Riverwood Capital vende Mandic para Claranet

Depois de vender sua fatia na RD Station, a Riverwood Capital sai da Mandic, mas mantém ainda uma fatia minoritária de menos de 5%. Em até dois anos, a Claranet, que atua com serviços de computação em nuvem e cibersegurança, poderá abrir o capital

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A Claranet tem operações em 10 países

A Claranet, uma empresa inglesa que atua com serviços de computação em nuvem e cibersegurança, está comprando a Mandic, em um negócio que marca a saída quase que integral da Riverwood Capital da companhia.

Essa é a segunda saída do fundo de venture capital americano em pouco mais de um mês de um de seus investimentos. No começo de março, a gestora vendeu sua participação na RD Station para a Totvs, que pagou R$ 1,86 bilhão por 92% da startup que atua com marketing digital.

Agora, a Riverwood Capital, que investiu na Mandic em 2012, vai manter uma fatia inferior a 5% na operação brasileira da Claranet, que em até dois anos pode abrir o capital na bolsa brasileira. Se não conseguir se tornar pública, a Claranet comprará a fatia remanescente da Riverwood.

Aleksander Mandic, o fundador da Mandic, que já não atuava mais no dia a dia da companhia, mantinha ainda uma pequena participação na empresa. Neste negócio, ele zerou sua posição. Maurício Cascão, que era CEO da Mandic, permanecerá na Claranet, que não vai mais usar a marca após a integração das duas empresas.

Com a transação de valor não revelado, a operação brasileira da Claranet passa a ter um faturamento de R$ 250 milhões e 450 funcionários. “A Mandic é um nome relevante do mercado e com a sua aquisição ganhamos musculatura e aceleramos bastante o nosso processo de expansão”, diz Edivaldo Rocha, CEO da Claranet, ao NeoFeed.

A Claranet ganha também 4 mil clientes com a aquisição da Mandic, que surgiu como um provedor de internet e de e-mail e evoluiu para serviços de computação em nuvem. “Conseguimos multiplicar o faturamento da Mandic por cinco no período em que estivemos investindo na empresa”, afirma Joaquim Lima, sócio da Riverwood Capital.

Agora, a Claranet passa a atender a 5 mil empresas no Brasil. São nomes como Embraer, Natura, Banco Inter, Bradesco, Samsung, Travelex, Sky, Burger King, iFood, Ipiranga e Alelo, entre outros.

“Os serviços de computação em nuvem estão crescendo a dois dígitos e devem permanecer nesse ritmo pelo menos nos próximos cinco anos”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisa da consultoria IT Data. “A Mandic, que tem um perfil de clientes pequenos e de médio porte, complementa bem a oferta da Claranet.”

A IT Data fez uma pesquisa com 1,5 mil empresas brasileiras com mais de 100 funcionários e constatou que há muito espaço de crescimento para a oferta de serviços na nuvem.

Segundo o relatório, 74% das empresas já utilizam serviços de computação em nuvem e 17% pretendiam aderir a esse tipo de serviço em 2021. Apenas 9% das companhias pesquisadas não tinham intenção de migrar para a nuvem. “Algumas empresas já começam a migrar seus sistemas críticos para o cloud computing”, afirma Rodrigues.

Edivaldo Rocha, CEO da Claranet Brasil

Fundada em 1996 na Inglaterra, a Claranet nasceu como um provedor de internet e depois evoluiu para se tornar um prestador de serviço na nuvem e de cibersegurança. Hoje, tem operações em 10 países, cerca de 3 mil funcionários e um faturamento global de 400 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 3,1 bilhões na cotação de hoje).

Além do Reino Unido e Brasil, a Claranet tem operações nos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Itália e Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo).

No Brasil, a Claranet começou a operar em 2017, com aquisição da CredibiliT. Em 2020, comprou 92,5% da Corpflex, uma empresa que tinha o fundo 2bCapital, private equity do Bradesco, como acionista minoritário.

No negócio, Rocha, que era o CEO da Corpflex, ficou com uma fatia de 7,5% da empresa, que passou a adotar o nome de Claranet Technology S/A, sendo mantido como o responsável pela operação no Brasil.

O executivo conta ainda com um cheque de US$ 100 milhões para fazer novas aquisições no mercado brasileiro – uma parte desses recursos já foi gasta com a aquisição da Mandic.

De acordo com Rocha, o alvo são empresas da área de cibersegurança, inteligência artificial e plataformas digitais. O executivo diz que conversa com 15 empresas e que a meta é fechar mais três negocios com esses recursos.

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