P&G dobra a aposta em saúde no Brasil

Em entrevista ao Conexão CEO, Juliana Azevedo, CEO da P&G no Brasil, fala sobre o reforço dos investimentos da gigante global de bens de consumo em cuidados com a saúde, do centro de inovação no Brasil e outros planos da companhia

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Dois anos. Esse era o tempo que Juliana Azevedo planejava ficar na Procter & Gambel (P&G) quando ingressou na companhia americana, em 1996, como estagiária. Passados 26 anos, ela não só permaneceu como cresceu na operação e ocupou muitos cargos de liderança, no País e no exterior.

Além da cultura e dos valores, o portfólio amplo da gigante de bens de consumo foi um dos fatores que a atraíram. E, de lá para cá, essa oferta só evoluiu. Impulsionada por aquisições, a P&G, avaliada hoje em US$ 389 bilhões, tem mais de 300 marcas, entre elas, Always, Gillette, Oral-B, Pampers e Ariel.

No Brasil, todos esses negócios e um time de 4 mil funcionários estão sob a alçada de Juliana que, em fevereiro de 2018, assumiu como CEO da subsidiária. E, dentro dessa diversidade, uma categoria, está ganhando destaque nos planos da companhia: a área cuidados com a saúde e medicamentos.

“Essa já era uma área que queríamos dar mais foco”, diz Juliana, em entrevista ao Conexão CEO (vídeo completo acima). “E agora, no pós-pandemia, com toda essa atenção dada à saúde, será uma das grandes apostas da companhia.”

O interesse pelo segmento começou a ser reforçado em 2018, com a compra da divisão de consumer health da Merck, em um acordo de US$ 4,2 bilhões. No ano fiscal de 2021 da P&G, encerrado em 30 de junho de 2021, a divisão respondeu por 19% da receita global de US$ 76,1 bilhões da empresa.

Embora não divulgue números relativos à operação brasileira, Juliana observa que um dos principais passos para que essa área ganhe corpo no País envolve um investimento pesado em lançamentos e inovação.

Um dos próximos passos para fortalecer sua presença nesse segmento é uma nova linha de vitaminas, batizada de Femibion, que será lançada oficialmente neste mês e compreende três estágios da vida da mulher: a preparação para a gravidez, a gravidez e a amamentação.

Também há novidades na categoria de respiratórios, na qual a P&G atua com a marca Vick. A empresa está crescendo esse portfólio com o lançamento recente de produtos como o Vick Vapobanho, pastilhas que trazem o mesmo efeito de uma inalação.

“Todas as nossas linhas têm, pelo menos, uma ou duas inovações por ano”, observa a CEO da P&G. “Em medicamentos, estamos em uma velocidade de três ou quatro inovações. O passo é muito mais acentuado.”

A área de inovação abriga uma das conquistas da gestão de Juliana. Em 2019, o Brasil atraiu a instalação de um dos 13 centros de pesquisa e desenvolvimento da operação global. A unidade fica em Louveira (SP), junto a um centro de distribuição e a uma das três fábricas da empresa no País.

Com 150 cientistas de 15 nacionalidades diferentes, o centro de P&D conta ainda com a Casa do Consumidor, um espaço no qual a P&G replica uma residência e observa o comportamento de consumidores usando produtos que já integram o seu portfólio e outros em desenvolvimento.

“Uma das vantagens do nosso centro é que ele é o único da operação localizada em uma unidade fabril, que produz diversas categorias”, diz Juliana. “Podemos fazer prototipagem, mas também podemos ver o que roda na linha no fim do dia. Se não rodar, acaba não sendo viável em grande escala.”

Ao destacar que os próximos 12 meses serão extremamente desafiadores, com um cenário conturbado na economia, eleições e impactos no bolso do consumidor, a executiva ressalta que a inovação terá um papel ainda mais preponderante nas estratégias locais da P&G.

“Metade do nosso mercado é definida pelo poder de compra, inflação e emprego. Três variáveis que, no longo prazo, estão bem ruins”, diz. “O que nos faz focar ainda mais nos outros 50% que a gente controla. Vamos trabalhar inovações para atenuar a contração de mercado que, com certeza, virá.”

Nesse sentido, Juliana reforça que o grande desafio imposto a área será desenvolver materiais e produtos que possam ser mais acessíveis e atender a todos os perfis de consumidores, sem perder qualidade.

“Queremos produtos que possam oferecer melhorias com todos os níveis de preço”, explica. “Hoje, a gente tem pastas de dente de R$ 2 a R$ 20. Mas eu ainda não tenho uma pasta de R$ 2 que cuide das gengivas.”

No programa, Juliana fala ainda de temas como os reflexos da pandemia no mercado e na operação da P&G, outros projetos de inovação, os investimentos da empresa na vertical de serviços, as políticas de diversidade e inclusão do grupo e sua carreira.

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