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No rally da carne, JBS e Marfrig ainda têm lenha para queimar, prevê BoFA

Em relatório, o Bank of America diz que as duas empresas vão ser favorecidas pelo crescimento inesperado das margens da carne bovina dos Estados Unidos e aumentam o preço-alvo das ações, a despeito de avançarem mais de 40% desde o início do ano

 

As ações dos frigoríficos JBS e Marfrig estão avançando 49,1% e 44,5%, respectivamente, em 2021, mas o Bank of America (BofA) acredita que elas têm ainda potencial de valorização, segundo relatório divulgado para clientes nesta terça-feira, 20 de abril.

“Em nossa opinião, a dinâmica dos lucros melhorou, principalmente devido a um aumento inesperado nas margens da carne bovina nos Estados Unidos”, diz um trecho do relatório, assinado pelos analistas Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera.

O preço-alvo de ambas as ações subiram. O da JBS passou de R$ 40 para R$ 46 – os papéis estão sendo vendidos acima de R$ 35 nesta terça-feira, 20 de abril, um potencial de valorização de 31%. No Marfrig, o preço-alvo foi de R$ 22 para R$ 27 – hoje, eles estão na faixa de 20, upside na casa dos 35%.

Na visão do trio de analistas, as margens de carnes bovinas nos Estados Unidos aumentaram no primeiro trimestre de 2021 para níveis recordes, apoiadas por um consumo doméstico muito forte, reabertura dos serviços de alimentação e preços baixos do gado. “Isso deve apoiar resultados bastante sólidos para JBS e Marfrig.”

Por outro lado, o Brasil está enfrentando um cenário oposto ao dos Estados Unidos. Isso impacta JBS e Marfrig, mas em pequena escala, segundo o relatório. Por aqui, os preços do gado subiram 19% em 2021. Só nos três primeiros meses deste ano, a alta foi de 50%.

Com base nesse cenário, o BofA estima que o Ebitda da JBS vai subir para R$ 26,7 bilhões em 2021, uma alta de 4%. O frigorífico deve ter também um ano de forte fluxo de caixa, que deve ser utilizado para pagar dividendos e financiar M&As.

A JBS acaba de comprar a Vivera por R$ 2,3 bilhões, companhia holandesa que é a terceira maior fabricante de alimentos à base vegetal para substituir a proteína animal. A empresa estaria também interessada na americana Conagra, de alimentos processados, e na alemã Toennies, de alimentos industrializados.

No caso da Marfrig, a estimativa é que o Ebtida aumente 12% para R$ 6,8 bilhões em 2021. No primeiro trimestre, a expansão deve ser de 27%, para R$ 1,55 bilhão. Nos Estados Unidos, o avanço vai ser superior a 70%, com margem de 11%, segundo o BofA.

“A Marfrig está altamente exposta ao negócio de carne bovina dos Estados Unidos e pode ser vista como um player puro”, escreveram os analistas.

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