Insiders

Mark Zuckerberg, o homem que copiava

O empresário foi recentemente criticado por “plagiar” o aplicativo chinês TikTok. Mas isso não é novidade na história da rede social: Facebook, WhatsApp e Instagram já incorporaram ferramentas que começaram em outras companhias de tecnologia

 

As duas faces de Mark Zuckerberg   Foto: Brian Solis, www.briansolis.com

Para entender o presente é preciso conhecer o passado: vem de berço a fama de “plagiador” do Facebook, que ganhou mais força depois do lançamento do app Lasso, considerado uma imitação do aplicativo chinês TikTok.

A maior rede social do mundo, hoje avaliada em US$ 556 bilhões, foi fundada em 2004 por Mark Zuckerberg e seus amigos. Há quem diga, porém, que a ideia é fruto de uma cópia – ou, no mínimo, de uma ideia roubada.

Aluno de Harvard, Zuckerberg tinha como colegas os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, responsáveis pelo site ConnectU (que nasceu sob a alcunha “HarvardConnection”). Tratava-se de uma rede social para conectar jovens universitários.

Em 2003, os irmãos Winklevoss contrataram Zuckerberg para editar alguns dos códigos de seu site, e semanas depois o thefacebook.com foi ao ar. Na época, os gêmeos alegaram que Zuckerberg, além de roubar a ideia dos dois, usou parte do código do ConnectU no site que levou ao ar.

O caso, narrado no premiado filme “A Rede Social”, também repercutiu nos tribunais. Os Winklevoss processaram o ex-colega em algumas oportunidades, mas em 2011 aceitaram o acordo proposto pelo Facebook.

Cameron e Tyler Winklevoss embolsaram US$ 20 milhões em espécie e receberam ações da companhia. Na época, a rede social era avaliada em US$ 50 bilhões, o que colocava o acordo total no patamar de US$ 160 milhões.

Evan Spiegel, criador do Snapchat, teve sua criação copiada por Zuckerberg

Evan Spiegel, um dos fundadores do SnapChat, não teve a mesma “sorte” – até porque não experimentou a mesma proteção judicial. O aplicativo, levado ao ar em 2011, foi feito para que os usuários compartilhassem fotos, mensagens e vídeos curtos com uma duração máxima de 24 horas.

As particularidades da rede social do fantasminha pareciam agradar em cheio aos jovens pré-adolescentes e adolescentes, um público que escapava das mãos de Zuckerberg. Por isso, em 2013, o Facebook ofereceu US$ 3 bilhões para adquirir a empresa de Spiegel, que negou a oferta. Hoje, o Snap é avaliado em US$ 19 bilhões e conta com um sócio de peso, a chinesa Tencent.

Só assim mesmo para enfrentar a rede social de Zuckerberg. Sem conseguir levar o Snap para casa, em 2014 o Facebook anunciou o app Slingshot, que funcionava da mesma maneira que o Snapchat.

A pouca tração de usuários, entretanto, fez com que o Facebook recalculasse a rota e incorporasse a ferramenta de vídeos “efêmeros” no próprio Instagram. O chamado “stories”, nascido em 2016, seria, portanto, a resposta de Zuckerberg à negativa de Spiegel.

Toda equipe da rede social sabe – e deixa claro – que um de seus recursos mais populares foi, na verdade, “inspirado” na criação de terceiros. A lei, tanto de direitos autorais como de trademark, não protege a adoção de ferramentas como a do Snapchat story – sobretudo quando se dá o crédito.

Plágio do plágio

Mas a máquina de “xerox” de Mark Zuckerberg continuou em ação. Este ano, o empreendedor foi acusado de plagiar também o WeChat, aplicativo chinês de comunicação, com mais de um bilhão de usuários ativos por mês.

Tal qual o app asiático, o Facebook passou a oferecer a opção de grupos fechados para a comunicação online e estabeleceu meios de pagamento – dois serviços já oferecidos (e bem-sucedidos) no WeChat.

Para colocar mais lenha nessa fogueira da inquisição do plágio, em junho deste ano, o banco online Current acusou o Facebook de se apropriar de seu logo. De acordo com a reclamante, o logo da Calibra, subsidiária criada para administrar a criptomoeda do Facebook, a Libra, é exatamente igual ao seu. Detalhe: ambas as empresas contrataram o mesmo estúdio de design para definir sua identidade visual.

Enquanto ali há margens para discussão, a rede social sequer tenta refutar as acusações de cópia que recebe dos amantes do TikTok.

Criado em 2012, o aplicativo chinês foi o terceiro mais baixado no primeiro trimestre de 2019 e chegou a um bilhão de usuários – muitos fora da China.

Criado em 2012, o TikTok foi o terceiro aplicativo mais baixado no primeiro trimestre de 2019 e chegou a um bilhão de usuários

Também popular entre uma audiência mais jovem, entre 9 e 15 anos, a rede social chinesa focou em conteúdo musical, permitindo que seus usuários dublassem canções em vídeos de até 15 segundos.

Seguindo a máxima “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, Zuckerberg incorporou a ideia em um aplicativo à parte, o Lasso, que tem o mesmo propósito e funcionalidade do TikTok.

E, acreditem, até o nome da nova investida, Lasso, está envolto em confusão. O empresário Blair Sargent lançou, em 2017, uma rede social, voltada para encontros de pessoas que buscam fazer amigos na vida real, com essa mesma alcunha. Isso fez com que milhares de pessoas baixassem seu aplicativo por engano, apenas para deletá-lo na sequência.

Os dados de retenção do aplicativo de Sargent caíram vertiginosamente, o que elevou a necessidade de gastos com publicidade e outras ferramentas de comunicação. Curioso é que, a Lasso, de Sargent, havia investido US$ 12 mil em anúncios no Facebook, justamente o seu “algoz”.

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