de diretora de operações no momento em que a companhia está concentrando seus esforços e investimentos na transição para o metaverso. 

Em uma postagem feita em seu perfil no Facebook na noite da quarta-feira, 1º de junho, Sandberg informou que deixará o cargo “no outono” do hemisfério Norte, que começa no fim de setembro, mas que estará no conselho de administração da Meta.

Quem assumirá seu posto será Javier Olivan, outro executivo com vários anos de casa e que hoje atua como diretor de crescimento da Meta. 

Durante seu período na companhia, Sandberg ajudou a transformar o Facebook de uma rede social gratuita, criada em um dormitório em Harvard, em uma das gigantes globais de tecnologia, com capital aberto desde 2012, receita de US$ 118 bilhões em 2021 e valor de mercado de US$ 535,7 bilhões. 

A saída ocorre no momento em que o metaverso é a prioridade da companhia para os próximos anos. Em outubro do ano passado, quando anunciou a nova diretriz, que resultou inclusive na mudança do nome da empresa, Zuckerberg afirmou que o metaverso “afetará todos os produtos que construímos”. 

Apesar de ser considerada a principal executiva da empresa e pessoa de confiança de Zuckerberg, Sandberg estava afastada do projeto. Fontes ouvidas pelo jornal The Wall Street Journal afirmam que ela esteve ausente de muitas reuniões a respeito dos planos da companhia nesse novo espaço.  

Em postagem no Facebook na qual agradeceu Sandberg por seu trabalho, Zuckerberg afirmou que se tratava do “fim de uma era” e que o novo COO terá um papel diferente daquele exercido por Sandberg. Segundo ele, Olivan será um executivo “mais tradicional”, focado na operação e em questões internas. 

“Eu não planejo substituir o papel exercido por Sheryl na nossa atual estrutura, nem acho que seria possível”, escreveu. “Mas mesmo se isso fosse possível, acredito que a Meta atingiu um ponto em que faz sentido para nossas áreas de produto e negócios estarem mais integradas.”

O metaverso representa a principal aposta da Meta para criar uma alternativa às redes sociais, mercado em que vem enfrentando concorrência pesada do TikTok, adotada pelos mais jovens.

O reflexo desse cenário é a desaceleração no crescimento da base de usuários diários ativos do Facebook. No primeiro trimestre deste ano, ela avançou 4,3% em relação ao mesmo período de 2021. Já no primeiro trimestre de 2021, o salto havia sido de 7,7%, também em base anual.

A perda de popularidade do Facebook ficou evidente no final do ano passado. No quarto trimestre, pela primeira vez na história, a plataforma registrou perda de usuários entre um trimestre e outro. Na ocasião, a base de usuários diários ativos teve um leve recuo, de 1,93 bilhão para 1,29 bilhão.

Essa queda e o mau momento das empresas de tecnologia diante da alta das taxas de juros nos Estados Unidos fizeram a Meta perder US$237,2 bilhões em valor de mercado no dia seguinte à divulgação do balanço, maior perda diária da história do mercado americano.

Desgaste

Para além da priorização do metaverso, a saída de Sandberg ocorre depois de uma série de desgastes que a companhia enfrentou com relação a questões de privacidade de dados e moderação de conteúdo, que também acabaram caindo no colo da executiva. 

Ao longo dos anos, ela dividiu com Zuckerberg o papel de porta-voz da empresa em episódios polêmicos. Em 2018, prestou depoimento ao Congresso dos Estados Unidos em meio a acusações de que a Rússia utilizou a plataforma para supostamente manipular as eleições presidenciais.

No mesmo ano aconteceu o caso Cambridge Analytica, consultoria eleitoral que acessou, sem permissão, dados pessoais de milhões de usuários da rede social, manipulando de forma irregular as informações de usuários do Facebook nos Estados Unidos para fins eleitorais. 

Na postagem em que anunciou sua saída, Sandberg não detalhou os motivos de sua decisão. A executiva disse que quer dedicar mais tempo para a sua fundação, que tem duas iniciativas: incentivar o empoderamento feminino no mercado de trabalho e de estímulo à resiliência a pessoas e comunidades que passaram por traumas. 

Mas, de acordo com as fontes ouvidas pelo jornal The Wall Street Journal, ela confidenciou  que estava esgotada e que se tornou um “saco de pancadas” para os problemas da companhia. 

Por volta das 14h31, as ações da Meta subiam 4,87% na Nasdaq, a US$ 197,79. No ano, elas acumulam queda de 41,6%.

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