Itaú Unibanco volta a superar marcas e prevê “normalização” na inadimplência

Após reportar um lucro líquido recorrente de R$ 7,36 bilhões no primeiro trimestre, alta anual de 15%, o banco vê uma elevação gradual dos níveis de inadimplência, voltando aos patamares pré-pandemia

0
0
Leia em 3 min

O Itaú Unibanco está avaliado em R$ 210 bilhões na B3

Depois de fechar 2021 com um lucro líquido recorrente de R$ 26,8 bilhões, em seu melhor ano no indicador, o Itaú Unibanco voltou a superar marcas nessa linha do balanço ao divulgar seu resultado referente ao primeiro trimestre de 2022 na manhã desta segunda-feira, 9 de maio.

O banco fechou o trimestre com um lucro líquido recorrente de R$ 7,36 bilhões, o que representou um crescimento de 15% sobre igual período, um ano antes, e de R$ 2,8% frente ao quarto trimestre de 2021.

“A palavra que resume nosso resultado do trimestre é consistência”, afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em conferência com jornalistas nesta segunda-feira. “Tivemos um trimestre forte, com boa rentabilidade, apesar de um cenário já mais desafiador.”

Entre os fatores destacados pelo executivo para justificar essa “consistência” estão o crescimento anual de 13,9% da carteira de crédito, que somou R$ 1,03 trilhão, com destaque para o segmento de pessoas físicas no Brasil, que avançou 33%.

“Tivemos uma melhora progressiva das margens e também na receita de serviços, mesmo com o crescimento dos atrasos e do custo de crédito”, disse ele, citando outros ingredientes por trás do resultado. “E temos todas as condições para atravessar 2022 mantendo um balanço extremamente robusto.”

No período, a margem financeira cresceu 12,9% e chegou a R$ 21 bilhões. A receita de prestação de serviços e resultados de seguros e previdência, por sua vez, avançou 14,3%, para R$ 12,5 bilhões.

Já o custo do crédito foi de R$ 7 bilhões, um salto anual de 69,5%. O banco atribuiu esse avanço ao aumento de 57,8% na despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD), justamente em função da forte expansão da carteira de crédito de varejo nesse intervalo.

Dentro dessa carteira, o índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,6%, contra 2,3%, há um ano, e 2,5%, no quarto trimestre de 2021. A expectativa de Maluhy Filho e do banco é de que, gradativamente, esses números voltem aos patamares pré-pandemia.

“Nós passamos dois anos com índices de atraso bem baixos, nos mínimos históricos”, afirmou o CEO do Itaú. “E esperamos uma normalização gradual da inadimplência ao longo desse ano. A expectativa é que os atrasos subam levemente e se estabilizem nos patamares pré-crise.”

Em função do cenário macroeconômico mais instável, o executivo acrescentou que um dos movimentos do Itaú Unibanco tem sido reduzir o foco na conquista de novos clientes em cartões de crédito e priorizar a venda para clientes que já estão na base do banco.

“A gente já vem reduzindo de forma importante desde o segundo semestre de 2021”, disse Maluhy Filho. “Justamente por entender que esse é um produto mais volátil e onde o crédito é um pouco mais arriscado.”

Por volta das 11h, as ações do Itaú Unibanco recuavam 2,23% na B3, cotadas a R$ 23,26. No ano, os papéis do banco, avaliado em R$ 210 bilhões, acumulam uma valorização de mais de 11%.

Leia também

Brand Stories