Do metaverso para a casa do cliente: a estratégia do McDonald’s para ocupar os dois mundos

Nos EUA, a rede de fast food pretende criar uma loja no metaverso em que os pedidos serão feitos no mundo virtual e a entrega realizada no mundo real

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Na tentativa de popularizar o conceito do metaverso, empresas de diferentes setores estão embarcando nessa espécie de “Second Life 2.0”. Muitas nem sabem ainda o que vão fazer, mas já estão abrindo lojas virtuais, comprando terrenos no mundo digital e por aí em diante. Poucas têm uma estratégia de entrar nesse universo e, assim, capturar vendas no mundo real.

O McDonald’s parece ter uma estratégia bem definida para ganhar espaço no mundo virtual e – de quebra – elevar as vendas no mundo real. A rede de restaurantes registrou uma série de marcas comerciais relacionadas aos negócios do McDonald’s e do McCafe.

Uma das marcas registradas consiste em “produtos virtuais de alimentos e bebidas”, o que inclui as NFTs. Também foram registrados serviços e eventos de entretenimento, com concertos que poderiam ser sediados no metaverso.

O que chama a atenção, no entanto, é uma outra marca e que está relacionada à operação de restaurante virtual online com entrega em domicílio – neste caso, um que realmente existe e não é feito por bits e bytes. A ideia é de que, dentro do metaverso, um consumidor possa fazer o pedido de um lanche para ser entregue em sua residência.

Advogado especializado no registro de marcas nos Estados Unidos, Josh Gerben explicou a estratégia no Twitter. “Você está no metaverso e fica com fome. Você não precisa largar o fone de ouvido. Você entra em um McDonald’s e faz um pedido. Ele chega à sua porta um pouco mais tarde”, escreveu.

Ainda que bastante embrionário, o movimento da cadeia de restaurantes responsável pelo Big Mac mostra uma ação que difere um pouco de outras grandes empresas que, por ora, revelaram planos para usar o metaverso apenas como um ambiente virtual e sem uma conexão prática com o mundo real com a venda focada apenas em NFTs.

Marcas do setor de moda e vestuário atuam de forma diferente com a tecnologia. A Nike, por exemplo, já colocou está com seus pés no metaverso desde novembro do ano passado. Mas utiliza a tecnologia apenas como uma vitrine para que os usuários possam vestir seus personagens virtuais hospedados na plataforma Roblox com produtos da marca.

No fim do ano passado, a companhia americana anunciou a aquisição da RTFKT Studios, uma empresa que fabrica calçados virtuais em formato de NFT para o metaverso. A compra teve como justificativa se tratar de uma “marca líder que alavanca a inovação de ponta para entregar colecionáveis de próxima geração que mesclam cultura e jogos”.

A ideia, que parece absurda à primeira vista, vem movimentando milhões de dólares. No ano passado, a RTFKT realizou a venda de NFTs de alguns pares de tênis virtuais de uma coleção exclusiva e que custavam entre US$ 3 mil e US$ 10 mil. Mais de 600 pessoas compraram os produtos, gerando uma receita de US$ 3,1 milhões em menos de 10 minutos.

Mas, ao contrário de um lanche com batata frita e refrigerante e que realmente poderá ser entregue em casa, os produtos da Nike ainda existem somente numa realidade paralela e que exige, pelo menos, um dispositivo eletrônico com conexão à internet.

Imóveis virtuais e, agora, de tijolo e concreto

O McDonald’s não é a única companhia a enxergar na nova tecnologia uma possibilidade de alavancar suas vendas sem precisar recorrer somente às NFTs.

O mercado imobiliário também embarcou nessa ideia de metaverso. Um estudo realizado pela MetaMetric Solutions, empresa que atua com um provedor de dados do metaverso, aponta que as vendas de imóveis nas principais plataformas imobiliárias que atuam com este mundo virtual superaram US$ 501 milhões em 2021 e o valor pode dobrar neste ano.

O problema é que a maioria dos imóveis ainda existe somente num plano virtual, mas isso está começando a mudar. No começo deste ano, a imobiliária One Sotheby’s International Realty em parceria com a empresa de arquitetura Voxel Architects e o empreiteiro e colecionador de NFTs Gabe Sierra passaram a usar a tecnologia para recriar um imóvel que está em fase de construção no mundo real dentro do metaverso.

A ideia é comercializar as duas propriedades – tanto a que fica em Miami como a que existe em outra realidade – de uma só vez. Inicialmente, o espaço virtual será usado como uma forma de anunciar o imóvel que fica num terreno com mais de 4 mil metros quadrados, tem sete quartos e nove banheiros. Depois da venda, a casa poderá ser utilizada pelo proprietário da forma como desejar dentro do metaverso. O valor ainda não foi definido.

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