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O que a filha de Lemann e os cofundadores da Rappi e da Loggi viram nessa startup?

Depois de ganhar tração com clientes como Rappi e Cabify, a Truora busca espaço além da nova economia e aposta no Brasil. Com investidores como Kaszek Ventures, Maya Capital e Accel Partners, a companhia mira bancos, marketplaces, PMEs e consumidores

 

Daniel Bilbao (à esq.) e os outros três cofundadores da Truora: Maite Muniz, Cesar Pino e David Cuadrado

Em meados de 2019, Bruno Cecatto, 27 anos, decidiu que era o momento de buscar novos desafios profissionais. Com uma passagem anterior pela fintech Nibo e há três anos na Uber, onde era diretor de pequenos negócios, a procura por uma posição em uma startup era um caminho natural.

A oportunidade veio em uma conversa com Andres Bilbao, cofundador da colombiana Rappi. Seu irmão gêmeo, Daniel Bilbao, era um dos nomes por trás da Truora, empresa de prevenção de fraudes, fundada um ano antes, em Bogotá.

Com foco em nomes de peso do ecossistema de startups, como Cabify e a própria Rappi, a novata começava a ganhar tração. E na trilha de expansão de seus clientes, buscava uma pessoa para estruturar sua operação no Brasil.

Passados cinco meses desse “encontro”, a Truora prepara uma nova etapa em seu plano para ser o principal nome em prevenção de fraudes na América Latina. E sob o comando de Cecatto, a operação brasileira é um dos principais exemplos do que a empresa está fazendo para expandir as suas fronteiras.

“Nosso modelo nasceu, cresceu e chamou a atenção de fundos de investimento a partir do atendimento às empresas da nova economia”, diz Cecatto. “Mas entendemos que essa proposta pode ir além e atender a outros perfis de clientes.”

A plataforma da Truora é voltada a operações que lidam com grandes volumes de usuários, fornecedores e prestadores de serviço. Entre os clientes, também figuram aplicativos como iFood e 99, que utilizam a ferramenta para cadastrar entregadores e motoristas.

A partir de robôs que automatizam a consulta a diversas fontes públicas, a Truora faz a validação das informações de pessoas físicas e jurídicas. Esse processo dura, em média, de 20 a 30 segundos. E passa pela verificação de dados e documentos como RG, CPF, CNH, análises de crédito e antecedentes criminais.

O portfólio também inclui tecnologias de reconhecimento facial. E, em uma terceira camada, aplica algoritmos para analisar o comportamento dos usuários ou prestadores de serviços no relacionamento com o cliente em questão.

Novos segmentos

O plano de diversificação da Truora inclui grandes marketplaces, bancos e fintechs. Bem como as operações de menor porte nesses segmentos. E as companhias de recrutamento e seleção.

A relação passa ainda por pequenas e médias empresas cujos negócios envolvem diretamente o manuseio de dados de pessoas físicas e jurídicas. Nessa vertente, figuram os escritórios de advocacia e de contabilidade, entre outras companhias.

A principal novidade dessa estratégia é, no entanto, o lançamento de uma versão da ferramenta para consumidores finais, prevista para esse trimestre. A ideia é reforçar a segurança nas transações entre pessoas físicas.

O princípio é o mesmo da versão para empresas. Com o sistema, o usuário terá acesso, por exemplo, à avaliação de um prestador de serviço ou de um potencial locatário de um imóvel.

Em linha com a Lei Geral de Proteção de Dados, as consultas envolverão apenas fontes públicas. E a pessoa cujos dados serão checados será informada sobre essa checagem. Ao mesmo tempo, cada usuário poderá consultar e compartilhar sua própria avaliação.

A iniciativa já conta com pilotos na Colômbia e no México. Com uma versão web disponível, a startup avalia se a ferramenta também será lançada como aplicativo. A princípio, o produto será pago. Mas a oferta de alguns recursos gratuitamente também está em análise.

Operação local

Para concretizar essas novas ofertas, a Truora está dando andamento à montagem de sua subsidiária no País, lançada oficialmente em dezembro. Nesta semana, a operação, antes distribuída em coworkings, ganha forma em um escritório na Vila Olímpia, em São Paulo. O espaço é compartilhado com a Frubana, outra startup colombiana.

Bruno Cecatto, CEO e cofundador da Truora no Brasil

O Brasil foi o sexto país a receber uma operação da empresa, cujo mapa conta ainda com México, Chile, Peru e Estados Unidos. Até o fim do trimestre, a companhia inaugura mais um escritório na Argentina. Boa parte do time da engenharia da startup está concentrado na Colômbia. Nessa estrutura, 20 profissionais são dedicados exclusivamente aos negócios no mercado brasileiro.

No País, o plano é contratar ao menos 20 profissionais nesse trimestre, em áreas como produto e vendas. Tudo indica, no entanto, que novas vagas serão abertas até o fim do ano. “Nossa expectativa é de que o Brasil represente 50% da receita da empresa já em 2020”, afirma Cecatto.

A estratégia de expansão de geografias e de portfólio ganhou fôlego a partir de um aporte de US$ 3,3 milhões, com a participação da Kaszek Ventures e da Accel Partners. A lista de investidores da Truora inclui ainda o fundo Maya Capital, de Lara Lemann; a aceleradora americana Y Combinator; além de Simón Borrero, CEO e cofundador da Rappi; e Fabien Mendez, CEO e cofundador da Loggi.

Mais do que os recursos aportados, Cecatto destaca outros benefícios da associação com esses nomes. A Accel Partners, por exemplo, tem no seu portfólio a Checkr, startup americana do mesmo segmento que a Truora e avaliada em US$ 2,5 bilhões. Já a Dog Hero, uma das empresas investidas da Kaszek, é o mais novo cliente da companhia no País.

“Tanto a Accel e a Kaszek como a Maya Capital abrem muitas portas”, afirma Cecatto. “Seja para as interações com a Checkr, para o conhecimento sobre como operar na América Latina ou para o acesso a empresas do portfólio desses fundos que podem ser grandes clientes para a nossa carteira.”

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