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Uma aposta de R$ 870 milhões nas entregas ultrarrápidas para enfrentar Rappi e iFood

A startup Daki, que se uniu à americana Jokr, está recebendo um aporte série A para expandir operações no Brasil e competir com Rappi e iFood em entregas de até 15 minutos. Rodada foi liderada por Tiger Global, GGV Capital e Balderton Capital

 

Os fundadores da Daki (da esq. à dir.): Rodrigo Maroja, Rafael Vasto e Alex Bretzner

A startup brasileira Daki, um aplicativo de delivery para entrega de produtos em até 15 minutos e que se uniu à americana Jokr, recebeu um aporte série A de R$ 870 milhões (US$ 170 milhões).

A rodada foi liderada por Tiger Global, GGV Capital e Balderton Capital. Também participaram Monashees, Kaszek, HV Capital, Activant Capital, Greycroft e FJ Labs.

As companhias não revelam quanto será destinado a cada marca. No Brasil, os recursos servirão para ampliar a infraestrutura de logística, investir na experiência do cliente e contratar pessoas.

Diferentemente de aplicativos como iFood e Rappi, a Daki não funciona como um intermediário. A startup conta com centros próprios de armazenagem de produtos, as chamadas dark stores, de onde os itens saem para ser entregues aos clientes. A promessa é de que a entrega é feita em até 15 minutos.

Atualmente, a Daki atua apenas em São Paulo, com 10 minicentros espalhados por 20 bairros. Nesta semana, começará também a operar no Rio Janeiro. A ideia é chegar a 100 minicentros até o fim do ano, focando inicialmente nas duas capitais. Está nos planos crescer para todo o Brasil, mas a empresa não revela um cronograma de expansões.

“A empresa está preparada para um crescimento e, com este investimento, chegaremos em mais lugares para simplificar o dia a dia das pessoas, entregando comodidade e conveniência”, afirma Rafael Vasto, CEO da Daki e um dos fundadores da startup.

A ideia é que cada minicentro funcione como um mercado de bairro, atendendo a região ao redor. Haverá, contudo, uma limitação de variedade de marcas em relação às grandes varejistas.

“Estamos trabalhando com cerca de 1.000 produtos em cada minicentro, que pode chegar a 1.500. É um número similar ao de um supermercado, mas, por causa da variedade de marcas, o supermercado pode chegar a 10 mil variedades. Com base em dados e tecnologia, queremos ser assertivos na oferta de produtos”, diz Alex Bretzner, que também cofundou a Daki.

Para competir com os supermercados, os minicentros do Daki funcionam de domingo a domingo, abrindo às 7 horas e operando até 1 hora da manhã, enquanto as varejistas fecham geralmente às 22 horas. “Mas estamos abertos a ouvir os clientes”, disse Rodrigo Maroja, outro fundador da Daki, sobre a possibilidade de o serviço ser 24 horas.

Para fazer frente aos aplicativos de entrega como iFood, Rappi e Uber Eats, o frete é grátis e ainda não está claro se será apenas uma estratégia para aumentar a base de clientes em um primeiro momento ou se será mantido.

“Mas não temos planos de mudar por enquanto, pois a ideia do nosso modelo é cortar intermediários, reduzir custos e aumentar a eficiência. Ganhamos na margem dos produtos”, afirma Vasto.

Os entregadores não são exclusivos da Daki e trabalham em bicicletas elétricas, em linha com a ideia de ser um aplicativo focado em atender uma região específica de uma cidade, por meio dos minicentros espalhados.

A Daki não informa quantos pedidos tem registrado nem qual é o seu faturamento, mas afirma que, no segundo trimestre deste ano, as entregas cresceram 700% em relação ao primeiro trimestre.

Sobre a expectativa de usar parte dos recursos para aumentar o número de funcionários, a Daki também não faz projeções, mas afirma que conta atualmente com 100 profissionais e sugere que deve contratar em várias frentes.

“Estamos começando a operar no Rio de Janeiro e vamos crescer em várias verticais, desde a parte de tecnologia até a cadeia de suprimentos”, diz o CEO.

Ao se juntar à americana Jokr, a Daki passou a fazer parte de um grupo que, além de São Paulo, está presente em Nova York (EUA), Cidade do México (México), Bogotá (Colômbia), Lima (Peru), Varsóvia (Polônia) e Viena (Áustria).

Segundo o CEO da Daki, a decisão de se fundir a outra startup com apenas seis meses de operação se deve, entre outras razões, a um esforço para fortalecer a posição financeira da companhia, juntar forças para atingir mercados diferentes e viabilizar aportes.

Além disso, ele afirma, com duas empresas atuando em locais diferentes de forma paralela, é possível atacar de forma mais rápido mercados relevantes, com compartilhamento de aprendizados e tecnologias.

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