Na lanterna dos afogados, AMC aluga suas salas de cinema por US$ 99

Com baixa procura, salas vazias e escassez de lançamentos por parte de Hollywood, a maior rede de salas de cinema do mundo apela para exibições exclusivas para tentar amenizar suas perdas milionárias

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Interessados podem convidar até 19 amigos para uma sessão privativa

Com queda de 85% em sua operação e perspectiva de ficar sem dinheiro já no primeiro trimestre de 2021, a rede de salas de cinema AMC vive um drama digno das novelas mexicanas. Para reescrever sua história e tentar um final (um pouco mais) feliz desta crise, a empresa vai permitir que cinéfilos aluguem uma sala inteira por US$ 99. 

A experiência aceita que cada interessado convide até 19 amigos por sessão e, por esse preço, permite a exibição de clássicos como “Jurassic Park” e “O Estranho Mundo de Jack”. Para títulos mais recentes, como “Tenet” e “Os Novos Mutantes”, a AMC está cobrando US$ 349 a sessão.

Caso um usuário consiga reunir tantos amigos e conhecidos, o preço é bastante competitivo. Em cidades como Los Angeles, ingressos para adultos em uma sessão convencional custam, em média, US$ 13. Ao dividir os custos de uma sessão privada em até 20 interessados, o valor do ingresso seria US$ 17,50.

Mas a brincadeira pode ficar bem mais cara se os cinéfilos quiserem tornar a experiência mais exclusiva. Alugar um microfone para saudar os amigos, por exemplo, adicionaria US$ 100 à conta. Se a turma em questão demorar mais que os habituais 15 minutos para se instalar na sala reservada, a AMC cobra US$ 250 adicionais. O mesmo valor é praticado aos grupos que optarem por levar sua própria comida e bebida. 

Todo o processo de reserva das salas, bem como as regalias adicionais, são negociados diretamente no site da companhia. A medida é vista como necessária, já que o setor foi um dos mais afetados pela crise do novo coronavírus.

Em março deste ano, a AMC e outros players do setor suspenderam completamente suas atividades. No fim de agosto, a companhia retomou gradativamente sua operação e, hoje, estão abertos 494 complexos dos 598 que mantém nos EUA. A capacidade das salas foi reduzida entre 20% e 40%, e ainda há unidades fechadas na Califórnia, Maryland, Nova York, Carolina do Norte e Washington.

O público, contudo, ainda não voltou às salas de cinema. A baixa procura tem a ver com a pandemia, mas também com a falta de novidade. Por força das circunstâncias, grandes estúdios estão adiando o lançamento de títulos relevantes.

O longa “007 – Sem Tempo Para Morrer”, por exemplo, teve sua estreia remanejada – em vez de chegar às telonas em novembro deste ano, o agente secreto mais famoso do mundo só deve ganhar os cinema em abril de 2021. “É uma coisa que é maior que qualquer um de nós. Queremos apenas que as pessoas possam ir ao cinema de uma maneira correta e segura”, disse Daniel Craig, o ator que dá vida a James Bond, em conversa com o apresentador americano Jimmy Fallon. 

Essa conjuntura de acontecimentos coloca a AMC na “tempestade perfeita”. No último relatório trimestral da companhia, fechado em junho deste ano, a receita dos três meses foi de US$ 18,9 milhões, uma “fração” da receita de US$ 1,5 bilhão anotada no mesmo período do ano passado. O prejuízo da AMC, segundo o documento, foi de US$ 561,2 milhões. 

Um dos principais concorrentes da companhia, a rede Regal, anunciou que voltaria a pausar suas operações nos Estados Unidos e Inglaterra, afetando 40 mil funcionários americanos e 5 mil ingleses.

A reabertura das salas Regal depende da agenda dos lançamentos de Hollywood, mas a AMC relembra em seu relatório que, “com a nova onda de suspensão temporária das salas de cinema por conta da pandemia, é provável que os estúdios adiem ainda mais seus lançamentos ou optem por fazê-lo diretamente em plataformas de streaming”. 

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