Fundada por um brasileiro, a americana a Origin já vale R$ 2 bilhões

Com sede nos EUA, startup foi fundada pelo brasileiro João de Paula e desenvolveu um planejador financeiro para funcionários de outras empresas. Ela acaba de receber um aporte de R$ 290 milhões e deve desembarcar no Brasil em 2022

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João de Paula, cofundador da Origin

Aos 32 anos, o empreendedor João de Paula brinca que o trabalho já lhe rendeu alguns fios de cabelo branco. Agora, ele trabalha para que os outros se estressem menos e produzam mais.

Depois de passar pela experiência de abrir e fechar uma empresa, a Glio, um e-commerce de perfumes e cosméticos, ele fundou há três anos, junto com o americano Matthew Watson, a Origin, um planejador financeiro voltado a companhias que querem que seus funcionários percam menos tempo se preocupando com dinheiro.

Com uma base de clientes concentrada nos Estados Unidos, a Origin tem planos de expandir para outros países, a começar pelo Brasil. Para isso, a startup acaba de receber o seu terceiro aporte de investimentos, de R$ 290 milhões, liderado por 01 Advisors, General Catalyst e o investidor-anjo Lachy Groom.

Com a injeção de capital, a empresa passou a ser avaliada em R$ 2 bilhões. “Depois de termos provado as nossas teses no mercado, agora o nosso foco é ganhar escala”, afirma de Paula, cofundador e CTO da empresa, ao NeoFeed.

Boa parte do recurso será usada para aumentar a equipe, disse o empreendedor. Hoje, são 70 profissionais, número que deve mais do que dobrar, com a abertura de 100 vagas, das quais 60 no Brasil, a maioria com foco em produtos, design e tecnologia. “Continuaremos tendo 70% do nosso time dedicado a isso”, diz de Paula.

O empreendedor diz que a base de clientes está na casa das centenas. Entre elas, estão DocuSign, Udemy, Zynga, Nextdoor e Blend. Todas são sediadas nos EUA, mas, como a maioria é de tecnologia, contam com funcionários espalhados por outros países, como Canadá, Irlanda e Israel.

O número de funcionários que fazem parte da base ultrapassa a marca de 100 mil pessoas, que acessam a ferramenta pelo navegador. A meta da Origin é chegar a 1 milhão. A empresa, porém, prefere não divulgar um prazo. “Eu sou tendencioso para falar, mas acredito que será rápido”, brinca De Paula.

Ao servir como um planejador financeiro para os funcionários das empresas, a Origin quer ajudar os seus clientes a ter empregados mais produtivos. “Nos Estados Unidos, as pessoas gastam de duas a quatro horas por semana do horário de trabalho com finanças pessoais. Isso gera um impacto de US$ 500 bilhões por ano”, afirmou.

A Origin, que cobra um valor mensal da empresa por cada funcionário, diz que a receita cresceu 25 vezes nos últimos 12 meses, após ter recebido um aporte de R$ 63 milhões em sua rodada Séria A, liderada pelo fundo Felicis Ventures, em agosto de 2020.

Quando começar a atender empresas com sede no Brasil, a Origin vai se deparar com outras startups que já se oferecem ferramentas de organização financeira em seu leque de benefícios. Duas delas são a Quansa e a Xerpay, que possibilitam que os funcionários antecipem salários e organizem suas finanças.

A primeira é uma startup chilena que chegou ao Brasil em junho e desenvolve aplicativos personalizados para as empresas. A companhia anunciou em julho um aporte de US$ 3,6 milhões, em rodada liderada pelo Valor Capital Group.

A Xerpay, por sua vez, é uma fintech nascida em 2015 e cobra tarifas em cada antecipação de salário, em uma concorrência mais direta com instituições financeiras que atuam com crédito consignado.

Segundo de Paula, a Origin se diferencia no mercado pela capacidade de atuar globalmente, atacando problemas financeiros que são mais comuns em determinadas regiões.

“Se você mora em São Francisco, nos EUA, provavelmente estará preocupado com hipotecas ou empréstimos estudantis. Em São Paulo, vai estar mais preocupado com cartão de crédito ou crédito consignado”, diz o fundador da Origin.

Para conseguir ajudar os funcionários, a Origin se conecta a todas as contas que o usuário tem, seja de banco ou de investimentos, por exemplo. Com o histórico financeiro em mãos, a plataforma vai emitir “opinião” para eles, apontando o que é melhor a ser feito em determinadas situações, tendo em mente os objetivos financeiros da pessoa.

“Enquanto aplicativos como o Guiabolso apenas te dizem onde você está gastando, nós dizemos o quanto você deveria deixar de gastar em determinada situação para você atingir determinado objetivo”, afirmou.

Os “conselhos” não serão dados apenas pelas ferramentas da plataforma. Ele destaca que startup conta também com uma rede de mais de 200 consultores externos, que auxiliam as pessoas em suas decisões. “Se você quer comprar uma casa, a tecnologia vai te dizer qual é o melhor caminho e as melhores taxas. Mas só um consultor vai poder te dizer se você deveria ou não comprar uma casa”, afirma de Paula.

Por enquanto, a maior parte dos clientes da Origin é formada por empresas de tecnologia, que operam em uma acirrada disputa por mão de obra qualificada e por isso precisam investir em benefícios. Significa que os salários são mais altos e as necessidades financeiras não são de quem precisa se virar para pagar as contas do mês.

O empreendedor, porém, não quer se limitar a nenhum setor ou um perfil específico de usuário. “Queremos democratizar os serviços, chegar a quem não está no 1% mais rico e estamos prontos para isso”, afirmou.

Correção: a primeira versão desse texto informava que a Origin havia recebido uma rodada de US$ 3,6 bilhões do Valor Capital. O correto é US$ 3,6 milhões.

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