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Insiders

Sorriso amarelo: SmileDirectClub tem o pior IPO de 2019

Startup que vende aparelhos ortodônticos pela internet vê seus papéis caírem 29% no primeiro dia de negociação na Nasdaq

 

Agora é rir para não chorar. O SmileDirectClub, que vende aparelhos ortodônticos com preços bem mais em conta que os tratamentos tradicionais, está com um sorriso amarelo.

A companhia abriu o capital na quinta-feira, 12 de setembro, na Nasdaq e viu suas ações levarem o maior tombo do ano em uma abertura de capital. Precificadas a US$ 23, elas fecharam o primeiro dia de vendas a US$ 16,33, uma queda de 29%.

Com essa desvalorização, o IPO do SmileDirectClub se tornou o pior IPO de 2019, um ano marcado por algumas estreias na bolsa de valores não tão bem-sucedidas, como o caso da Uber, que caiu 7,6% no primeiro dia de negociação. Nesta sexta-feira, os papéis conseguiram se recuperar de uma parte do tombo e subiram 12%.

Fundada em 2013, em Nashville, por Alex Fenkell e Jordan Katzman, a startup uniu o online ao offline para criar um modelo de negócios disruptivo. Diferentemente dos aparelhos odontológicos convencionais, o SmileDirectClub promete uma solução simples, barata e mais eficiente.

Assim que os clientes tiram o molde de suas arcadas dentárias, em um processo que pode ser feito em casa, com um kit enviado pela startup, ou nos “SmileShops”, administrados pela companhia, um software desenvolve moldes transparentes de alinhamento dentário, que são enviados diretamente para os consumidores. Dentistas credenciados acompanham o tratamento remotamente.

Tudo isso por um preço “fechado” de US$ 1,9 mil. O preço, de acordo com a empresa, custa 60% menos que outros tratamentos de correção ortodôntica similares. Embora possa variar entre 4 e 14 meses de duração, a média do tempo do tratamento do SmileDirectClub é de seis meses.

Kit enviado pela startup para a casa do consumidor

Esse modelo de negócios, no entanto, está longe de ser uma unanimidade. Diversos membros da Associação Americana de Ortodontistas se posicionaram contra os serviços e modelo de negócios do SmileDirectClub, alegando que a companhia viola regras básicas do mercado.

O fato de permitir que os pacientes conduzam o tratamento remotamente e sem raio-X é, segundo a associação, “ilegal e perigoso”. A organização registrou queixas contra a startup em 36 Estados, alegando violação das práticas médicas, mas até agora os processos não foram julgados.

Além disso, uma queixa junto ao Food and Drug Administration (FDA), espécie de Anvisa americana, também foi protocolada sob a justificativa de que a empresa fere os requerimentos de produtos vendidos apenas sob prescrição.

Embora, até agora, a empresa tenha amparo legal, é possível que a pressão do setor traga, em algum momento, vamos dizer assim, “dores de dente” para a startup.

As polêmicas não devem tirar o sorriso do rosto da SmileDirectClub, que levantou US$ 1,3 bilhão com a abertura de capital. Ela pretende aplicar o dinheiro arrecadado na expansão internacional e no desenvolvimento de outros produtos.

Em 2018, a SmileDirectClub faturou US$ 432,2 milhões, um aumento de 194% em relação ao ano anterior. Mas, como de costume nessas startups, o prejuízo foi de US$ 75 milhões, o dobro do que em 2017. Se o sorriso vai deixar de ser amarelo, só o tempo dirá.

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