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Startup cria algoritmo capaz de prever, com mais de 80% de precisão, desastres naturais

A startup canadense Kettle roda milhões de simulações para prever desastres naturais, como fogos, furacões e alagamentos. Nos incêndios da Califórnia, a ferramenta acertou 11 dos 14 locais que foram mais atingidos

 

Kettle consegue mapear áreas que podem sofrer com incêndios na Califórnia

Até agora, mais de 8 mil focos de incêndio queimaram 4% de toda a área da Califórnia, fazendo de 2020 o ano recorde para queimadas no estado americano, segundo dados do Departamento de Silvicultura e Proteção contra Incêndio da Califórnia. 

O que poderia ser uma surpresa para muitos pode ser previsto pela startup canadense Kettle, que usa machine learning para acertar onde vão acontecer os focos de incêndio.

Até agora, seguradoras e pesquisadores se valiam de dados históricos para balizar as possibilidades de queimadas em determinadas regiões, ponderando informações climáticas, como temperatura, vento e umidade relativa do ar.

Mas a Kettle busca dados em tempo real e de diferentes fontes. A startup coleta, por exemplo, mais de 7 bilhões de linhas de dados de satélite, de clima e de solo, e os usa para realizar 42 milhões de simulações. Com os possíveis resultados em mãos, seu algoritmo faz uma “varredura” nas regiões-alvo e traça previsões com 84,6% de taxa de acerto.

Por enquanto, a startup tem apenas um produto, que está sendo usado na Califórnia. Ativo no estado, o algoritmo “escaneia” uma grande área dividida em quadrados de 7 por 7 milhas. Assim, o sistema previu quais áreas corriam maior risco de incêndio – e 11 das 14 maiores queimadas aconteceram ali. 

Com esse material em mãos, as autoridades ganham mais tempo para se preparar e reagir, evacuando comunidades e tomando as devidas precauções para evitar tragédias. Modelos semelhantes também podem ser usados para furacões, inundações e outros desastres.

A startup quer usar esse algoritmo no mercado de resseguro, que movimenta US$ 300 bilhões por ano. Resseguro é uma camada adicional de proteção oferecida para seguradoras, cobrindo-as em casos de catástrofes, como furacões, enchentes e, claro, queimadas. 

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), 2019 foi o quinto ano consecutivo em que dez catástrofes bilionárias atingiram os Estados Unidos.

Para mudar essa equação, a Kettle usa seu algoritmo de previsão para acessar os riscos do portfólio de uma seguradora e, com isso, oferecer taxas mais baratas e estratégias assertivas.

A proposta empolgou os investidores. A startup levantou em outubro US$ 4,7 milhões em uma rodada de seed money liderada pelo fundo True Ventures. Participaram desse aporte a Acrew Capital, a Homebrew Ventures, Anthemis e Inspired Capital. 

A Kettle foi fundada, em 2019, por Andrew Engler, que conta com mais de uma década de experiência na área de seguro e resseguro, e pelo engenheiro de software Nathaniel Manning, que trabalhou na Casa Branca durante a gestão Barack Obama, cuidando de uma plataforma aberta para respostas humanitárias. 

“Eu passei anos desenvolvendo softwares para permitir que pessoas conseguissem ajuda no meio de uma crise. Mas logo eu notei que são as seguradoras que estruturam uma rede financeira que ajuda a reconstruir comunidades inteiras. E foi por isso que quis fundar a Kettle, para causar algum impacto”, diz Manning.

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