No Vale do Silício, a diversidade começa a chegar ao cap table

Sukhinder Singh Cassidy, uma das investidoras do Diversify Capital Fund, da Acrew Capital, conta no Brazil at Silicon Valley que o “dinheiro mais diverso” está ganhando destaque nas rodadas

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Sukhinder Singh Cassidy é também ex-presidente da Amazon para Ásia, Pacífico e Latam

Mountain View (Califórnia) – Quem faz parte de seu cap table? Para Sukhinder Singh Cassidy, ex-presidente da Amazon para Ásia, Pacífico e Latam; e ex-business development manager do Google, essa questão sobre a diversidade na capitalização é tão ou mais importante do que a diversidade no conselho e na equipe de uma empresa.

No palco do Brazil at Silicon Valley, evento que o NeoFeed acompanha in loco, direto de Mountain View (Califórnia), a executiva insistiu na responsabilidade dos fundadores em acolher cheques de investidores que fogem do padrão tradicional.

“Se você permitir que investidores heterogêneos tenham acesso à criação de riqueza, eles provavelmente vão ter mais recursos para investir em outros fundadores e startups – que, por sua vez, têm mais chances de ser diversos também”, disse ao NeoFeed após a sua palestra.

Discordando da ideia de que os cheques e avaliações têm encolhido – “os investimentos estão encontrando o seu tamanho certo” –, Sukhinder entende a tentação de acolher uma proposta maior, mas argumenta que isso não é desculpa para não lutar pela diversificação do capital.

“Quando existe uma demanda, você tem o poder de escolha, e acho que é necessário ser consciente na hora de montar o painel de capitalização, buscando a igualdade no influxo de investimento”, diz.

Embora confesse que essa mentalidade e discussão esteja em fase inicial no Vale do Silício, Sukhinder afirma que já foi abordada por alguns fundadores que ofereceram a ela a possibilidade de investimento, simplesmente porque querem diversificar o cap table de suas companhias.

Num papel mais ativo, a executiva conta que dedica uma parte de seu tempo ao fundo Diversify Capital Fund, da Acrew Capital, que levantou US$ 300 milhões para growth fund com centenas de LPs diversos.

“Fomos os primeiros a fazer isso: agregamos LPs e indivíduos diversos. São mulheres e pessoas de várias raças, em diferentes orientações. E nós vamos a empresas de tecnologia, e dizemos, ‘ei, como você está levantando sua rodada de US$ 100 milhões, gostaríamos de colocar nosso cheque, não precisamos liderar, mas nós representamos centenas de LPs diversos’. Sabe o que dizem os fundadores? Excelente! Todos amam essa ideia”.

A aposta de Sukhinder é pelo efeito dominó – e com mais investidores vindos de minorias e populações historicamente vulneráveis, empreendedores com a mesma trajetória talvez tenham mais chance.

“As estatísticas mostram que fundos com investidores diversos são mais prováveis de construir um portfólio diversificado. No nosso caso, por exemplo: não dizemos que estamos investindo em fundadores heterogêneos e, no entanto, 88% dos nossos investimentos vão para startups diversificadas”, diz ela.

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