Sensor quântico permite “enxergar” o que está debaixo da terra

Pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, anunciaram o desenvolvimento de um protótipo capaz de encontrar desde fluxos de água até tesouros perdidos sob o solo

0
372
Leia em 2 min

Existe um mundo inteiro que ainda está escondido debaixo de nossos pés. Mas isso não vai durar muito tempo.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, estão anunciando o desenvolvimento do primeiro sensor de gravidade quântica do mundo. O equipamento permite mapear regiões subterrâneas inteiras para encontrar túneis, minas e até artefatos arqueológicos.

O instrumento já teve seu funcionamento explicado na revista científica Nature, em artigo publicado nesta quarta-feira, 23 de fevereiro. Nos testes realizados, a tecnologia foi capaz de encontrar um túnel enterrado a cerca de um metro de profundidade e que transportava tubos enterrados sob uma estrada.

De acordo com Kai Bongs, principal pesquisador do Quantum Technology Hub de Birmingham, a tecnologia pode permitir o mapeamento subterrâneo mais preciso e profundo. Atualmente, o método de fazer isso é utilizando um radar de penetração do solo, que não é tão eficaz quanto o sensor de gravidade quântica.

Os sensores utilizam uma técnica quântica chamada interferometria de átomos. Sob a influência da gravidade, átomos de rubídio ultrafrios são iluminados com feixes de laser e que indicam com precisão a fora e o gradiente do campo gravitacional local. Esse campo é influenciado pelo o que há abaixo do solo.

Na prática, isso vai permitir encontrar minas, túneis e solo instável. A tecnologia vai beneficiar diretamente, por exemplo, empresas do setor de construção civil na escolha de áreas onde serão construídas habitações e indústrias. Já algumas áreas como arqueologia e agricultura também poderão usar a tecnologia para encontrar artefatos perdidos ou cursos de água.

Há também a possibilidade de os sensores serem aproveitados por órgãos de defesa. O objetivo é utilizar a tecnologia para a criação de mapas subterrâneos que facilitem a navegação submarina.

Por ora, o plano é transformar o instrumento que ainda fica alocado no laboratório acadêmico em um acessório menor e mais móvel, antes de ser lançado no mercado. Este segundo passo deve ser feito em conjunto com empresas como RSK e Teledyne. Não há previsão de quando isso vai acontecer.

Leia também

Brand Stories