Por que a TIM larga na frente, segundo o Credit Suisse

O banco destaca que a operadora é a empresa que mais pode se beneficiar da compra dos ativos da Oi Móvel e do estabelecimento de um teto na incidência do ICMS sobre serviços de telecom

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A TIM está avaliada em R$ 31 bilhões

Entre outros componentes, duas questões movimentaram o setor de telecomunicações no primeiro semestre. A primeira, em fevereiro, foi a aprovação da venda da Oi Móvel para a TIM, a Vivo e a Claro, como parte do processo de recuperação judicial da operadora.

O segundo episódio, há poucas semanas, envolveu a aprovação e a sanção do projeto de lei que caracteriza o setor como um serviço essencial e estabelece um teto na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no segmento.

É na conexão entre esses dois ingredientes que o Credit Suisse enxerga a perspectiva atual do mercado de telecomunicações como “uma das melhores de todos os tempos”. E, diante desse contexto, o banco suíço já elegeu o seu ativo preferido no setor.

“A TIM é a nossa principal escolha”, escrevem os analistas Daniel Federle e Victor Ricciuti, em relatório divulgado pelo banco nesta sexta-feira, 15 de julho, e que traz as prévias dos resultados do segundo trimestre da operadora e também da Telefônica Vivo.

Para a dupla de analistas, a TIM deve ser a maior beneficiada a partir desses dois movimentos. “Esperamos que as sinergias da Oi levem a TIM a apresentar um crescimento robusto do fluxo de caixa livre operacional nos próximos anos”, avaliam. Eles acrescentam:

“Além disso, um ICMS mais baixo pode começar a contribuir para os resultados no terceiro trimestre e isso implica em um viés de alta considerável para as nossas estimativas e consenso. Vemos as ações da TIM como muito atraentes, pois achamos que combinam defensividade e potencial de valorização considerável”.

O banco observa que a redução do ICMS pode se traduzir principalmente em mais benefícios nos planos pré-pagos, em vez de preços mais baixos nos pacotes, o que contribuiria para um aumento considerável na receita líquida e nas margens.

“Vemos Vivo e TIM com valuations semelhantes em 2022 e 2022. No entanto, esperamos que as sinergias da aquisição da Oi Móvel levem a TIM a relatar uma expansão de margem mais significativa nos próximos anos”, diz outro trecho do relatório.

A partir dessa visão, os analistas do Credit Suisse enxergam um potencial de valorização de 27% para as ações da TIM e de 14% para os papéis da Vivo.

Já em relação aos balanços das duas operadoras referentes ao segundo trimestre, o banco suíço prevê resultados positivos, com destaque para a aceleração do crescimento orgânico das receitas de serviços móveis, em função do aumento de preços e da “concorrência racional”.

Para a Vivo, o Credit Suisse prevê um crescimento orgânico das receitas de serviços móveis de 7,1%, na comparação com igual período, em 2021, e com uma receita líquida total na faixa de R$ 11,7 bilhões, alta de 11%.

Em relação aos indicadores da TIM, a projeção é de um salto anual no trimestre de 8% nas receitas de serviços móveis e de 20% na receita líquida total, para R$ 5,2 bilhões.

No que diz respeito às margens, o Credit Suisse estima que, embora os indicadores permaneçam em um nível inferior ao do ano passado, a compressão pode ser até menos intensa em comparação ao que foi reportado no primeiro trimestre.

Na Vivo, a previsão é de um crescimento anual do Ebitda de 9,1%, para R$ 4,6 bilhões. Já para a TIM, a projeção é de um avanço de 15,6% nessa linha do balanço, para R$ 2,4 bilhões.

Por volta das 11h30, as ações da Vivo, avaliada em R$ 78,8 bilhões, estavam sendo negociadas com queda de 0,4% na B3. Já os papéis da TIM recuavam 1,23%. A empresa está avaliada em R$ 31 bilhões.

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