Para o Credit Suisse, a Qualicorp está “andando em círculos”

Em relatório, o banco destaca a estagnação na base de beneficiários da operadora de planos de saúde, mesmo com o aumento das despesas comerciais, e reduz o preço-alvo da ação de R$ 27 para R$ 18

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A Qualicorp vale R$ 4,6 bilhões na B3

O início de 2022 trouxe grandes movimentações no setor de planos de saúde. Em janeiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou fusão entre a Hapvida e a NotreDame Intermédica. Em fevereiro, a Rede D’Or anunciou a compra da SulAmérica, em um acordo avaliado em R$ 15 bilhões.

Enquanto esses grandes players avançam, outros nomes relevantes desse mercado encontram dificuldades para saírem do lugar. É o caso da Qualicorp, cujo desafio foi destacado em um relatório divulgado nesta sexta-feira, 1º de a abril, pelo Credit Suisse.

Na análise sobre o ativo, o banco suíço aponta que a Qualicorp, avaliada em R$ 4,6 bilhões, está “andando em círculos” e reduz o preço-alvo da ação de R$ 27 para R$ 18, mantendo a recomendação neutra para o papel, que fechou o pregão da quinta-feira no patamar de R$ 16,03.

Uma das principais questões por trás dos desafios da operadora são os reajustes de preços praticados pela empresa em 2021. A medida fez com que a companhia perdesse muitos beneficiários no decorrer do ano, algo que não foi totalmente compensado pela adição de novos usuários em sua carteira.

“A estagnação dos beneficiários persistiu ao longo de 2021 devido alto churn, mesmo com despesas comerciais muito maiores. Ainda há um nível relevante de incerteza sobre a capacidade de reverter essa dinâmica desfavorável”, escreveu o analista Mauricio Cepeda.

No relatório, além desses fatores, o Credit Suisse observou que a revisão do preço-alvo da ação considera elementos como a perspectiva de adições líquidas modestas nos próximos anos e um aumento do tíquete médio abaixo da inflação.

Em relação ao resultado do quarto trimestre de 2021, o banco destacou que na carteira de afinidade, principal negócio da empresa, houve um pequeno crescimento, por conta das aquisições do Grupo Elo e da carteira da Unimed Natal, que trouxeram 34,8 mil novas vidas. No entanto, excluindo esses acordos, a redução dessa base teria sido de 2%.

Outros riscos no horizonte da companhia envolvem a redução das adições brutas, caso a empresa reduza as comissões de corretagem, e novas implicações no cenário macroeconômico, o que poderia levar a uma perda ainda maior de usuários em sua base.

“Qualquer redução nas comissões pode levar a um crescimento menor em adições, o que poder ser problemático sob os altos níveis de churn. Acreditamos que os catalisadores de curto prazo para a ação são improváveis enquanto essa situação persistir”, observou o analista do Credit Suisse.

Além dessas questões, a tacada bilionária da Rede D’Or pela SulAmérica é outro componente que amplia as incertezas sobre a Qualicorp. No decorrer de 2021, o grupo de origem hospitalar vinha ampliando a fatia minoritária que detinha na Qualicorp. Atualmente, essa participação é de 28,98%.

Na manhã desta sexta-feira, por volta das 10h45, as ações da Qualicorp estavam sendo negociadas a R$ 16,50, alta de 2,93%. No ano, o papel da companhia acumula uma desvalorização de 5,14%, levando-se em conta a cotação do fechamento do pregão da quinta-feira, 31 de março.

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