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Monta e desmonta: Lego vai pagar pela sua criatividade

Empresa dinamarquesa de blocos de montar Lego colocou no ar uma plataforma de colaboração inédita. Ideias aprovadas podem ser recompensadas com até US$ 50 mil. E a empresa vai destinar US$ 500 mil todos os anos até 2023 nesse projeto

 

Lego teve lucro de US$ 1,7 bilhão em 2019 (Foto: Reprodução / Lego World Builder)

A Lego colocou no ar uma plataforma de colaboração inédita e basicamente tornou seu departamento de criação “open source”. Em parceria com a empresa de tecnologia Tongal, a companhia dinamarquesa de blocos de montar estruturou um site para concentrar e organizar as milhares de sugestões de criação que recebe todo ano.

No portal Lego World Builder, qualquer pessoa com mais de 18 anos pode enviar ideias de histórias, universos e personagens, ou então ajudar a lapidar propostas já existentes. O time de criação da Lego também vai interagir com usuários, que podem ainda receber recompensas financeiras pelas sugestões mais promissoras.

Segundo o jornal The Wall Street Journal, a companhia dinamarquesa já estabeleceu em seu orçamento que o projeto deve receber US$ 500 mil anuais, pelos próximos três anos. Todo o dinheiro será destinado ao pagamento dos usuários autores das melhores ideias. 

A Lego vai desembolsar US$ 10 mil às propostas dignas de protótipos e US$ 50 mil às que avançarem para a fase de produção. 

Esse modelo colaborativo é bastante semelhante ao Lego Ideas, uma iniciativa que aceita sugestão para novos brinquedos e remunera os criadores com uma taxa sobre os direitos autorais e mais 1% do total das vendas do produto.

A grande diferença entre essas plataformas, porém, é que o Lego World Builder se propõe a encontrar franquias e não apenas sets de brinquedos individuais. “Se nós amarmos o mundo da ‘princesa sereia alienígena’, podemos criar conteúdo, brinquedos e uma atração em nosso parque. Tudo baseado naquele conceito”, disse Keith Malone, diretor sênior de desenvolvimento de entretenimento da companhia ao WSJ.

A expectativa é que a nova plataforma consiga manter o fôlego da empresa, que revelou em seu último relatório que cerca de 60% de seu portfólio anual é composto por novidades.

Além disso, a estratégia de escrever novas histórias pode trazer para a Lego uma alternativa às parcerias caras, mas bem-sucedidas, com franquias de séries e cinemas. 

O acordo firmado com a saga Star Wars, em 1999, ainda rende muito frutos. Os sets inspirados no universo criado por George Lucas ainda são um dos mais procurados da companhia. De acordo com o último relatório financeiro, Lego Star Wars perde apenas para os sets do universo Lego City. 

Outra “franquia” televisiva que faz sucesso na versão bloco de montar é a série americana Friends, que ganhou o mundo dos brinquedos em janeiro de 2012, e aparece na quarta posição dos sets de Lego mais procurados de 2019. 

O desempenho dos blocos relacionados a esses clássicos de Hollywood foram fundamentais para o crescimento de 6% da receita da empresa, que chegou a US$ 6,1 bilhões no ano fiscal de 2019. O lucro para o período foi de US$ 1,7 bilhão.

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