Uber lucra pela primeira vez, mas não anima o mercado

A empresa de tecnologia ficou no azul pela primeira vez desde que abriu capital. O resultado, porém, foi impulsionado por ganhos financeiros e não animou o mercado, que está de olho nos dados da operação, que seguem no vermelho

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A Uber, que desde o seu IPO vive a pressão de se provar como uma empresa lucrativa, finalmente conseguiu terminar um trimestre no azul. De abril a junho deste ano, a empresa de tecnologia teve lucro líquido de US$ 1,1 bilhão, o primeiro em dois anos como uma companhia aberta. Os investidores, porém, não deram bola e as ações negociadas em Wall Street terminaram o dia com queda de 2,24%.

É que o resultado não foi alcançado em razão de uma melhora na operação da empresa. A Uber, que tem participação na Didi, grupo chinês dono da 99, e na Aurora, startup de tecnologia para veículos autônomos, se beneficiou das valorizações experimentadas pelas duas empresas no período referente ao balanço e as registrou como ganhos financeiros não realizados, de US$ 1,4 bilhão para a primeira e de US$ 471 milhões para a segunda.

O número que importa continua no vermelho. O Ebitda ficou no vermelho em US$ 509 milhões, mais um resultado negativo para uma companhia que foi fundada em 2009 e nunca teve lucro na operação. Não significa, porém, que os resultados não estejam melhorando. A perda no Ebitda ajustado para o segundo trimestre é inferior ao rombo de US$ 837 milhões anotado em igual intervalo do ano passado, período marcado pelo início da pandemia.

De lá para cá, a vacinação tem avançado pelo mundo e as economias mais desenvolvidas já se encontram em processo mais adiantado de reabertura. Como consequência, o negócio de corridas da Uber dá sinais de recuperação. No segundo trimestre, foram US$ 8,6 bilhões em viagens realizadas, alta de 184% em um ano.

O crescimento expressivo, porém, não foi capaz de desbancar o negócio de delivery da empresa, o Uber Eats, que ganhou força com o isolamento social imposto pela pandemia e continua em alta. De abril a junho, foram US$ 12,9 bilhões em entregas, avanço de 85% em relação a igual intervalo de 2020. Na soma dos dois negócios, a Uber bateu recorde em pedidos, ao alcançar a marca de US$ 21,9 bilhões no trimestre, alta de 114% na comparação anual.

Com isso, as receitas cresceram 105%, para US$ 3,9 bilhões, impulsionadas principalmente pelos resultados na região da Ásia e do Pacífico, que cresceram 227%, e na Europa, Oriente Médio e África, que tiveram avanço de 159%. Os EUA e o Canadá, que representam a maior parte, tiveram expansão de 76%. A América Latina teve o resultado mais tímido, com alta de 44%.

Como parte de seu esforço para chegar ao azul na operação, a Uber demitiu profissionais e se livrou de negócios não essenciais. No ano passado, por exemplo, vendeu a sua operação de veículos autônomos para a Aurora, startup que tem a Hyundai e a Amazon por trás, e também se tornou acionista da empresa.

Além disso, a Uber tem buscado formas de fortalecer seu negócio de entregas. Em julho do ano passado, comprou a Postmates, a terceira em delivery nos EUA, por US$ 2,7 bilhões. Em fevereiro deste ano, comprou o aplicativo de entrega de bebidas alcóolicas Drizly por US$ 1,1 bilhão. Em junho, anunciou a aquisição de 100% da Cornershop, uma startup chilena que faz delivery de supermercados. A companhia já tinha adquirido 53% da empresa em 2019.

A expectativa da Uber é que o Ebitda ajustado alcance um número positivo no fim do ano. “À medida que avançamos em direção a esse marco importante, esperamos que nossa perda no terceiro trimestre melhore para menos de US$ 100 milhões, além de registrar pedidos maiores, entre US$ 22 bilhões e US$ 24 bilhões”, disse o CFO da Uber, Nelson Chai, em uma carta aos investidores.

A pressão pelo lucro na operação aumentou ainda mais após a Lyft, rival da Uber nos EUA, ter anunciado na terça-feira, dia 3 de agosto, o seu primeiro resultado positivo para o Ebitda ajustado em um trimestre, a US$ 23,8 milhões.

Apesar da melhora no último trimestre, a Uber ainda tem sofrido com desequilíbrios de oferta e demanda causados pela pandemia, que levaram ao aumento de preços e de tempo de espera. Segundo o CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, as metas para esses dois indicadores ainda não foram atingidas.

“No segundo trimestre, focamos na recuperação, investindo em motoristas, e fizemos um grande progresso. O número de motoristas e entregadores ativos aumentou quase 420 mil entre fevereiro e julho”, disse Khosrowshahi em um comunicado, sem dar o número total.

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