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Nos dez anos de seu IPO, dez fatos sobre a trajetória da Tesla

Desde que abriu capital, as ações da fabricante de carros elétricos de Elon Musk acumulam uma valorização de mais de 6.400%. Esse roteiro, no entanto, não foi feito só de glórias. O NeoFeed selecionou os altos e baixos da fabricante de carros elétricos nessa trajetória

 

Elon Musk, fundador e CEO da Tesla

Nesta quinta-feira, 2 de julho, a Tesla, fabricante de carros elétricos do bilionário Elon Musk, voltou a percorrer um trajeto que já está se tornando comum para a empresa em 2020, mesmo no cenário de crise da pandemia: a escalada de suas ações, negociadas na Nasdaq.

Antes da abertura do mercado, os papéis da Tesla alcançaram a alta histórica de US$ 1.229. E com um ganho de 7,95%, encerraram o dia cotados a US$ 1.208,66.

Um número, em particular, explica os ganhos da fabricante americana no dia. A Tesla anunciou que vendeu 90.650 veículos da marca no segundo trimestre de 2020, superando as estimativas de analistas, que apontavam para uma faixa entre 72 mil e 83 mil unidades no período.

Apesar do volume representar uma queda de 4,8% na comparação anual, o índice é bem inferior aos recuos registrados pelo quarteto formado por Toyota, General Motors, Fiat Chrysler e Ford, que registraram uma queda de mais de 30% nas vendas no segundo trimestre.

Outro indicador recente reforça o momento positivo da Tesla no mercado de capitais. No pregão da quarta-feira, 1⁰ de julho, a empresa superou a Toyota e tornou-se a montadora mais valiosa do mundo, com um valor de mercado de US$ 223 bilhões, antes cerca de US$ 200 bilhões da fabricante japonesa.

Os novos ralis chegam em uma semana que marca duas datas importantes na trajetória da Tesla. Ontem, a empresa completou 17 anos de fundação. E na segunda-feira 29, dez anos de sua abertura de capital.

No IPO, a empresa captou US$ 226 milhões e foi avaliada em cerca de US$ 1,7 bilhão, com a ação precificada em US$ 17. Desde então, os papéis da companhia acumularam uma valorização de mais de 6.400%.

Se os números impressionam, os primeiros anos da Tesla sob os olhares de Wall Street foram mais modestos. A escalada de suas ações na Nasdaq seguiu em marcha lenta nos primeiros anos. O papel só superou a casa de US$ 100 exatos três anos depois da abertura de capital.

Desde a abertura de capital, as ações da Tesla acumularam uma valorização de mais de 6.400%

Os anos seguintes trouxeram uma curva ascendente, porém, tímida e intercalada com derrapadas e baixas na cotação. A Tesla só engatou uma trajetória mais consistente a partir do fim de 2019. E ganhou tração, de fato, neste ano, período no qual suas ações já acumulam uma valorização de mais de 160%.

Entre altos e baixos, o NeoFeed selecionou dez pontos que marcaram os rumos da fabricante nessa década em Wall Street. Confira:

1 – Pechincha
Em 2010, a Tesla adquiriu uma fábrica em Fremont, no norte da Califórnia, que até então era operada em conjunto pela GM e a Toyota. A empresa se beneficiou dos efeitos da crise de 2008 e de seus efeitos na operação da GM para comprar a instalação, sua primeira unidade de produção, com um bom desconto, por US$ 42 milhões. Hoje, mais de 10 mil funcionários trabalham na operação.

2 – Promessas e frustrações
A combinação de promessas ambiciosas com metas adiadas por problemas na produção foi uma tônica em boa parte da trajetória da Tesla. Um dos principais símbolos desse contexto que alimentou a desconfiança sobre a marca é o Model 3. Depois de idas e vindas, o sedã começou a ser produzido em julho de 2017.

O Model 3, da Tesla

A projeção era de que a empresa entregasse 500 mil unidades do modelo em 2018. A realidade trouxe um volume de 145,8 mil veículos, juntamente com uma série de medidas de ajuste nos meses seguintes. Entre elas, o corte de 9% do quadro de funcionários.

3 – Gigafactory
Em junho de 2014, a Tesla iniciou a construção da Gigafactory 1, que foi alardeada pela empresa como a maior fábrica de baterias de íon-lítio do mundo. Instalada em Reno, no estado de Nevada, em uma área de 930 mil metros quadrados, a unidade já opera, parcialmente, desde 2016.

A fábrica é um passo fundamental na estratégia da companhia, pois coloca sob seu guarda-chuva uma etapa crucial na cadeia de produção dos carros elétricos e, até hoje, ainda muito concentrada na China. Além de apoiar o esperado aumento de demanda pelos veículos da marca.

4 – Vocação para a polêmica
Se a estrada da Tesla é feita de altos e baixos, um componente, no entanto, se manteve bem consistente em boa parte desse caminho: a disposição de Elon Musk para criar polêmicas e controvérsias que, volta e meia, se refletiram na operação.

Em agosto de 2018, por exemplo, ele acenou, via Twitter, com a possibilidade de fechar o capital da empresa caso as ações atingissem a cotação de US$ 420. Com a postagem, Musk foi acusado de tentar manipular o mercado e de fraude corporativa.

Além da renúncia à presidência do Conselho de Administração da Tesla, o caso rendeu uma multa de US$ 20 milhões, estipulada pela Securities and Exchange Commission (SEC). A SEC também determinou que qualquer comunicação do bilionário, em especial, aquelas realizadas por meio de redes sociais, passasse antes pelo seu crivo.

Em fevereiro do ano passado, o órgão acusou Musk de descumprir o acordo. Na época, ele tuitou que a Tesla produziria cerca de 500 mil carros no ano.

5 – Na ponta
Além de se tornar a montadora mais valiosa do mundo e dar indícios que seguirá na ponta, a Tesla já vale quase três vezes mais que o grupo formado pelas americanas Ford e GM, e pela ítalo-americana Fiat Chrysler. Hoje, o valor de mercado somado do grupo é de US$ 81,1 bilhões.

6 – Números modestos
Na contramão da escalada em seu valor de mercado, a Tesla ainda tem números extremamente modestos quando comparada a outras montadoras. Em 2019, a empresa vendeu um total de 367,5 mil veículos em todo o mundo. A Toyota, por sua vez, registrou 10,74 milhões de unidades no período. Considerando apenas o mercado americano, outros nomes também apuraram vendas bem superiores no ano: Ford, 2,41 milhões de veículos; GM, 2,9 milhões; e Fiat Chrysler, 2,89 milhões.

7 – Negócio da China
Em janeiro desse ano, a Tesla inaugurou sua primeira fábrica na China, em Xangai. Instalado em terreno de 865 mil metros quadrados e fruto de um aporte de US$ 2 bilhões, o projeto foi construído em tempo recorde, exatos 12 meses e, segundo estimativas, ajuda a reduzir em 13% o preço dos veículos da marca no país asiático.

A rapidez encontra uma justificativa no fato de que a empresa precisa reduzir sua dependência do mercado americano e não há melhor lugar para essa estratégia do que a China, dona do maior mercado global de carros elétricos, com 53% das vendas totais de 2,26 milhões de unidades no mundo em 2019, segundo a consultoria EV Volumes.

E o investimento no país da Grande Muralha fez mais sentido ainda em meio à pandemia. O mercado em questão ajudou a Tesla a reduzir os impactos da Covid-19, especialmente quando comparada a seus rivais.

8 – Última linha do balanço
Um dos desafios à frente na trajetória da Tesla é registrar, pela primeira vez, um lucro anual, com o dilema adicional de apurar números positivos na última linha do balanço em trimestres consecutivos. Em 2019, a empresa reportou uma perda de US$ 862 milhões. Um ano antes, o prejuízo foi de US$ 976 milhões.

9 – No forno
Apresentado em março de 2019 e previsto para chegar ao mercado no segundo semestre, o Model Y, SUV compacto da marca, é apontado como um dos motivos por trás da expectativa favorável em torno da empresa.

Entre outros componentes positivos destacados pelos especialistas está o fato de que o veículo compartilha boa parte da estrutura do Model 3. Isso abre caminho para que sua produção traga menos custos e seja menos traumática do que o modelo em questão. No fim de 2019, Elon Musk afirmou que o Model Y deve atrair “uma demanda maior que todos os outros carros da Tesla combinados.”

10 – Elon Musk, o retorno
Depois de um período de bom comportamento, para os seus padrões, claro, Elon Musk voltou a aprontar durante a pandemia. Entre outras questões, entrou em conflito com autoridades de saúde americanas em virtude das restrições da quarentena, ao minimizar os perigos da Covid-19. E chegou a abrir, no início de maio, sem permissão, a fábrica da empresa em Fremont.

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