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O sonho de lucro fácil vai acabar em lágrimas. É o aviso do megainvestidor Leon Cooperman

Para Leon Cooperman, CEO do Omega Advisors, que gerencia ativos de mais de US$ 3 bilhões, os investidores amadores de aplicativos, como o Robinhood, estão fazendo “coisas estúpidas” ao apostar em empresas com problemas financeiros, como Hertz e JC Penney

 

Leon Cooperman, CEO do Omega Advisors

Com aplicativos para celulares, como o Robinhood, que oferecem compra e venda de ações sem a necessidade de pagar comissão, participar da bolsa de valores americana nunca foi tão fácil – e talvez tão arriscado.

Segundo o megainvestidor Leon Cooperman, CEO do Omega Advisors, que gerencia ativos de mais de US$ 3 bilhões, as “aventuras” desses usuários de apps de investimento não devem acabar nada bem. 

Em entrevista ao programa “Half-Time Report”, da rede americana de tevê CNBC, o megainvestidor dono de uma fortuna de US$ 3,2 bilhões criticou os novatos, dizendo que eles estão fazendo “coisas estúpidas que vão acabar em lágrimas”. 

A declaração de Cooperman vem semanas após a constatação de que usuários do Robinhood, que ganhou 3 milhões de novas contas apenas neste ano, estão comprando ações de empresas em dificuldades financeiras, como Hertz e JC Penney

Com 13 milhões de usuários e uma média de idade de 31 anos, as compras de ações por investidores amadores têm sido comparadas a aventuras nos cassinos de Las Vegas.

Como nas jogatinas da “Cidade do Pecado”, a lógica de investimento dos novatos é igual a dos cassinos: se ganhar, ótimo; se não, tudo bem também, uma vez que o valor do investimento, ou da aposta, foi baixo. O sobe-e-desce do mercado dá conta da adrenalina e graça da “brincadeira”, que ganha ainda mais tração em meio às redes sociais. 

Esse comportamento foi corroborado por Cooperman, que disse que a bolsa de valores substituiu os cassinos e os esportes, fechados por conta da pandemia da Covid-19. “As jogatinas estão suspensas e o Fed (Banco Central americano) está prometendo dinheiro de graça pelos próximos dois anos, então deixem-os especular”, disse o investidor. 

Cooperman acena para a teoria de que o excesso de amadores no mercado têm criado uma bolha na bolsa. Para ilustrar sua tese, ele cita o caso da locadora de automóveis Hertz.

Em 22 de maio, antes de a empresa pedir concordata, quase 43 mil contas do Robinhood traziam a empresa de aluguel de carros em seus portfólios. Na primeira semana de junho, esse número saltou para mais de 100 mil.

Com a corrida pela compra dos papéis da Hertz, suas ações chegaram a avançar mais de 200%, desde que pediu recuperação judicial, alta sem qualquer conexão com os fundamentos da empresa. 

Mas nem todo mundo vê com maus olhos essa onda de investidores novatos na bolsa. O chefe global de pesquisa qualitativa da Société Générale, Andrew Lapthorne, defende os amadores.

“Para todos os que estão zombando dos investidores do Robinhood, saibam que a estratégia de agir quando o mercado estava em sua baixa histórica, em março, foi impecável”, escreveu em um comunicado. 

Nas redes sociais, a polarização de opiniões se intensifica, com postagens em todas as plataformas. No Facebook, onde funciona o grupo “Robinhood Stock Traders”, com 153 mil participantes, milhares de screenshots mostram os retornos positivos dos amadores, que defendem apps de investimento e dizem que os que odeiam essa modalidade de investimento estão “ultrapassados”.

No Instagram, a hashtag “Robinhood” foi usada quase 1 milhão de vezes e é bastante popular no Twitter também, local em que a divisão é mais acirrada. 

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