O delivery e o e-commerce vão ganhar espaço no cardápio da Marfrig

CEO do grupo na América do Sul, Miguel Gularte fala ao Conexão CEO sobre a plataforma online da empresa e aborda temas como exportações, consumo no mercado interno, novas fábricas e ESG

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Com passagens por cargos de liderança em empresas como JBS e Minera, Miguel Gularte já havia decidido encerrar sua trajetória de mais de 40 anos no mercado de carne bovina. Um convite, em 2018, entretanto, fez com que ele mudasse de ideia.

“Eu vim completar meu Grand Slam na Marfrig”, diz Gulart, em entrevista ao Conexão CEO (vídeo completo acima) sobre o desafio de assumir, na época, o posto de CEO da Marfrig na América do Sul, a segunda maior produtora global de carne bovina, atrás apenas da JBS, e avaliada em R$ 14,4 bilhões.

No terceiro trimestre de 2021, a Marfrig reportou uma receita líquida total de R$ 23,6 bilhões, alta de 40,4% sobre igual período, um ano antes. Na região sob a alçada de Gularte, a receita da empresa cresceu 44,1%, para R$ 6,9 bilhões.

Prestes a completar quatro anos no comando dessa operação, o executivo prepara agora um dos próximos passos da companhia no mercado brasileiro: dar escala ao aplicativo de delivery e à plataforma de e-commerce da empresa.

A iniciativa em questão foi lançada como um projeto-piloto, em junho de 2021, com um portfólio de cerca de 30 itens da marca de carnes premium Bassi e produtos da linha Montana Steakhouse, além de toda a linha da PlantPlus Foods, operação de carnes à base de proteína vegetal da Marfrig.

“Até o momento, fizemos isso de forma incipiente. Mas isso agora vai tomar mais corpo e forma”, afirma Gularte. “No fim de março, vamos ter um site novo, em pleno funcionamento, com um sistema de dark kitchens e pontos de entrega.”

Testada inicialmente em São Paulo, a plataforma vai ser escalada, prioritariamente, em 2022, na capital paulista e também no Rio de Janeiro. A Marfrig também trabalha com a possibilidade de estender o projeto, ainda nesse ano, para os mercados do Rio Grande do Sul e do Paraná.

A estratégia está alinhada a dois aportes feitos em janeiro pela Marfrig, na brasileira Quiq, plataforma de gestão de pedidos online de restaurantes, e na americana Takeoff Technologies, de ferramentas para automatizar a gestão de estoque de alimentos de supermercados e pequenos varejistas.

“O feedback comercial moderno que o e-commerce proporciona é muito direto e rápido”, observa Gularte. “Você fica mais exposto, mas vamos poder conhecer melhor o mercado e, principalmente, o nosso cliente.”

Enquanto planeja turbinar essa operação, a Marfrig também está investindo para ampliar seu mapa de operações na América do Sul, que inclui dez fábricas no Brasil, quatro no Uruguai, duas na Argentina e uma no Chile.

Em abril, está previsto o término das obras da nova fábrica de hambúrgueres da empresa em Bataguassu (MS), que terá capacidade de produção de duas mil toneladas por mês. O segundo projeto envolve uma unidade no departamento de Concepción, no Paraguai, com uma fábrica para abater, inicialmente, cerca de 1,5 mil animais por dia.

No programa, Gularte fala ainda, entre outros temas, de exportações, com destaque para a retomada dos embarques da região para a China, seu principal destino; da habilitação de novas plantas com foco no exterior; das perspectivas para o consumo no mercado interno; do foco em produtos premium; e das iniciativas ESG.

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