Mastercard quer saber se você é você. E está pagando US$ 850 milhões por isso

A Mastercard está comprando a Ekata, uma empresa de verificação de identifidade que avalia uma série de comportamentos online que indicam se a pessoa que está fazendo uma transação é, de fato, quem ela diz ser

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Com o objetivo de aumentar a segurança nas transações feitas online, a Mastercard anunciou nesta segunda-feira, 19 de abril, a compra da empresa de verificação de identidade Ekata por US$ 850 milhões.

A solução desenvolvida pela Ekata avalia uma série de comportamentos online que indicam se a pessoa que está abrindo uma conta ou fazendo uma transação online é, de fato, quem ela diz ser.

A verificação inclui informações como a distância entre o IP e o endereço de entrega e a quantidade de transações realizadas. A ferramenta funciona de maneira semelhante a um score de crédito, mas aplicado à identidade.

“A aceleração das transações online trouxe a verificação de identidade para o primeiro plano como uma das maiores oportunidades de construir confiança e combater fraudes”, disse Rob Eleveld, CEO da Ekata, em nota oficial.

A estratégia da Mastercard é reforçar seu ambiente de segurança em um momento em que a pandemia acelerou as transações online. Mesmo quando o novo coronavírus estiver controlado, é improvável que o comércio retorne ao formato pré-pandêmico e o e-commerce ganhará ainda mais força.

Um relatório divulgado pela Mastercard Economics Institute no início de abril apontou que o e-commerce fez US$ 1 em cada US$ 5 dólares gastos no varejo globalmente em 2020, contra US$ 1 em cada US$ 7 em 2019. Segundo o estudo, os consumidores gastaram US$ 900 bilhões a mais em comércio eletrônico em 2020.

Em entrevista à rede americana CNBC, o economista-chefe da Mastercard, Bricklin Dwyer, afirmou que 20% a 30% desse gasto excedente em plataformas digitais vai se manter em 2021, mesmo com a reabertura das lojas físicas.

Nesse cenário, a Mastercard vem aprimorando suas soluções de detecção de fraude. O score de identidade da Ekata vai ser incorporado ao sistema na busca por um ambiente online mais seguro para consumidores e plataformas de e-commerce.

“Com a Ekata, vamos avançar nossa capacidade de identificação e criar uma maneira mais segura para nossos consumidores provarem quem eles dizem ser na nova economia”, afirmou Ajay Bhalla, presidente de cibersoluções e inteligência na Mastercard, em nota oficial.

A startup surgiu como um serviço de detecção de fraudes integrado ao site Whitepages, um banco de dados com informações de contato de 275 milhões de americanos, equivalente as antigas páginas amarelas no Brasil. Chamava-se Whitepages Pro.

Em junho de 2019, a área se tornou independente e adotou a nova marca Ekata. Desde então, não recebeu nenhum aporte, de acordo com os sites Pitchbook e Crunchbase.

Entre os mais de dois mil clientes da Ekata estão a marca de roupas Patagonia, o aplicativo de transporte Lyft, a plataforma de pagamentos online Stripe e a instituição financeira Equifax.

A aquisição ainda precisa ser aprovada por agências reguladoras dos Estados Unidos, que devem demorar seis meses para avaliar a transação.

Em janeiro deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos bloqueou a aquisição da Plaid pela Visa, um negócio de US$ 5,3 bilhões.

A fintech desenvolve soluções que permitem que os consumidores compartilhem informações financeiras com milhares de aplicativos e serviços, como Acorns, Betterment, Chime, Transferwise e Venmo.

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