Para “educar” os investidores, o dono da Binance compra parte da Forbes

Com um cheque de US$ 200 milhões, a corretora de criptomoedas fundada pelo empresário chinês torna-se uma das principais sócias da editora Forbes e ganha um canal para “evangelizar” o mercado

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O chinês Changpeng Zhao tem uma fortuna de US$ 86,8 bilhões

Foi durante um jogo de pôquer, em 2013, que Changpeng Zhao foi aconselhado a investir parte de suas reservas em Bitcoin. Mas ele foi além. Quatro anos depois, fundou a Binance, hoje a maior exchange de criptomoedas do mundo, com um valor estimado em US$ 300 bilhões e negociações em mais de 180 países.

A reboque do sucesso da corretora, o empresário chinês ingressou no clube seleto dos bilionários globais, com uma fortuna estimada em US$ 86,8 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaire Index. Ele ocupa a 12ª posição no ranking, logo atrás de Mark Zuckerberg.

Enquanto o fundador do Facebook vem caindo pelas tabelas nessa relação de fortunas, na esteira da queda vertiginosa das ações da empresa agora rebatizada como Meta, Zhao, em contrapartida, segue investindo para engordar ainda mais sua conta bancária.

Sua mais nova cartada foi anunciada nesta quinta-feira, por meio da Binance. A empresa anunciou um investimento de US$ 200 milhões na editora americana Forbes, responsável pela revista homônima, publicada há 104 anos.

O cheque integra o plano da Forbes para abrir capital na Bolsa de Nova York, ainda neste trimestre, por meio de uma fusão com a Magnum Opus, uma Special Purpose Acquisition Company (SPAC). A Binance está assumindo metade de um aporte privado que havia sido anunciado como parte desse processo.

O investimento faz da Binance uma das principais sócias da Forbes. A empresa também marcará presença no Conselho de Administração da editora com dois assentos, que serão ocupados por Patrick Hillman, diretor de comunicações, e Bill Chin, head do Binance Labs.

Com o aporte e o IPO, a Forbes pretende acelerar sua transformação digital. Na outra ponta desse investimento, Zhao destacou, em comunicado, o quão estratégico é esse movimento no contexto da Binance.

“À medida que as tecnologias Web 3 e blockchain avançam e o mercado de criptomoedas atinge a maioridade, sabemos que a mídia é um elemento essencial para construir uma ampla compreensão e educação do consumidor”, afirmou o fundador e CEO da Binance.

Mike Federle, CEO da Forbes, completou: “A Forbes está comprometida em desmistificar as complexidades e fornecer informações úteis sobre a tecnologia blockchain e todos os ativos digitais emergentes”.

A Forbes se mostra, de fato, um ótimo canal para que a exchange propague essa sua mensagem. A editora diz que seus eventos e sua publicação, que inclui 46 edições locais licenciadas, em 77 países, alcança 150 milhões de pessoas.

Discursos e evangelizações de mercado à parte, o investimento também se mostra interessante sob uma outra perspectiva. A Binance tem sido alvo constante de críticas e de reguladores financeiros em diversos mercados, entre eles Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Itália e mesmo no Brasil.

Da mesma forma que Zhao e a Binance estão na mira das autoridades, o setor de mídia parece se consolidar cada vez mais como um espaço de atração de investimentos de empresários de outros segmentos da economia.

Em 2013, por exemplo, Jeff Bezos, fundador da Amazon, desembolsou US$ 250 milhões na compra do jornal Washington Post. Em setembro de 2018, foi a vez de Marc Benioff, fundador e CEO da Salesforce, arrebatar a revista Times, em um acordo de US$ 190 milhões.

Ainda em acordos e nomes ligados ao setor de tecnologia, Laurenne Powell, mulher de Steve Jobs, que já tinha uma participação no site Axios, comprou a revista The Atlantic, em 2017, por um valor não divulgado.

Outro magnata de olho nesse mercado é o bilionário francês Pierre Omidyar, fundador do eBay. Por meio da First Look Media, sua fundação, ele já destinou, por exemplo, US$ 250 milhões ao site The Intercept, além de investir em veículos como o brasileiro Nexo Jornal.

O mercado brasileiro também reforça esse movimento. Empresário dono da construtora MRV, do Banco Inter e da Log Commercial Properties, Rubens Menin detém 100% do canal CNN Brasil. Há outros exemplos locais.

Em 2019, o banqueiro André Esteves e outros sócios do BTG Pactual, compraram a revista Exame, do grupo Abril, em um leilão judicial, por R$ 72,3 milhões. Também no mundo das finanças, a XP, de Guilherme Benchimol, é dona do site Infomoney.

Já no plano da educação, Chaim Zaher, que comanda o grupo SEB é um dos principais nomes no setor, anunciou a compra da rede de rádios NovaBrasil FM, além da aquisição de afiliadas das redes de televisão Bandeirantes e Record.

Outro nome que enveredou nessa seara foi Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza. Em abril do ano passado, ele anunciou um investimento no site de política Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues.

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