EXCLUSIVO: Na Constellation, antiga Queiroz Galvão Óleo e Gás, os credores dão um ultimato

O NeoFeed apurou que em uma reunião realizada na sexta-feira, 4 de fevereiro, os credores da dívida de US$ 1,8 bilhão deixaram claro para o conselho que podem liquidar a empresa

0
535
Leia em 3 min

Na manhã desta sexta-feira, 4 de fevereiro, aconteceu mais um capítulo decisivo na conturbada recuperação judicial da Constellation, antiga Queiroz Galvão Óleo e Gás. Fontes de mercado afirmaram ao NeoFeed que a companhia tem caixa para operar até abril e os credores da empresa, afundada em uma dívida de US$ 1,8 bilhão, foram para o “vai ou racha”.

Em uma reunião na qual estavam presentes o executivo Gabriel Pupo, da Reag Investimentos, representando a família controladora; Ronnie Vaz Moreira, presidente do conselho de administração da Constellation, e os bond holders David Daigle, da Capital Group; Kofi Bentsi, da Pimco; e Aníbal Valdés, da Moneda, os credores pediram um plano de governança para a companhia.

Nos últimos tempos, os credores têm negociado uma mudança na estrutura para mudar o capital da empresa. Hoje, 25,9% estão nas mãos da Capital Group e 74,1% estão com a família Queiroz Galvão. Os credores querem liderar uma reestruturação na qual seriam injetados US$ 60 milhões na companhia, uma das maiores fornecedoras de sondas da Petrobras.

Nesta reorganização, a família Queiroz Galvão ficaria com 27% da Constellation e o restante iria para as mãos dos bondholders, que ficariam com 47% da companhia, e dos chamados A-L-B Lenders, os bancos que financiaram os navios-sondas Amaralina, Laguna e Brava, de extração de óleo e gás em grandes profundidades, que teriam 26%.

Neste plano, que será votado em uma Assembleia Geral de Credores (AGC), em 7 de março, os credores querem a mudança no comando da empresa. “A família Queiroz Galvão não pode continuar no comando com 27% da companhia. Os credores foram claros nisso”, diz uma fonte que está a par do assunto. “Se isso não mudar, os credores não vão aprovar o plano e vão pedir a liquidação da empresa”, afirma.

Os bondholders e os A-L-B lenders concentram 80% da dívida. Só os bancos têm US$ 760 milhões a receber e, segundo outra fonte que conhece o processo, na situação atual, dificilmente receberão. “A Constellation tem uma geração de caixa de US$ 100 milhões por ano, mas a dívida é 18 vezes maior que isso”, diz essa fonte.

A relação entre os controladores e os bondholders não é das melhores. A própria Pimco tentou barrar o processo de recuperação judicial, em 2019. A assembleia marcada para o dia 7 de março era para ter acontecido no dia 31 de janeiro. “Os credores e os controladores estão conversando desde setembro e não chegam num consenso. A reunião de hoje foi um ultimato.”

A Constellation é o nome da antiga Queiroz Galvão Óleo e Gás, cujos maiores acionistas são a família Queiroz Galvão. A família, aliás, viu o nome de sua construtora, que também leva o seu nome, envolvida na operação Lava Jato. Os executivos da construtora foram condenados por corrupção, lavagem de dinheiro, cartel, fraude à licitação e organização criminosa. Depois, como várias condenações da Lava Jato, foram anuladas.

Procurada pelo NeoFeed e indagada sobre a reunião e sobre o caixa, a Constellation disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciaria.

Leia também

Brand Stories