Unidas acelera ambição global com Localiza

Em entrevista ao Conexão CEO, Luís Fernando Porto, CEO da Unidas, diz que a fusão com a Localiza abre portas para outros mercados de locação de veículos além do Brasil. Ele fala também sobre os riscos de veto ao acordo e dos planos da companhia se o negócio não sair

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Da organização de eventos a uma fazenda de café. Passando por uma empresa de vigilância e uma oficina de lanternagem e pintura. Esses foram apenas alguns dos negócios criados por Luís Fernando Porto, quando começou a empreender, aos 21 anos. Mas foi na Locarvel, fundada em Belo Horizonte (MG), em 1993, que o então jovem empresário enxergou, de fato, potencial para seguir sua trilha.

Nessa estrada, a locadora de automóveis colecionou aquisições e ganhou presença nacional. E, em 2018, já rebatizada como Locamerica, anunciou uma fusão com a Unidas e se tornou a segunda maior empresa de aluguel, terceirização de frotas e venda de seminovos do País.

O passo mais ambicioso veio, porém, em setembro de 2020, quando a empresa anunciou uma nova fusão. Dessa vez, com a Localiza, líder do setor, criando uma gigante com valor de mercado superior a R$ 64 bilhões. Com o acordo, Porto já vislumbra um atalho para chegar ainda mais longe.

“O racional é ter uma empresa com tamanho e musculatura que possa sonhar além das fronteiras do Brasil”, diz Porto, CEO da Unidas, em entrevista ao Conexão CEO (vídeo completo acima). “Estaremos ranqueados entre as três maiores do mundo. É uma nova avenida de crescimento que se abre.”

Entretanto, para buscar novos destinos, a operação ainda depende do sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por sua complexidade, o processo já atraiu contestações de rivais como a Movida e a expectativa é de que os trâmites se estendam até o início de 2022.

Porto diz que, pelo impacto do negócio, esse cenário já era esperado. E acrescenta que a Unidas trabalha com todas as hipóteses no processo. Da aprovação sem restrições a aprovação com remédios ou até mesmo o veto ao acordo.

“Se tiver um remédio muito grande, pode ser que as empresas não tenham interesse. A maneira que nós construímos não é unilateral”, afirma. Seja qual for o desfecho, ele acrescenta que, no dia a dia, a empresa segue tocando a operação como se não houvesse uma fusão no radar.

“Se der certo, vamos entrar com uma Unidas melhor do que na data do anúncio”, diz. “Se der errado, seguiremos nosso caminho.”

No programa, Porto fala ainda de temas como as mudanças no comportamento do consumidor, os planos da Unidas para atender a essas tendências, a expansão da operação e o desafio de lidar com os problemas e atrasos na produção das montadoras.

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