Grão de Gente investe R$ 10 milhões para “engatinhar” no metaverso

Empresa de enxoval e e-commerce de itens destinados a bebês prevê receita de R$ 236 milhões neste ano. Chegada ao metaverso não trará vendas diretas, mas pode ajudar na divulgação da marca

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Grão de Gente espera faturar R$ 236 milhões neste ano

O empreendedor Gustavo Ferro precisou de duas tentativas para criar um e-commerce com um faturamento de centenas de milhões de reais. A tacada bem-sucedida teve início em 2012, quando ele colocou no ar a Grão de Gente, site que comercializa produtos que vão de enxovais a berços e carrinhos de bebê. No ano passado, o negócio registrou receita de R$ 201 milhões.

Prestes a completar dez anos, a operação nasceu a partir da venda de outro e-commerce que Ferro criou quando ainda comandava uma agência voltada para comércio eletrônico e marketing de performance. Com o dinheiro obtido com a venda da página para um investidor, ele resolveu criar a Grão de Gente, apostando que o segmento iria crescer no ambiente online.

Com sede na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, a Grão de Gente apostou suas fichas de crescimento nos investimentos, principalmente, em marketing. A companhia se tornou um fenômeno nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores em suas perfis. Agora, a ideia é levar a operação para outra vertente digital: o metaverso.

Com um investimento de R$ 10 milhões, a Grão de Gente vai apostar na tecnologia que ainda engatinha, principalmente no e-commerce. “É preciso ter presença no maior número de espaços virtuais possíveis”, diz Ferro, fundador e CEO da Grão de Gente, em entrevista ao NeoFeed.

O plano, a princípio, não é usar o mundo virtual como um canal de venda, mas como uma vitrine em que o internauta poderá obter mais detalhes de cada um dos 50 mil produtos que são comercializados no site. “Não sabemos se vai dar para comprar lá”, afirma. “Talvez não seja um negócio que vai gerar conversão, mas vai agregar valor para a empresa como um todo.”

O investimento vem do próprio caixa da Grão de Gente, que até agora seguiu um caminho diferente de outras empresas de e-commerce e não recorreu ao mercado de capitais ou a fundos para financiar sua operação. Ferro, no entanto, não descarta que isso possa acontecer no futuro e diz que é procurado com frequência. Entretanto, diz que “o momento em que precisava trazer dinheiro já passou”.

Sobre o metaverso, o uso no comércio eletrônico ainda é raro. Especialmente no que diz respeito à venda de itens físicos. Uma das iniciativas nessa direção é a do McDonalds, que no começo do ano informou que pretendia criar uma loja em um dos ambientes virtuais. A ideia seria replicar a experiência do cliente de fazer um pedido numa loja real, mas sem que ele precisasse sair de casa. O lanche, real, chegaria por delivery.

Ainda que não represente um novo canal de vendas, o metaverso pode ajudar a Grão de Gente a conquistar mais consumidores. A experiência deve ser disponibilizada ainda neste ano, o que já pode ajudar a impactar na receita que a companhia espera para este ano, que deve ficar em torno de R$ 236 milhões – um aumento de 17,4% ante 2021.

Nas redes e no mundo real

Ainda que o metaverso represente um avanço na estratégia digital, a maior parte das vendas, no entanto, ainda deve se dar por conta da presença que a companhia construiu em redes sociais. São 4,5 milhões de seguidores no Instagram, 5 milhões no Facebook, além de mais de 340 mil no YouTube, 260 mil no Pinterest e outros 150 mil no TikTok.

Para efeito de comparação, o Mercado Livre tem 3,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto o perfil brasileiro da Amazon tem 1,4 milhão. Já gigantes como Magazine Luiza e Americanas tem 5,9 milhões e 13,1 milhões de seguidores respectivamente. O público-alvo dessas plataformas, no entanto, é bem maior pela gama de produtos ofertada.

A Grão de Gente não revela o número de clientes ou a quantidade de acessos ao site. Dados da Similar Web, empresa que mapeia o tráfego online, estimam que a companhia tenha recebido 1,5 milhão de visitas em seu site durante o mês de maio. Concorrente direta e no mercado desde 2011, a Tricae, por sua vez, recebeu 980 mil acessos no período.

Fora da internet, a operação da Grão de Gente está estruturada com 85% das vendas de um portfólio com itens produzidos pela própria companhia a partir de três fábricas localizadas em São Paulo. São produtos como roupas, mochilas, bolsas, babadores, artigos de decoração, almofadas, entre outros. A linha de enxoval responde por 52% da receita.

O restante dos produtos, com itens como carrinhos, cadeirões, produtos eletrônicos e móveis, são obtidos com fornecedores como Philips Avent, Multikids, Fisher Price e Cosco, entre outros.

Apesar de vender produtos de outras marcas, a companhia não opera como marketplace. Ferro diz que há um plano para abrir o site para novos vendedores, mas as conversas e negociações com outras empresas ainda estão em andamento. Em relação às vendas, aliás, a companhia informa que comercializa 2 mil itens por dia em sua plataforma.

Gustavo Ferro, fundador e CEO da Grão de Gente

Também longe do mundo digital, a Grão de Gente quer chegar ao “mundo real”. “A gente tem que ir para o mundo físico”, diz Ferro. A ideia de abrir uma loja física estava prevista para ser colocada em prática neste ano, mas o empresário admite que isso pode ficar para 2023 por questões orçamentárias.

O obstáculo seria um momento mais conturbado do e-commerce nesse ano. O crescimento de 5% nas vendas online no primeiro semestre, que somaram R$ 73,5 bilhões de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), pode fazer com que o setor termine o ano com vendas de R$ 165 bilhões. O valor está abaixo da expectativa, que girava em torno de R$ 169,6 bilhões.

Segundo a Abcomm, a desaceleração deve-se ao aumento nos custos de frete, que são impactados pelo preço dos combustíveis, a taxa de juros mais elevada em relação ao ano passado e o crescimento no endividamento das famílias.

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